Adormecido no aconchego do mar
Um rosto flutuava em bolhas de paz
Na superfície de luz da maré baixa
Como o resíduo de um coral vazio
Arrancado das profundezas da terra
Vida mantida em poesias suspensas
Pela correnteza dos lagos com sal
Ali existiam as presenças do baixio
Inundado por seres belos e frágeis
Quando essa mulher abriu os olhos
Pôde ver a luz refletida nos espelhos
Molduras de pedra e algas verdes
O mar e a terra tinham se beijado
Levando consigo parte do seu corpo
Oferecido aos deuses dessa morada
Ali teria de permanecer para sempre
Mesmo que o oceano a possuísse
Mergulhada para sempre nessa água
Acorrentada ao seu doce encanto
Respirava as marés altas do amor
Bolhas que exalava sem pranto
mongiardimsaraiva
(poema & arte digital)
7/06/2016
6/29/2016
ABRAÇADOS
Sinto essa tua doce presença
Abraçada ao meu corpo quente
Presente em toda a madrugada
Sou uma esponja desse amor
Impregnado na minha mente
Mentor de tudo e do meu nada
Delicio-me no teu seio ardente
Que queima em fogo latente
Mantido por mãos de uma fada
Queria ficar assim para sempre
Preso ao calor dessa fogueira
Que arde nua e só sem se ver
Alvorecer sagrado na natureza
Dias consagrados sem tristeza
Abraçados ao prazer de nos ter
mongiardimsaraiva
Abraçada ao meu corpo quente
Presente em toda a madrugada
Sou uma esponja desse amor
Impregnado na minha mente
Mentor de tudo e do meu nada
Delicio-me no teu seio ardente
Que queima em fogo latente
Mantido por mãos de uma fada
Queria ficar assim para sempre
Preso ao calor dessa fogueira
Que arde nua e só sem se ver
Alvorecer sagrado na natureza
Dias consagrados sem tristeza
Abraçados ao prazer de nos ter
mongiardimsaraiva
6/15/2016
HOMEOPATIA
Um baile sem música
Figuras tristes e embriagadas
Sem a noção do uso da vida
Miseráveis da moralidade
Ocultada em gestos forçados
Sedentos do soro da mentira
Servido em doses invisíveis
Homeopáticas e malignas
Teimam em ter e não ser
Mídia vazia e desconstruída
Semente da nossa morte
Inimiga sangrenta da sorte
Com ideias vãs e estupradas
Amarrados ao prazer dos nós
Vamos prosseguindo sós
Solitariamente apagados
Pelas más e vis lembranças
Ilhados tristes amargurados
Esquecidos de sermos nós
mongiardimsaraiva
Figuras tristes e embriagadas
Sem a noção do uso da vida
Miseráveis da moralidade
Ocultada em gestos forçados
Sedentos do soro da mentira
Servido em doses invisíveis
Homeopáticas e malignas
Teimam em ter e não ser
Mídia vazia e desconstruída
Semente da nossa morte
Inimiga sangrenta da sorte
Com ideias vãs e estupradas
Amarrados ao prazer dos nós
Vamos prosseguindo sós
Solitariamente apagados
Pelas más e vis lembranças
Ilhados tristes amargurados
Esquecidos de sermos nós
mongiardimsaraiva
6/14/2016
A MANADA
Escurecia rapidamente e a manada reuniu-se para iniciar a descida; sombras que ganhavam forma aos poucos, até se tornarem bois enormes, com um cheiro forte e hastes retorcidas. O mais velho parecia ganhar a dianteira, logo seguido pelos mais novos e por algumas crias, num cortejo silencioso e ordeiro. Juntos, vinham ocupar a lateral junto à cerca, próximo da estrada e muito perto de mim. Tinham um ar indolente e desconfiado. Ao menor movimento, pareciam assustar-se e desembestavam em pequenos trotes de nervosismo. Aguardavam uns pelos outros até ao cair da noite, quando formavam uma intensa e misteriosa fila indiana. Ninguém sabia qual o seu propósito, para onde se deslocavam e qual era o seu destino. De repente pareciam sumir na noite, envolvidos pela bruma junto ao matagal. Isso acontecia quando, espontaneamente, desapareciam ao atingir uma pequena depressão junto a um dos bebedouros improvisados ao lado da