4/05/2014

AS TELHAS DO MEU TELHADO

Farei o que me der na telha                                
Nas telhas do meu telhado.
Talvez pinte de encarnado
Ou então da cor vermelha.
Nessa casa, sou um arteiro;
Na arte, sonharei primeiro...
Decorar as paredes brancas
Com quadros que vou pintar.
Sentir as doces lembranças,
Enquanto o coração deixar.
Em águas cristalinas ficar
E relembrar o lado de fora,
Antes de poder ir embora...
Ao chão ao teto e ao fogão,
Dedicarei a minha oração...

mongiardimsaraiva

4/04/2014

O NOSSO ESPAÇO SIDERAL

Incomensuravelmente além de nós...                                
Disperso numa unidade que nos espanta,
O espaço que nos cerca, engole-nos a voz
E projeta o seu ser no entoar de um mantra...
Um clarão de luz eterna, para além da chama.
Tudo é sagrado e perpetuado numa cadeia...
Velhos pedaços, são agora objetos com luz;
Energia que expande, contrai e nos conduz...
Um mar de possibilidades que brilham e apagam.
Dentro de nós, existe também um espaço assim;
Com rios, lagos de marfim e cascatas de saudade.
Os cisnes, deslizam nessas águas com majestade.
A intenção de todo o mar é alimentar e renovar...
E fazer-nos conduzir o nosso amar de verdade.

mongiardimsaraiva




3/30/2014

DECOMPOSIÇÃO

Escorreu sangue na madrugada.                  
A terra, ficou húmida e pisada.
Os restos, ainda eram visíveis;
Descarnados, crus, horríveis.
Hórrida podridão decomposta.
A sujidade que ficou exposta,
Lembra as batalhas e guerras.
Homens que roubaram terras,
Usando cânticos de adoração.
Uma procissão arrasta os fiéis,
Que não invocam gestos cruéis.
Pobres corações, pedem perdão;
Sorriem para as feras famintas,
Que aguardam a carne alheia
Numa funda cova, vil e cheia.
Existem deuses, cansados e vãos
Que degustam a doce compaixão
E a disputam vazia; sem noção.
Decomposição fatal, cruel e feia.

mongiardimsaraiva





3/29/2014

NADAR

Abra a sua concha,                                            
Deixe entrar o mar
E saia para nadar...
Como um cardume;
Sinta-se flutuar,
Nas ondas balançar.
Fique para sempre,
No doce costume
De esperar a maré;
Como ser do ventre,
Que lhe pertence
E transmite a fé...

mongiardimsaraiva

3/25/2014

RACHMANINOFF - CONCERTO Nº 2 PARA PIANO

As primeiras notas são arrepiantes...
O piano é um ser fluido e vibrante;
Profundo habitante de um mar de antes.
Orquestra louca e ofegante; vil amante...
Notas que fluem de um pássaro gigante
Ou de pequenas criaturas, sem face igual.
As carícias são do mel e do prazer fatal...
O giro nos absorve para dentro da lua,
Sentimos que nos sacode a carne nua.
A música, conduz-nos à base da cruz
E lembra-nos o Amor daquele Jesus...

mongiardimsaraiva

3/24/2014

A RODA QUADRADA

Os comportamentos catalogados...                                      
Obrigados a uma divisão profunda;
Engavetados, acesos e homologados,
Pertença de uma sociedade imunda.
Já nascemos preparados para seguir,
Aquilo que nos é imposto e observado.
Alegrias e tristezas, compõem a mesa.
Temos de degustá-las, sem surpresa;
Uma a uma e com um sorriso no rosto.
Sentimentos são ocultos e guardados.
O mundo não quer pessoas diferentes,
Que o afrontem e tratem como ausente.
Tudo tem de girar como a grande roda;
Perpétua e enferrujada por cada moda...

mongiardimsaraiva

3/22/2014

NATUREZA ESTÉTICA

Mais do que a beleza em si,                          
Procuro agora a estética,
Daquilo que por si só, ri...
Das graças e da vida aqui,
Ao expulsar a dor patética.
Um rosto leve e natural;
Um rio que arrasta o mal,
Carregado de fragmentos.
Sentimentos são levados
E trazidos na correnteza...
O movimento é a estética;
Não existe a beleza pura.
Mas sim a pura natureza,
Alteza e ética; candura...

mongiardimsaraiva




3/21/2014

O DESFLORAR DO MAR

Quando o mar entra na terra,                                          
A terra se abre, doce e franca.
Sucumbe aos encantos da espuma branca
E engole todo o seu sal, frágil e vital...

mongiardimsaraiva

PRIMAVERA


A Primavera chegou cansada e ofegante;                                    
Muitas águas passadas de luz e encanto,
Correram nos rios e por montes adiante...
Agora, deixem-na cobrir com o seu manto
A esperança dos Homens, aqui e doravante.
Que as flores e o sol lhe tragam o seu canto...

