8/09/2013

O CURSO DO RIO

Rios de dinheiro, lavam o nosso cinzeiro;                          
Das cinzas e da paz; a doce prometida...
Na corrente, passam os troncos primeiro.
Depois, os corpos cegos e mutilados.
A melancolia das águas; objetos sem vida.
O barro e a espuma; nos corpos inchados.
Já não há nada para arrastar e dissolver...
O curso do rio é uma ladaínha arrependida.
Tudo, há muito se desagregou do saber.
Aquilo que escorre, são restos do nada...
Não consigo mais avistar aquela ponte;
O rio que nos engole, esqueceu a sua fonte...

mongiardimsaraiva

O MAIOR SONHO

O meu maior sonho é não deixar de sonhar...                      


mongiardimsaraiva

8/08/2013

POEMA DO VAZIO

O vazio é a verdade;                                                
A verdade é o vazio.
Passamos anos a fio, a evitá-lo.
Poderíamos talvez, considerá-lo;
Como o vazio; do tudo ou do nada...
Tudo; o que nada contém...
Ou nada; que em tudo tem...
Triste dicotomia, para nós mortais,
Que só concebemos, coisas "normais".
O medo existe; do túmulo vazio...
Na última morada; solidão e frio...

mongiardimsaraiva

8/04/2013

HOMEM AO MAR

Homem ao mar!!!                                    
Depressa, acudam;
Não deve saber nadar...
É no que pensam;
A água está fria,
Mas eu sei esbracejar...
Ainda posso tentar;
O sangue está quente
E sacode a minha mente,
Mas eu quero continuar...
Ir para baixo, bem fundo;
Conhecer um novo mundo
E ficar sentado na areia...
Aguardar a minha sereia,
Para morrer e recomeçar...
No leito duma outra vida,
Sinto chegar a partida;
Doce aconchego do mar...

mongiardimsaraiva

8/03/2013

PALAVRA

Por...                                                        
Amor...
Lavre...
Alguma...
Verdade...
Realmente...
Arrebatadora...

mongiardimsaraiva

ESCUNA SEM VELA

Se não me entendes,                                    
Pede uma explicação;
Não te acanhes...
Te darei o que pretendes;
Nunca vou te dizer não.
Não quero que te amanhes,
Em desculpas e perdão...
Vou procurar que me sigas,
Na doce brisa das palavras
E nas tempestades bravas;
Dos amores e das brigas...
Sou uma escuna sem vela,
Que percorre o denso mar;
Sem rota, nem estrada...
Procuro uma terra amada;
Entre portos e vielas...
Quero achar o meu lar
E hastear a minha vela...

mongiardimsaraiva

 




OXIGÉNIO

Já fui um caçador de pássaros...                                  
Já fui um pescador de peixes...
Hoje, pesco e caço "oxigénio".

mongiardimsaraiva

8/01/2013

O POVO SAIU À RUA

Sorrisos forçados,                                                
Rostos "fabricados"...
Não dá mais para segurar,
Muita mentira e pesar...
O povo saiu à rua,
Meio descrente da pátria sua;
Sem saber bem o que gritar.
Possuído pela "onda do não";
Força da louca opressão,
Incutida pela mídia crua...
Muito tempo sem ter de suar,
Escondendo a cara do sofrer;
Fingindo que não sente doer
Uma paz podre e artificial;
Meretriz do bem e do mal...
Vendida por um vintém,
A troco do "tudo vai bem"...
Agora, fica um gosto amargo;
Duma grande força e embargo...

mongiardimsaraiva

7/30/2013

O MEU PAR

Não sei de nada;                                        
Nada quero saber...
A "sede" e a "fome",
Devoram o meu ser...
Para quê chorar,
Por alguém sem nome,
Se a "sede" e a "fome",
Não têm o meu nome...
O que restará de mim,
Se a vida não me der
O que vier a seguir,
A uma miséria assim...
Serei louco ao pensar,
Que a vida é só amar;
Ficarei sozinho e leve,
Aguardando o meu par...

mongiardimsaraiva

7/29/2013

O CAMINHO

Na verdade, a bem ou a mal, cada ser humano terá de aprender a caminhar com as suas próprias pernas...

mongiardimsaraiva

                                                                     

MODISMOS

Não desista de ser você, só porque não se usa mais...

mongiardimsaraiva

                                                                           

O PRAZER

Não procures tão ávidamente o prazer; deixa o prazer te procurar...

mongiardimsaraiva

                                                                     

7/28/2013

ALTERNÂNCIAS

                                   
Algumas certas vezes...
Sou fácil e cristalino;
Como uma gota de água.
Outras certas vezes...
Sou incerto e complexo;
Como um denso labirinto.
Digo aos outros o que sinto;
Nunca quero sentir mágoa...
Discordo do certo e do nexo;
Sou ágil, ativo e repentino.
Da alternância sou peregrino,
Que sublima uma imagem alada;
Derradeira, leve e acorrentada
A uma mudança que corrói.
Sinto quando me bate e dói...
Sou quase um fruto maduro,
Que não quer mais ficar seguro
E cai no chão da minha estrada...

mongiardimsaraiva





TERRA NUA, CASTA E CEGA

Grãos,
Partículas,
Sedimentos
E tormentos dissolvidos;                                                
Em grossos excrementos,
Que vazam por águas e chãos...
Que brotam da origem do não,
Em curtas e edículas frases.
Desalentos de raivas contidas
Entre irmãos, divididos e sem base.
Tudo escoa e tarde se arrasta,
No compasso da sede que basta;
Sem impregnar de doces carícias,
A nossa linda, bela e rica terra,
Que continua nua, casta e cega...
Que aguarda em antiga espera;
Dias de pureza, Amor e entrega,
Que possam mantê-la na quimera;
Azul, inocente e sem guerra...

mongiardimsaraiva
 


7/26/2013

SEXY

Não existe nada mais sexy do que um belo cérebro...

mongiardimsaraiva

                                                                             

7/24/2013

PENSAMENTO ESTÉTICO

Existe na estética (arte), uma condição de verdade e acerto, muito além de qualquer tentativa humana e filosófica de discussão...

mongiardimsaraiva

                                                                           

GARIMPEIRO

Age como se fosses um garimpeiro; mas substitui o ouro pelo Amor...

mongiardimsaraiva
                                                                             

O PARÂMETRO

Não menosprezes nunca a dor; ela é o parâmetro necessário para que conheças o prazer sublime...

mongiardimsaraiva

                                                           

SÉPULTURE

Dans ma sépulture, toutes les larves vont parler un peu de français...

mongiardimsaraiva

                                                                 

7/23/2013

MINIMALISMO LITERÁRIO

  ...Leia-me...                                                
         &
...Entenda-me...
         &
 ...Aprecie-me...
         &
 ...Compre-me...

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Um tributo ao poeta Fernando Pessoa (Alberto Caeiro / O Guardador de Rebanhos)