Sou refém da maresia
Nas ondas navego por acaso
Viajo no tempo por cortesia
Marinheiro novo em solo raso
Ás águas dedico o meu amor
Em tons de azul e verde mar
Sou a nortada a meu favor
Que despe a roupa do meu par
Quando chegar a tempestade
Quero estar na gávea mais alta
Avistar a minha parte que falta
E aclamar com propriedade
Ó mar profundo e encantado
Sou escravo da tua majestade
Não quero gritar terra à vista
Ao mar lanço a minha saudade
mongiardimsaraiva
8/12/2015
8/11/2015
NUVENS BRANCAS
Viajo pelas nuvens brancas
Entro na bruma da memória
Sou história inacabada e só
Que paira no céu sem voz
Nas rotas largas e francas
Quando subo sou albatroz
Ao descer pareço uma águia
Feroz contumaz e sem dó
Ao sobrevoar a nossa terra
Sinto uma tontura dormente
Dos lapsos do amor sem paz
Isso mantém-me pairante
Distante ausente e além
Queria subir muito acima
Olhar o mundo todo branco
Descolorido como um mangue
Sem migalhas e restos de sangue
mongiardimsaraiva
Entro na bruma da memória
Sou história inacabada e só
Que paira no céu sem voz
Nas rotas largas e francas
Quando subo sou albatroz
Ao descer pareço uma águia
Feroz contumaz e sem dó
Ao sobrevoar a nossa terra
Sinto uma tontura dormente
Dos lapsos do amor sem paz
Isso mantém-me pairante
Distante ausente e além
Queria subir muito acima
Olhar o mundo todo branco
Descolorido como um mangue
Sem migalhas e restos de sangue
mongiardimsaraiva
8/05/2015
AUSÊNCIA
Estou ausente no meu presente
Nos dias que tenho em mente
Sem coração e humanização
Onde os meus poros se fecham
Para não receber o pó e o frio
Arrepio que sinto até aos ossos
Os nossos filhos vagueiam por aí
Cansados de não saberem sonhar
Mecanizados sós e mergulhados
Na densa penumbra sem saudade
Quando o passado for esquecido
Restará um vasto e seco deserto
Semeado de carcaças sem idade
Onde as areias reinarão sem cor
Amor esquecido e aqui tão perto
mongiardimsaraiva
Nos dias que tenho em mente
Sem coração e humanização
Onde os meus poros se fecham
Para não receber o pó e o frio
Arrepio que sinto até aos ossos
Os nossos filhos vagueiam por aí
Cansados de não saberem sonhar
Mecanizados sós e mergulhados
Na densa penumbra sem saudade
Quando o passado for esquecido
Restará um vasto e seco deserto
Semeado de carcaças sem idade
Onde as areias reinarão sem cor
Amor esquecido e aqui tão perto
mongiardimsaraiva
8/04/2015
SALVADOR DALÍ
Um olhar perdido e desencontrado
Esferas que se movem sem parar
Na ponta de um fino bigode eriçado
Criam-se metáforas loucas sem par
Dali emerge belo o efêmero salvador
Da nossa mesmice apática apodrecida
Haja loucuras sãs que nos sustentem
Na madrugada doce suave embevecida
Belas estrofes da beleza que nos livrem
Do fardo vil das mágoas sujas de guerra
Queremos uma trégua nessa noite escura
Que nos aperta dura e seca a nossa terra
mongiardimsaraiva
Esferas que se movem sem parar
Na ponta de um fino bigode eriçado
Criam-se metáforas loucas sem par
Dali emerge belo o efêmero salvador
Da nossa mesmice apática apodrecida
Haja loucuras sãs que nos sustentem
Na madrugada doce suave embevecida
Belas estrofes da beleza que nos livrem
