5/14/2019
5/11/2019
Bucólica
exalto as florestas coníferas
de agulhas longas e finas
próprias das regiões frias
ou temperadas do planeta
como nos cartões de natal
que guardo numa gaveta
para esquecer de todo o mal
queria poder plantar flores
em todas os lutos e horrores
poder cheirar e presentear
com singelos botões de rosa
impregnados de um doce aroma
que me lembrasse o amor refinado
tonto e inebriado das paixões
sou refém dos meus sólidos portões
que só abrem quando me sinto ilhado
sou sentinela atenta e impregnada
pelos aromas que voam à minha beira
os meus muros são brancos e silenciosos
por entre as ervas nasce uma trepadeira
mongiardimsaraiva
5/05/2019
O homem que fazia sabão
Naquele povoado tudo era comandado por uma pequena comunidade religiosa, cujo pastor era um homem severo e antiquado. Detentor de uma palavra forte e vibrante, fazia tremer quem ousasse discordar de alguma das suas ideias e todos se preocupavam em agradar-lhe sem restrições.
As crianças eram as primeiras a correr, quando do alto do seu metro e quase noventa escancarava uma boca rasgada e advertia com voz de trovão.
Todos se preocupavam em louvar um Deus que era formatado à imagem daquela realidade, de acordo com as condições da maioria das pessoas; pobres, sofridas e com um horizonte muito restrito, encurtado ainda mais pela impossibilidade de saírem dali para conhecerem outros lugares.
Mesmo assim, parecia existir uma espécie de serenidade podre e envolvente que deixava tudo com um aspecto de alegria forçada e contagiante, não fosse algumas histórias estranhas e perturbadoras que contavam sobre algumas pessoas da região.
Dentre esses relatos, os mais velhos tinham eleito um personagem que era o principal responsável pelo temor das crianças e deixava os adultos numa incerteza muito grande quando o assunto assim o exigia. Ou sempre que esse homem aparecia na aldeia, transportando consigo todas as maldições concebíveis e inconcebíveis que lhe diziam respeito. Era injusto, mas aquele homem estava fadado a um destino trágico e obscuro apesar de, aparentemente, nunca ter feito mal a ninguém. Diziam que aquele homem era tão estranho e nefasto que, em alguns casos em que fora afrontado pelas crianças, as tinha levado consigo dentro de um enorme saco e com elas, tinha feito sabão...
E um dia, quando todos estavam no início de mais um culto, ele apareceu subitamente no meio daquela multidão e dirigiu-se apressadamente ao púlpito da igreja para se tornar o orador da noite. Tinha vindo substituir o pastor titular, sem o conhecimento do grupo que aguardava descontraidamente a chegada do seu líder. Não foi imediatamente reconhecido pelos presentes, mas o seu vulto exageradamente magro e desengonçado, a sua cabeça ossuda e projetada para trás em que exibia no vidro de um dos olhos uma expressão marcadamente desconcertante e transfigurada, deixou um rasto de apreensão naquela sala.
Quando começou a falar, a sua voz era cristalina e melódica como uma lira, os seus movimentos eram estéticos, graciosos e a expressão era eloquente e segura. Nunca ninguém ousara escutar aquela voz que transmitia segurança e prendia a atenção, até dos menos devotos. Os mais velhos acotovelavam-se e faziam observações uns aos outros quase em surdina e entre dentes. As crianças, à medida que o iam reconhecendo tremiam, ao aguardar um gesto que indicasse que aquele homem pegaria inadvertidamente em um saco para as levar consigo. Aquela figura manteve-se por bastante tempo entregue e atenta aos seus fiéis, transbordando palavras de amor e esperança na sua homilia, quase fazendo esquecer o seu passado lendário e impiedoso.
Não fosse um gesto inesperado daquele orador e tudo teria decorrido na mais santa paz. A certa altura, quando todos os fiéis já se encontravam envolvidos por aquele destino crente e louvável, o homem pediu a todos os adultos que perfilassem as suas crianças junto ao altar, já que pretendia ofertá-las e honrá-las com uma pequena lembrança. E assim foi. Aquelas crianças pobres, empurradas pelos seus pais, começaram a formar uma longa fila junto àquele homem que parecia agora ser mais uma figura de regeneração divina do que uma criatura sinistra e do mal.