estrada. Desconhecia-se como isso era possível e alguns, atribuíam-no a um poder sobrenatural da montanha. Tudo acontecia num compasso de mágica e as criaturas deixavam de repente de ser vistas, como se existisse alguma caverna que as engolisse. Algo as absorvia ou dissipava, como um pesado nevoeiro feito para ocultar. Eu queria entender o que acontecia nesse momento e o que existia efetivamente junto àquela pequena depressão na beira da estrada, onde o trânsito circulava normalmente e com bastante intensidade. Naquele fim de tarde, aproximei-me cautelosamente do local antes que chegasse o chefe da manada. Para isso, agachei-me cuidadosamente por detrás de umas ervas. Esperei talvez uns quinze ou vinte minutos, até sentir os passos pesados e indolentes do comandante. Estava gelado e nervoso quando encarei de muito perto aquele animal, possante e escuro. Sentia que ele me notava, apesar do seu ar distante, compenetrado e seguro. O medo tomou conta de mim e por um instante, percebi que ali o intruso era eu. Definitivamente, eu não parecia fazer parte daquele ritual quase sagrado. Em alguns instantes, o segundo e o terceiro boi apareceram e logo toda a manada estava ali presente, como que reunida numa cerimônia ensaiada. A névoa parecia ter baixado ainda mais e o primeiro animal caminhava agora na minha direção, num compasso lento e definitivo. Prestei toda a atenção e aguardei por um milagre ou por algo que pudesse explicar aquela história fantástica. Petrificado, mal podia acreditar no que via, ou melhor, no que não via; os bois pareciam desaparecer por baixo de mim, como num compasso de mágica sem qualquer explicação. Algo muito inusitado acabava de acontecer, o que me deixou ainda mais curioso, apreensivo e com vontade de investigar. Aguardei então pacientemente a chegada do último animal e assim que ele desapareceu perante os meus olhos, levantei-me assustado e desci trêmulo aquele pequeno declive. A noite estava muito escura e pude constatar que os animais não estavam mais ali, o que me fez suar frio perante a possibilidade de poder desaparecer também. Bastante assustado olhei em volta e procurei os bois, ofuscado por uma pequena luz amarelada que brilhava agora por baixo da estrada. Fui atraído por ela e dei alguns passos na direção. O mistério aumentou e pude reconhecer uma pequena abertura na parede rochosa. Havia um túnel improvisado, com menos de dois metros de diâmetro, salpicado por alguns pedaços de esterco ainda úmido. Enchi-me de coragem e percorri aquele espaço vazio, na direção da luz. Não havia vestígios da manada, mas logo adiante ouvi um som que me pareceu familiar. Um pouco à frente reconheci uma grande e tosca casa branca que parecia semi abandonada e vazia. Quando me aproximei da porta, um forte odor tomou conta do meu corpo. Pé ante pé, cheguei perto da porta e espreitei. Uma imensa massa viva, sombria, repousante e formada por cabeças e hastes indicava o paradeiro da minha manada que pareceu não dar pela minha presença, após mais uma longa jornada de pasto na montanha. Um sentimento de regozijo e cumplicidade percorreu a minha mente, como uma pluma muito leve e esvoaçante que parecia indicar-me um caminho. Aquele final, foi determinante e marcante para mim. Muito além da minha expetativa e imaginação. Pude sentir naquele momento, a presença de algo estranho e ao mesmo tempo natural. Uma sensação de plenitude e integridade que me ligava profundamente àqueles seres e àquelas famílias. Agora, tudo começava a fazer sentido. Uma calorosa mensagem tinha acabado de chegar dentro do meu coração. Percebi que era hora de retroceder e voltar para casa...