mongiardimsaraiva

3/20/2014

A ARTE

A arte está em toda a parte.                                  
Só depende do ponto de vista.
Não depende só de um artista,
Mas de uma luz a iluminar-te.
Se uma imagem te transcende
E um clarão estético te acende,
Podes sentir um nó na garganta;
Não percebes o que te encanta,
Mas estás tomado por uma arte.
Assim possa acontecer contigo,
Já que a vida é arte escondida.
Nos meandros do nosso abrigo,
A arte permanece adormecida
E à espera da nossa parte...

mongiardimsaraiva

3/19/2014

ENTRE O SONO E O SONHO

Olhos rasgados acompanhavam o meu sono...                  
Na noite tardia, ardia uma lua forte e clara.
Todos os seres da floresta, ali murmuravam.
Os lobos saciados, guardavam o seu dono...
Não havia vento e o relento, era peça rara;
Num pacto formado em que cigarras cantavam.
Podia-se sentir a vibração de um belo sonho;
A carga da natureza, estava na minha cara
E iluminava-me num sono, doce e risonho
Que não podia ser pela noite desmanchado.
Se a ténue brisa soprasse no meu sonho,
Os lobos deixariam de sentir uma forte lua...
Desmembrariam o meu corpo; fraco e mutilado,
Como se aquele momento fosse a verdade crua.

mongiardimsaraiva

3/18/2014

AMARGO CANTO

Não espero nada em troca...                              
Nenhuma recompensa oferecida.
A verdade, essa, por mim se desloca,
Como sangue em dádiva merecida...
Aqui deixo alguns pequenos versos;
Sementes na minha árvore mantida.
Que sirvam de alimento para as aves
E mantenham o seu inspirado canto.
Se por acaso, algumas cairem por terra,
Deixem-nas germinar e combater o pranto.
Nunca haverá pássaros se houver guerra...
Tudo se desconcerta numa triste espera,
Inútil e contínua; pesado e triste manto.

mongiardimsaraiva

3/16/2014

A PARTE DAS ESTRELAS

Ao fim e ao cabo, nada nos pertence. Tudo é parte das estrelas...

mongiardimsaraiva


POEMA SUSPENSO

Sonhei que o poema estava suspenso,                    
Numa nuvem branca do azul do céu...
Balançavam as letras no espaço denso,
Da grata inspiração; queria eu ser réu.
Ficar pendurado nos versos em escada;
Corpo e mente, expostos e ao léu...
Grandioso efeito, nessa madrugada;
A poesia tapando-me com o seu véu...
Fui beijado por uma bela e doce fada,
Ao esquecer a terra e as obrigações...
Para que revivesse intensas emoções,
Bastaria que não acordasse jamais;
Suspenso por letras e sonhos reais...

mongiardimsaraiva

3/15/2014

CRIAR

Se quiseres recuperar o ser humano, permite que ele seja criativo...

mongiardimsaraiva

                                                                       

3/14/2014

GENTE DE PEDRA

Há gente que é de pedra...                              
Fria, grossa, pesada e rugosa.
Inanimados e comuns; petrificados.
Caindo pela vida aos bocados,
Como uma grossa argila porosa
Que se desfaz, sem bordados...
Cravam um buraco na terra
Do tamanho da sua espera;
Quieta, ausente e sem quimera.
E por aí ficam parados, absortos,
Presos nesse chão; empedrados.
Que um dia os receberá mortos,
Leves como uma pena; sepultados.

mongiardimsaraiva

3/12/2014

LIRISMO INCONFORMADO


Nesta correnteza de lirismo,                                  
As letras escorreram frágeis
E loucas de inconformismo...
Palavras sinceras e ágeis,
Subiram e desceram versos,
Estrofes e pontos dispersos;
Num movimento sem fim
E próprio dos dias assim.
As frases estavam cheias,
De uma rima leve e doce;
Ideias que pareciam areias,
Num seco deserto precoce.
Poemas não eram dilemas,
Mas marés de águas ligeiras
Em busca de muitos temas...

mongiardimsaraiva





PERTO DE TI


Estou mais perto de ti do que de mim...              

mongiardimsaraiva

3/11/2014

SONO MÁGICO

Há dias em que nada acontece...                    
Parece que nada há para vir...
Tudo está pregado e sem fluir.
Só a solitária aranha, a teia tece.
O vento não sopra; não tem canto.
A gente não ouve o nosso pranto.
As folhas deslizam sem emoção;
Não há tristezas, nem comoção.
Há apenas um arrastar nostálgico
Que acompanha o uso do tempo...
O fim do dia transparece trágico;
Num rouco e pesado lamento...
Criaturas adormecem ao relento,
Sonham e rezam; sono mágico...

mongiardimsaraiva

3/10/2014

ESPERA


A espera, quis esperar por mim...                              
Segredou-me que a vida é assim.
Aprender a aguardar; poder respirar.
Sentir um grande mundo a palpitar.
Escutar as vozes que cantam no mar.
Admirar os seres que moram nos céus.
Suportar as dores; descobrir os véus.
Ter tempo para adormecer e sonhar.
Brincar com quimeras e tristezas vãs.
Esperar sempre por quem nos espera
E ser aguardado por esperanças sãs.

mongiardimsaraiva

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