Mas quando tudo previa tratar-se de um final feliz e honroso para aquela comunidade envolvida pelo seu Deus, um pequeno detalhe foi responsável pelo reinício da dúvida cruel que pairou sobre aquela criatura; aquele homem fizera subitamente aparecer do nada, uma grande sacola pesada que arrastou até ao centro da igreja e dela começou a tirar pequenos embrulhos que distribuiu por todos os presentes. E disse, num tom suave, feliz e aprazível: - Esperei muitos anos por este momento e esta é uma dívida que tinha para com muitos de vocês. - Recebam humildemente cada amostra deste sabão, em nome do Senhor Jesus e com ele lavem cuidadosamente o corpo e a alma para remissão dos vossos pecados!
mongiardimsaraiva
4/27/2019
mesmo confinado às profundezas abissais
por vezes lanço mão do meu periscópio
um olho apontado a tantos olhos normais
envoltos por uma cortina no denso ópio
dentro do meu submarino aguardo pelo sol
apesar de não poder senti-lo nem abraçá-lo
sou refém dessa claridade tímida e velada
E estou imerso nas águas sem um farol
qualquer clareza é uma lua dentro de mim
apontada ao espaço de muitas estrelas
quando avisto alguém recolhido assim
apetece-me chamá-lo e acolhê-lo
no frio do meu barco só e desatracado
divido a minha paz com as medusas
e sinto-as rejubilar no meu horizonte
em movimentos esbeltos e educados
às vezes sou apenas como uma concha
bivalve e entreaberta que respira
pressinto cada onda que me atira
ao mar consternado do meu fado
mongiardimsaraiva
Arquivo morto
pessoas e coisas que acabaram
vidas e passos que chegaram ao fim
não te iludas se no tempo se amaram
já nada e ninguém os faz ser assim
ciclos são encerrados para sempre
sem retorno ao passado que se foi
outras obras voltarão ricas e renovadas
por um fulgor aceso que quase dói
ousa perguntar aos que foram amigos
se ainda te podem realizar um favor
pede-lhes com todo o teu clamor
e vê-os escorregar para os abrigos
desfeitos em desculpas esfarrapadas
não existe mais nada além de ninguém
para te trazer o sopro de um vintém
por isso não deves te importar
com os amigos que já não o são
devolve-os à sua origem perdida
eles não estão mais aí para ti
são apenas o teu passado torto
deixa-os na paz de um novo ciclo
manda-os para o teu arquivo morto
mongiardimsaraiva
4/09/2019
Perplexo
admiro a tua tenacidade
quando lutas contra a corrente
quando empurras o amor ausente
e queres mostrar a tua vontade
admiro-te mesmo além do razoável
quando sinto que usas a saudade
apesar do tempo pouco afável
acho-te um poço de sabedoria
mesmo quando abanas a cabeça fria
e descobres em mim um sim amável
não te deixas nunca abater
e arrastas sempre a sombra da vida
és feita de quê sem saber
por ti aclamo à natureza sábia
uso o teu canto para me ver
e sigo o teu olhar sem te ter
mongiardimsaraiva
3/19/2019
O meu infinito (poema selecionado - 2019)
somente o infinito para me guiar
sem margens paragens e descompassos
um caminho sem estradas para cruzar
nos abraços que teimei em não dar
nos beijos que transformei em laços
certezas que ficaram para me guiar
tudo se esvaiu por essa terra solta
sinto que os poros se fecharam
nada mais me faz lembrar de mim
sou apenas poeira decantada pelo ar
restos desse ser dão-me a última voz
num sibilar rente às nuvens brancas
infinitamente nutrido e só esvoaço
parcas partículas agregadas ao pó
não consigo mais olhar para trás
sinto-me suspirar infinito e incerto
é tarde para não querer voar
sou agora o mito da minha natureza
pertenço às regiões desabitadas
onde os abismos acolhem os deuses
peregrino de toda uma fé tamanha
vejo água e luz por toda a parte
por cima do sol nessa montanha
mongiardimsaraiva
3/14/2019
Apenas
basta-me semi cerrar os olhos
transportar-me para longe daqui
dentro de uma nuvem sobre o vento
sou do ar e da verdade que chora e ri
mais acima sinto-me tão eu e atento
como pássaro que gargalha fora de si
gosto de seguir a marcha das formigas
que pisam a terra oca que se contrai
chupam a água pelas barrigas
escravas no ritual dos seus ais
quanto mais alto me transporto