Do fardo vil das mágoas sujas de guerra
Queremos uma trégua nessa noite escura
Que nos aperta dura e seca a nossa terra
mongiardimsaraiva
7/30/2015
PAS DE DEUX
Muita saudade
Da nossa dança
Dos dias sem idade
Dos beijos de esperança
Sou o teu pai com amor
Mesmo ausente e incolor
Abraço-te sem aí estar
Na idade da tua flor
mongiardimsaraiva
(para Maria Laura)
Da nossa dança
Dos dias sem idade
Dos beijos de esperança
Sou o teu pai com amor
Mesmo ausente e incolor
Abraço-te sem aí estar
Na idade da tua flor
mongiardimsaraiva
(para Maria Laura)
7/11/2015
LISBOA
Lisboa menina dos meus olhos
Sentada a olhar o berço do Tejo
Lágrimas que escorrem pela face
Sal e alface por entre as ameias
Luzes serenas no castelo de areia
Serás sempre a mais bela raínha
Dessa foz até às ondas do Bugio
Estarei contigo sem seres minha
Nessa saudade e no meu arrepio
mongiardimsaraiva
Sentada a olhar o berço do Tejo
Lágrimas que escorrem pela face
Sal e alface por entre as ameias
Luzes serenas no castelo de areia
Serás sempre a mais bela raínha
Dessa foz até às ondas do Bugio
Estarei contigo sem seres minha
Nessa saudade e no meu arrepio
mongiardimsaraiva
6/24/2015
O RUÍDO DO SILÊNCIO
Ouço ruídos no teu silêncio
Uma voz que agora se cala
Sinto-te só na tristeza rala
Prostrada e caída num poço
Água suja densa e estagnada
Humedecendo a tua entrada
Criando musgos sem esboço
Paredes estéreis e sem nada
Sem permitir os raios de luz
Conduzem o sol à tua morada
Aquecem-te os pés numa cruz
Deixam-me sozinho sem fala
Morto sem a fé que me conduz
mongiardimsaraiva
Uma voz que agora se cala
Sinto-te só na tristeza rala
Prostrada e caída num poço
Água suja densa e estagnada
Humedecendo a tua entrada
Criando musgos sem esboço
Paredes estéreis e sem nada
Sem permitir os raios de luz
Conduzem o sol à tua morada
Aquecem-te os pés numa cruz
Deixam-me sozinho sem fala
Morto sem a fé que me conduz
mongiardimsaraiva
6/15/2015
O CIÚME
O ciúme é capaz de nos cegar e contribuir decisivamente para apagar a luz do nosso precário discernimento...
mongiardimsaraiva
mongiardimsaraiva
5/19/2015
ABRAÇO ANIMAL
Quis abraçar a besta
Há muito que a procurava
Brava pujante e sem fala
Uma criatura da natureza
Certeza e alteza perpetuava
Senti-lhe o cheiro nos sovacos
Húmidos molhados e opacos
A nossa carne gemeu e roncou
Pelo sangue que ali borbulhava
Nesse abraço que nos escapava
Éramos uma só besta delirante
Distante amante e apaziguada
Sorrimos até não haver mais nada
Queríamos morrer nesse abraço
Profundo nobre e desconcertante
Como duas bestas passo a passo
mongiardimsaraiva
![]() |
| abraço animal - Carlos Saraiva - arte digital - 2015 |
Brava pujante e sem fala
Uma criatura da natureza
Certeza e alteza perpetuava
Senti-lhe o cheiro nos sovacos
Húmidos molhados e opacos
A nossa carne gemeu e roncou
Pelo sangue que ali borbulhava
Nesse abraço que nos escapava
Éramos uma só besta delirante
Distante amante e apaziguada
Sorrimos até não haver mais nada
Queríamos morrer nesse abraço
Profundo nobre e desconcertante
Como duas bestas passo a passo
mongiardimsaraiva
5/09/2015
DE TI...