mongiardimsaraiva
6/08/2016
CÉU E ÁGUA NUM SÓ OLHAR
O pássaro desceu ao rio
O peixe subiu à margem
Entreolhavam-se curiosos
Naquela quase miragem
Permaneciam cuidadosos
Asas adormecidas e seguras
Barbatanas retraídas e duras
Lapso no vazio da viagem
Aos reinos sagrados e sãos
Agora eram quase amigos
Sem se tocarem nas mãos
Voltariam lá muitas vezes
À fronteira desses mundos
Apenas para se olharem
O pássaro não sabia nadar
Um peixe sem poder voar
Céu e água num só olhar
mongiardimsaraiva
O peixe subiu à margem
Entreolhavam-se curiosos
Naquela quase miragem
Permaneciam cuidadosos
Asas adormecidas e seguras
Barbatanas retraídas e duras
Lapso no vazio da viagem
Aos reinos sagrados e sãos
Agora eram quase amigos
Sem se tocarem nas mãos
Voltariam lá muitas vezes
À fronteira desses mundos
Apenas para se olharem
O pássaro não sabia nadar
Um peixe sem poder voar
Céu e água num só olhar
mongiardimsaraiva
5/20/2016
MÃE ÁFRICA
Não existem palavras
Só o sentimento e o alento
Conseguem ser céu e vento
Que carrega a nossa esperança
Deuses são aquelas crianças
Que dão vida pura à natureza
Olhos que se abrem para amar
Ao ver de perto uma vela acesa
Envolta em sangue sobre a mesa
Riem gritam e correm sem parar
Saltam pulam gesticulam dançam
Querem ser paz para não matar
O resto é tudo uma voz rouca
Que implora pela vida distante
Olhos sem alimento e sem água
São destroços vazios e gigantes
Que não podem mais chorar
mongiardimsaraiva
5/12/2016
TEMER O TEMER
Temer é um ato de coragem
Ou de aproveitar a vantagem
De estar certo no lugar certo
Nunca perder a louca viagem
E regozijar-se com um sorriso
Aviso aos navegantes sem mar
Não estou aqui para fazer pão
Quero mudar essa engrenagem
Que jaz inconsciente a soluçar
Temer o temer sem um temor
É um salto elegante no vazio
Onde criaturas se escondem
Apunhalam as costas por trás
E murmuram hinos de vitória
Sem história pura e sem paz
mongiardimsaraiva
Ou de aproveitar a vantagem
De estar certo no lugar certo
Nunca perder a louca viagem
E regozijar-se com um sorriso
Aviso aos navegantes sem mar
Não estou aqui para fazer pão
Quero mudar essa engrenagem
Que jaz inconsciente a soluçar
Temer o temer sem um temor
É um salto elegante no vazio
Onde criaturas se escondem
Apunhalam as costas por trás
E murmuram hinos de vitória
Sem história pura e sem paz
mongiardimsaraiva
5/06/2016
NA MATA ESCURA
Espantado e incrédulo
Ergui o rosto com medo
Não eram meus irmãos
Batiam duro com as mãos
E seguravam canos de fogo
Que rebentavam em clarões
Naquela noite senti o medo
Muito medo daqueles trovões
Agachado sozinho tremendo
Fiquei acordado e paralisado
Na selva que não me pertencia
Ardia no vermelho em segredo
E impugnava triste por silêncio
Senti que nos olhos havia água
Água da minha fonte selvagem
Que nunca me quis triste e só
Hoje a noite não me trouxe paz
Jaz acesa para sempre em mim
A lembrança do medo que senti
Na minha mata escura assim
mongiardimsaraiva
Ergui o rosto com medo
Não eram meus irmãos
Batiam duro com as mãos
E seguravam canos de fogo
Que rebentavam em clarões
Naquela noite senti o medo
Muito medo daqueles trovões
Agachado sozinho tremendo
Fiquei acordado e paralisado
Na selva que não me pertencia
Ardia no vermelho em segredo
E impugnava triste por silêncio
Senti que nos olhos havia água
Água da minha fonte selvagem
Que nunca me quis triste e só
Hoje a noite não me trouxe paz
Jaz acesa para sempre em mim
A lembrança do medo que senti
Na minha mata escura assim
mongiardimsaraiva
4/28/2016
MÃE TERRA
Envolto em auras de branco
Olhei aquela mulher sedutora
Pele escura de rosto franco
Um sorriso de amor fecundo
Sem os trejeitos de senhora
Semente da paz no mundo
No germinar de uma lavoura
Queria ser esses teus panos
Que te seguram o rosto assim
Nos braços de um amor sem fim
E te apertam no passar dos anos
Sou a esperança do teu olhar
Que vagueia na solidão de mim
Queria ser parte dos teus sonhos
Cultivar riquezas dessa natureza
E poder usar um lenço branco
Como toalha que cobre a mesa
mongiardimsaraiva
Olhei aquela mulher sedutora
Pele escura de rosto franco
Um sorriso de amor fecundo
Sem os trejeitos de senhora
Semente da paz no mundo
No germinar de uma lavoura
Queria ser esses teus panos
Que te seguram o rosto assim
Nos braços de um amor sem fim
E te apertam no passar dos anos
Sou a esperança do teu olhar
Que vagueia na solidão de mim
Queria ser parte dos teus sonhos
Cultivar riquezas dessa natureza
E poder usar um lenço branco
Como toalha que cobre a mesa
mongiardimsaraiva
3/30/2016
A LENDA DA DAMA DE VERMELHO
No vermelho vivo me esparramo, deleitada ao balanço das ondas. Sinto a maresia que declamo e guardo no peito o meu descanso, sentinela atenta nessas rondas. Sou aquela mulher de vermelho que mora acordada no teu sonho. E te traz uma paz consternada, envolvida em roupas de cetim. Diz a lenda que numa estrada, fui vista por quem me sonhava. A quem sorria, logo parava e sentia o meu perfume, assim. Pétalas vãs de rosa vermelha forçavam o passeio na noite, sem destino e sem morada. Os carros e os homens seguiam-me sem parar, na longa estrada consignada. Quando os beijava, abraçava-os e convidava-os a prosseguirem comigo ao luar, pelo caminho do velho e escuro cemitério. Éramos apaixonados e cúmplices daquele amor, perpetuado naquelas noites sem fim. À porta da minha bela e vermelha casinha, estonteante e seminua, eu perguntava-lhes: - Queres-me tua para sempre? - Vem, eu moro aqui sozinha...