Dedico-a inteiramente a ti
Que me olhaste e recebeste
Sem teres visto o que eu sou
O teu encanto sol me chamou
Numa verdade só do teu rosto
Sem maldade e maus terjeitos
O encanto fica em nosso canto
Sentado no meu colo e no peito
Quero silenciar no teu desejo
Ser pássaro com asas de ti
mongiardimsaraiva
Que me olhaste e recebeste
Sem teres visto o que eu sou
O teu encanto sol me chamou
Numa verdade só do teu rosto
Sem maldade e maus terjeitos
O encanto fica em nosso canto
Sentado no meu colo e no peito
Quero silenciar no teu desejo
Ser pássaro com asas de ti
mongiardimsaraiva
5/02/2015
COVAS RASAS
Tudo é bruma inconsistente
Há castelos ocultos em areia
Uma teia quadrada está latente
A vida cai numa lágrima cheia
Que rola nas faces sem expressão
Uma mão que nunca está cheia
Do sangue e da carne sem perdão
Não existe o milagre dos pães
Mães destroçadas no sofrimento
Morrem aos poucos sublimadas
Enterram filhos em covas rasas
Que exalam o fogo das brasas
mongiardimsaraiva
Há castelos ocultos em areia
Uma teia quadrada está latente
A vida cai numa lágrima cheia
Que rola nas faces sem expressão
Uma mão que nunca está cheia
Do sangue e da carne sem perdão
Não existe o milagre dos pães
Mães destroçadas no sofrimento
Morrem aos poucos sublimadas
Enterram filhos em covas rasas
Que exalam o fogo das brasas
mongiardimsaraiva
4/24/2015
PAIXÃO
Um rasgão escancarado no peito
Coração vermelho inchado e pulsante
Vísceras que choram a dor no leito
Lágrimas escorrem no sal contagiante
A paixão é esse animal desconcertante
Que agride sentimentos e o conceito
Sem perguntar o que sente e garante
mongiardimsaraiva
| Paixão - óleo s/tela - Carlos Saraiva |
Vísceras que choram a dor no leito
Lágrimas escorrem no sal contagiante
A paixão é esse animal desconcertante
Que agride sentimentos e o conceito
Sem perguntar o que sente e garante
mongiardimsaraiva
4/21/2015
MARLY SOBRE TELA
Ela pintava acordes de ternura
Desenvoltura carinho e aconchego
Desenhava campos de semeadura
Com verde e terra com sossego
Céus claros tranquilos e sem estrelas
Ervas vermelhas campos de verdura
Matizados em tons crus e instigantes
Com a força de um culto que dura
Fiquei preplexo ao vê-la deliciada
Nesse campo em que só ela corria
Lembrei-me que a conhecera um dia
Claramente e após uma noite fria
mongiardimsaraiva
Desenvoltura carinho e aconchego
Desenhava campos de semeadura
Com verde e terra com sossego
Céus claros tranquilos e sem estrelas
Ervas vermelhas campos de verdura
Matizados em tons crus e instigantes
Com a força de um culto que dura
Fiquei preplexo ao vê-la deliciada
Nesse campo em que só ela corria
Lembrei-me que a conhecera um dia
Claramente e após uma noite fria
mongiardimsaraiva
4/17/2015
NAU À DERIVA
Nau à deriva
Rota sem rumo
Prumo sem esquiva
Barcaça sem a frota
Águas cálidas e paradas
Cheiro de nafta e a crude
Palidez sem sol e atitude
Ranger de madeiras grogues
Que se espreguiçam e riem
Por piedade não me afogues
Peregrina sem eira nem beira
Levada no tropeço da corrente
Flutuo dormente e consternada
Sou sentinela do meu presente
Durmo na bruma do meu nada
mongiardimsaraiva
Rota sem rumo
Prumo sem esquiva
Barcaça sem a frota
Águas cálidas e paradas
Cheiro de nafta e a crude
Palidez sem sol e atitude
Ranger de madeiras grogues
Que se espreguiçam e riem
Por piedade não me afogues
Peregrina sem eira nem beira
Levada no tropeço da corrente
Flutuo dormente e consternada
Sou sentinela do meu presente
Durmo na bruma do meu nada
mongiardimsaraiva
4/01/2015
ESCORRO PARA O MAR
Escorro necessariamente para o mar
Amar persinto ser o meu rio serpente
Sou digno daquilo que não me mente
Verdade sublime que sorri ao chorar
Perpetuo ideias a quem não as sente
Crio imagens das saudades sem par
Estou na cruz do meu canto semente
Caranguejo oculto e sem ter mangue
Sinto sede nas gotas do meu sangue
Necessito dos abrigo no nosso estar
Quero que o amor me dispa urgente
Devore o profundo dessas entranhas
E me devolva à vida sem meu pesar
Pássaro que sobrevoa as montanhas
Avistando o rio e voando para o mar
mongiardimsaraiva
Nota do Autor: Este poema foi selecionado para ser publicado na VII Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" (Chiado Editora / Lisboa / Portugal / 2016).
Amar persinto ser o meu rio serpente
Sou digno daquilo que não me mente
Verdade sublime que sorri ao chorar
Perpetuo ideias a quem não as sente
Crio imagens das saudades sem par
Estou na cruz do meu canto semente
Caranguejo oculto e sem ter mangue
Sinto sede nas gotas do meu sangue
Necessito dos abrigo no nosso estar
Quero que o amor me dispa urgente
Devore o profundo dessas entranhas
E me devolva à vida sem meu pesar
Pássaro que sobrevoa as montanhas
Avistando o rio e voando para o mar
mongiardimsaraiva
Nota do Autor: Este poema foi selecionado para ser publicado na VII Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" (Chiado Editora / Lisboa / Portugal / 2016).
3/31/2015
MARIPOSA REAL
Negra borboleta preta e clara
No preto e no branco casada
Com asas e olhos de veludo
Cara feita de ti e do meu nada
Voa serena no meu rosto mudo
Suga-me as entranhas mais doces
Digere-as sem choro e sem dor
Percalços vividos do nosso amor
Saboreia-me e não digas nada
Sou pranto por não seres acabada
E tremor ao conduzir o meu fervor
mongiardimsaraiva
No preto e no branco casada
Com asas e olhos de veludo
Cara feita de ti e do meu nada
Voa serena no meu rosto mudo
Suga-me as entranhas mais doces
Digere-as sem choro e sem dor
Percalços vividos do nosso amor
Saboreia-me e não digas nada
Sou pranto por não seres acabada
E tremor ao conduzir o meu fervor
mongiardimsaraiva
3/27/2015
ATRAVÉS DA VIDRAÇA
Observei-te nítida pela vidraça
Alta segura imóvel e com graça
Olhos sós e preparados para o vazio
Afagaram sonhos breves e desafios
Muitas incertezas entraram no cio
Fui um passageiro louco e com frio
Que percorreu ileso essa madrugada
Senti na minha carne a longa espera
Afagada por angústias e pela quimera
Como uma esperança abençoada e sã
Nunca pensei nela como a tristeza vã
Mas como abraço certo e consagrado
Naquela só vidraça do nosso quadro
mongiardimsaraiva
Alta segura imóvel e com graça
Olhos sós e preparados para o vazio
Afagaram sonhos breves e desafios
Muitas incertezas entraram no cio
Fui um passageiro louco e com frio
Que percorreu ileso essa madrugada
Senti na minha carne a longa espera
Afagada por angústias e pela quimera
Como uma esperança abençoada e sã
Nunca pensei nela como a tristeza vã
Mas como abraço certo e consagrado
Naquela só vidraça do nosso quadro
mongiardimsaraiva
3/21/2015
DIA DA POESIA
O dia da poesia é todos os dias
Manhãs tão vazias sem maresia
Que deixam os meus dias ilhados
Sinto-me vaguear pela simpatia
Quando a minha chama não é fria
E os meus orvalhos são confinados
Dedico-te o meu louco sentimento
Atento nas coisas que não são nada
Constante isolada por esse fermento
Que cresce de noite e na madrugada
mongiardimsaraiva
Manhãs tão vazias sem maresia
Que deixam os meus dias ilhados
Sinto-me vaguear pela simpatia
Quando a minha chama não é fria
E os meus orvalhos são confinados
Dedico-te o meu louco sentimento
Atento nas coisas que não são nada
Constante isolada por esse fermento
Que cresce de noite e na madrugada
mongiardimsaraiva
MÃE
Parabéns mãe
Como ninguém
Serás sempre além
Da graça e do dom
Em que me deste raça
No teu sangue corro só
Por veias cheias e dilatadas
Sou um barco sem o teu porto
Que balança sozinho e torto
Em águas por ti consternadas
21/03/2015 - mongiardimsaraiva
Como ninguém
Serás sempre além
Da graça e do dom
Em que me deste raça
No teu sangue corro só
Por veias cheias e dilatadas
Sou um barco sem o teu porto
Que balança sozinho e torto
Em águas por ti consternadas
21/03/2015 - mongiardimsaraiva
3/02/2015
UM AMOR COMO O NOSSO
Um amor como o nosso
Quero dar-te sem medo
Encerro nesse segredo
Muitas entregas a mim
Quero que fiques assim
Mar sem medo nem fim
No fundo dos teus olhos
Avisto a calma da areia
Que reflete ri e permeia
No brilho do orvalho só
Madrugadas sem enredo
Que tardam em ser cedo
Nascer claras e ser pó
mongiardimsaraiva
Quero dar-te sem medo
Encerro nesse segredo
Muitas entregas a mim
Quero que fiques assim
Mar sem medo nem fim
No fundo dos teus olhos
Avisto a calma da areia
Que reflete ri e permeia
No brilho do orvalho só
Madrugadas sem enredo
Que tardam em ser cedo
Nascer claras e ser pó
mongiardimsaraiva
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