mongiardimsaraiva
2/24/2016
LEPRA
Reparei naquele pobre africano
Que pedia esmola sentado no chão
Pele negra e manchas rosadas na mão
Roupas rasgadas e manchadas sem cor
Dor que me doeu na ossada do meu amor
Não tinha os lábios e o nariz para me olhar
Estendeu-me o braço ou um abraço para dar
Gelei por dentro senti-me só e agarrado
Àquele estado que não pude acompanhar
No olhar tresloucado percebi essa certeza
A lepra tinha encontrado mais uma presa
E preparava sorrateira o seu bote fatal
Ia contagiar-me por não dar uma esmola
Começou a movimentar-se na minha direção
Arrastava-se como serpente ferida e cega
Devagar lentamente rápido na minha mente
Senti nas pernas um torpor permanente
Um calafrio sem frio tomou conta de mim
Abandonei o meu corpo que agora padecia
Precisava do meu espírito que não sorria
Para ajudar as minhas pernas a correr
Morrer e sofrer como aquele homem
Deixou-me à beira da vida que morria
O meu querer configurou-se numa peça
Ao sentir que alguém me puxava seguro
Filho dá a mão ao pai e anda depressa
mongiardimsaraiva
Que pedia esmola sentado no chão
Pele negra e manchas rosadas na mão
Roupas rasgadas e manchadas sem cor
Dor que me doeu na ossada do meu amor
Não tinha os lábios e o nariz para me olhar
Estendeu-me o braço ou um abraço para dar
Gelei por dentro senti-me só e agarrado
Àquele estado que não pude acompanhar
No olhar tresloucado percebi essa certeza
A lepra tinha encontrado mais uma presa
E preparava sorrateira o seu bote fatal
Ia contagiar-me por não dar uma esmola
Começou a movimentar-se na minha direção
Arrastava-se como serpente ferida e cega
Devagar lentamente rápido na minha mente
Senti nas pernas um torpor permanente
Um calafrio sem frio tomou conta de mim
Abandonei o meu corpo que agora padecia
Precisava do meu espírito que não sorria
Para ajudar as minhas pernas a correr
Morrer e sofrer como aquele homem
Deixou-me à beira da vida que morria
O meu querer configurou-se numa peça
Ao sentir que alguém me puxava seguro
Filho dá a mão ao pai e anda depressa
mongiardimsaraiva
2/17/2016
ESQUECI DE TE ESQUECER
Esqueci de te esquecer
Doce e bela criatura deleitada
Sentada na sombra esparramada
Pelo azul das águas desse horizonte
A tua luz confunde-se com o campo
Manto de folhas secas e sóis amarelos
No bordado do teu pano vejo as flores
Que respiram a voz do teu canto
Quanta delicadeza no teu bordar
E no som do mar dos teus amores
O dia não tem mais luz para te dar
Aguardando um sorriso no teu ficar
Espreguiçada ao calor desses odores
mongiardimsaraiva
Doce e bela criatura deleitada
Sentada na sombra esparramada
Pelo azul das águas desse horizonte
A tua luz confunde-se com o campo
Manto de folhas secas e sóis amarelos
No bordado do teu pano vejo as flores
Que respiram a voz do teu canto
Quanta delicadeza no teu bordar
E no som do mar dos teus amores
O dia não tem mais luz para te dar
Aguardando um sorriso no teu ficar
Espreguiçada ao calor desses odores
mongiardimsaraiva
2/15/2016
XANGRI - LÁ
Começo a traçar um novo caminho
Sozinho e naquilo que eu mais peço
Universo envia-me já o teu carinho
Segura a tua mão ao nosso destino
Cerca-me de letras aroma e pétalas
Paz inunda minha vontade de cometa
Traz-me a virtude e o sonho maduro
Deixa-me viver um caminho seguro
Perto dessas flores como borboleta
Ao futuro ergo hoje minha bandeira
Salpicada de cores e letras macias
Sou bandeirante nas minhas ideias
Combato maldades e guerras frias
Quando vieres me beijar abraça-me
Para que tenha a certeza que és tu
Traz-me nesse olhar a tua semente
Nos braços o nosso amor sem tabu
mongiardimsaraiva
Sozinho e naquilo que eu mais peço
Universo envia-me já o teu carinho
Segura a tua mão ao nosso destino
Cerca-me de letras aroma e pétalas
Paz inunda minha vontade de cometa
Traz-me a virtude e o sonho maduro
Deixa-me viver um caminho seguro
Perto dessas flores como borboleta
Ao futuro ergo hoje minha bandeira
Salpicada de cores e letras macias
Sou bandeirante nas minhas ideias
Combato maldades e guerras frias
Quando vieres me beijar abraça-me
Para que tenha a certeza que és tu
Traz-me nesse olhar a tua semente
Nos braços o nosso amor sem tabu
mongiardimsaraiva
2/11/2016
CANTO DA LUA
Nada se iguala a essa Natureza
Certeza que impregna de luz sábia
O canto das aves apaga-nos o medo
Da escuridão do temor na incerteza
Onde tem água cresce mais mundo
Atento e profundo à nossa beleza
A alvorada proclama o ser nascente
Preparado para cantar o novo canto
Espanto que nos deixa sem mente
Na ternura invisível de um pranto
São séculos que contêm o mistério
Profanado por guerras e mentiras
Terras que resistem à orgia crua
E que repetem no seu grito sério
Verdades ocultas no canto da lua
mongiardimsaraiva
Certeza que impregna de luz sábia
O canto das aves apaga-nos o medo
Da escuridão do temor na incerteza
Onde tem água cresce mais mundo
Atento e profundo à nossa beleza
A alvorada proclama o ser nascente
Preparado para cantar o novo canto
Espanto que nos deixa sem mente
Na ternura invisível de um pranto
São séculos que contêm o mistério
Profanado por guerras e mentiras
Terras que resistem à orgia crua
E que repetem no seu grito sério
Verdades ocultas no canto da lua
mongiardimsaraiva
2/07/2016
TRANSPIRO
Transpiro
Suspiro
Sensibilidade e algum talento
Alento que sustento
No meu retiro
Transpiro
Palavras frias
Alegorias e silêncio
Transpiro
E te admiro
Música e sentimento
Transpiro
No regaço do teu colo
Disciplina e pensamento
Transpiro
No meu lamento
Sol Solto
Sopro ao vento
Me refaço sob os elementos
Recomeço
Novo suspiro
Me inspiro
mongiardimsaraiva e Marcia Varricchio
1/30/2016
LIBERDADE - IGUALDADE - FRATERNIDADE
A liberdade azul sobrevive só na dor
Torpor que se instala e dilacera sem
Construir um novo caminho do amor
Cerrar dentes sem ajuda de ninguém
Descobrindo no amor o vil adultério
Escondido sem uma suspeita original
Ser livre a partir de um só mistério
Ganhar asas de prazer cru sem igual
A branca igualdade assim prevalece
Ao arrastar o ódio nos sentimentos
Morte prematura de um ser sofrido
Apagado pela gula fria da vingança
Morto duas vezes sem ter morrido
No único ser que lhe deu esperança
A fraternidade é um vermelho
Que divide o atropelo de alguém
A profunda solidão sem conselho
Juiz do meu chorar sem o além
Mulher fraterna ao sentir o porém
Que oferece o olhar que faz silenciar
Amando sem a carne inteira a latejar
Num doce aconchego sem um vintém
Como a onda que persiste e resiste
Ao ilusório mar fraterno que não tem
mongiardimsaraiva
Torpor que se instala e dilacera sem
Construir um novo caminho do amor
Cerrar dentes sem ajuda de ninguém
Descobrindo no amor o vil adultério
Escondido sem uma suspeita original
Ser livre a partir de um só mistério
Ganhar asas de prazer cru sem igual
A branca igualdade assim prevalece
Ao arrastar o ódio nos sentimentos
Morte prematura de um ser sofrido
Apagado pela gula fria da vingança
Morto duas vezes sem ter morrido
No único ser que lhe deu esperança
A fraternidade é um vermelho
Que divide o atropelo de alguém
A profunda solidão sem conselho
Juiz do meu chorar sem o além
Mulher fraterna ao sentir o porém
Que oferece o olhar que faz silenciar
Amando sem a carne inteira a latejar
Num doce aconchego sem um vintém
Como a onda que persiste e resiste
Ao ilusório mar fraterno que não tem
mongiardimsaraiva
12/28/2015
RESTOS DE MIM
Quando o vento me levar
Serei novelo varrido e solto
Envolto em penas pelo ar
Subirei no horizonte revolto
Para cair na incerteza do mar
O que restar de mim será teu
No amor que juntaste ao meu
Musa da cor e plena por criar
mongiardimsaraiva
Serei novelo varrido e solto
Envolto em penas pelo ar
Subirei no horizonte revolto
Para cair na incerteza do mar
O que restar de mim será teu
No amor que juntaste ao meu
Musa da cor e plena por criar
mongiardimsaraiva
12/15/2015
MEU SOL POENTE
Saí por uma rua sem nome
Fome do passado que não vi
No peito essa certeza enorme
De me olhar sem a vida que ri
Quis passar pela dura provação
Do ser sozinho e acompanhado
No dom e na imagem da razão
Ter-me a mim como um cajado
Desapegado inteiro conformado
Liberto das asas em que morri
Hoje sinto o que foi renovado
Ao passado dedico o presente
Que escorre limpo pelas veias
Sereias de um mar consciente
Que me trazem para as ideias
O sol nas ondas desse poente
mongiardimsaraiva
Fome do passado que não vi
No peito essa certeza enorme
De me olhar sem a vida que ri
Quis passar pela dura provação
Do ser sozinho e acompanhado
No dom e na imagem da razão
Ter-me a mim como um cajado
Desapegado inteiro conformado
Liberto das asas em que morri
Hoje sinto o que foi renovado
Ao passado dedico o presente
Que escorre limpo pelas veias
Sereias de um mar consciente
Que me trazem para as ideias
O sol nas ondas desse poente
mongiardimsaraiva
12/09/2015
CÂNTICO DE NATAL
Não adianta cantar o natal sem voz
Lamento doce cristalino que sai de nós
É preciso honrar o espírito desse ideal
Erguer muralhas de pureza contra o mal
E perpetuar sentimentos com grandeza
Deixar no planeta um rasto de cometa
Ouvir das estrelas um eco que nos cala
Albergar no nosso asilo coisas sem fala
Abraçar simplicidades sós com gentileza
Abrir o coração para o grito da natureza
Ver na reunião mais do que uma mesa
E saborear as migalhas do nosso pão
Com devoção e louvor a essa estação
Cânticos sedentos de amor se elevarão
Magia dos sentimentos puros sem igual
Como nuvens do nosso céu romântico
Glorificando a nossa intenção de natal
mongiardimsaraiva
12/01/2015
VERSOS AO MEU AMOR
Dedico-me nestes versos ao amor
Submersos e vivos no calor de nós
A voz que aqui ouves não sou eu
Apenas um eco daquilo que é teu
A ti te pertenço doce e confinado
O que buscas em mim será assim
Enviado num beijo só e desejado
O nosso caminho é a nossa lagoa
Serena e com reflexos da tua voz
Escuna que nos balança sem abrigo
Apenas náufraga daquilo que te digo
Sonhada e pura nascente até à foz
mongiardimsaraiva
(poema e imagem)
Submersos e vivos no calor de nós
A voz que aqui ouves não sou eu
Apenas um eco daquilo que é teu
A ti te pertenço doce e confinado
O que buscas em mim será assim
Enviado num beijo só e desejado
O nosso caminho é a nossa lagoa
Serena e com reflexos da tua voz
Escuna que nos balança sem abrigo
Apenas náufraga daquilo que te digo
Sonhada e pura nascente até à foz
mongiardimsaraiva
(poema e imagem)
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