mais distante estou das formas
perco-me fora das normas
e separo-me do jugo da palavra
estou na garganta de uma fada
que me empurra mais para dentro
da minha explosão sem trovão
apenas sinto a divisão do meu corpo
provocada pela pólvora que desagrega
em migalhas de um tiro de canhão
finalmente sou do etéreo e do perdão
em voo suspenso e incerto para sempre
bato agora as minhas asas de borboleta
como uma pena só e sem pena de voar
flutuo na garupa deste poema que vai
apenas subo choro e desço lento
permaneço estático e finjo apenas
que sou um observador atento
embalado pela tristeza que dói
não ouço mais o riso das hienas
apenas um doce e leve lamento
em volta da minha nuvem que cai
estou agora numa lua sem vento
sem onda balanço e sem sustento
apenas ausência que sai
mongiardimsaraiva
2/23/2019
Muito além
hoje acendo esta vela
uma luz que não se apaga
uso a minha saudade singela
para te dizer quase nada
sou mais uma estrela perto de ti
nessa imensidão só e sagrada
junto-me aqui à tua morada
naquilo que sonhamos e sofremos
estou apenas suspenso no ar
numa bolha em que nos vemos
és ainda o meu maior bem
apesar de não seres mais ninguém
és muito mais do que a lua tem
no manto prata do teu regaço
sou ausente no amor que faço
recordo-te assim muito além
mongiardimsaraiva
2/06/2019
O pastor
sou o silêncio de um pastor
guardo o meu rebanho atrás do monte
uso em liberdade as minhas cores
penso nas estrelas sem ter ciência
apenas cuido dos meus amores
observo o céu sem metafísica
basto-me no regalo do vento
sou pássaro pousado em vida
água que escorre do meu lamento
quando avisto as outras terras
marco as ovelhas na memória
e ouço o eco do seu balir
no sol escrevo outra história
conto os passos que hão-de vir
os meus cães são como gente
levam e trazem o meu rebanho
são anjos que me seguem de perto
abrem o caminho que vem a seguir
quero deixar para as estrelas
uma janela sempre aberta
por essa imensidão distante
quero sempre poder vê-las
em volta do meu rebanho
de uma forma delirante
mongiardimsaraiva
2/05/2019
Epitáfio
em um lapso tudo termina
no estalo vazio que te leva
nas garras perpétuas do não ser
serpente que se enrosca quente
no teu pescoço frio e dormente
aproveita cada abraço sagrado
cada beijo oferecido ao teu corpo
cada criatura que te faz sonhar
logo estarás numa rua deserta
seguindo apenas os teus passos
não deixes que a magia se esvaia
por entre os teus dedos de pedra
e caia no chão sangrento das feras
reluz a cada raio de luz enviado
e não te esqueças de nós
também somos feitos de ti
quando fores embora
leva a tua saudade
e não batas a porta
perdoa-nos a maldade
ainda estamos por aqui
mongiardimsaraiva
2/04/2019
Com um olho no burro e outro no cigano
o cigano passou por mim agora
na garupa do seu burro cinzento
não conseguiu olhar-me nos olhos
parecia apressado mundo afora
a trotar perdido e a rir aos molhos
fiquei sem saber o que lhe dizer
aquele era o meu melhor amigo
que parecia não mais me conhecer
por isso fui ter com uma cigana
que leu baixinho a minha mão
fitou-me no viés do seu olhar
e perguntou-me com toda a razão
se não conhecia bem o meu amigo
através do seu olhar mediano
como observar sempre um gitano
sempre a não ver e a ver todos
sempre com um olhar incerto e fugaz
sempre com um olho no burro
e outro no cigano
mongiardimsaraiva
1/19/2019
Extremos
os extremos sempre se tocam
agarram-se e sacodem-se
como dois irmãos de sangue
abraçam-se e beijam-se
levitam e pairam no ar
corpos sagrados e vorazes
nas carícias e nos segredos
são cúmplices e viajam
numa aventura certeira
pelas planícies do sem fim
dão a volta ao mundo
e amam-se assim
como dois extremos
longe e perto
inevitavelmente
sem palavras
mongiardimsaraiva
1/18/2019
Uma terra marcadamente dura
que terra tão marcadamente dura
montes escuros redondos de pedra densa
encostas que escorrem uma baba imensa
mato queimado no meio dessa secura
os rebanhos procuram na encosta intensa
vestígios de um novo capim que não vem
transformado em ossos de carcaça pura
e mugidos dos bois à chuva que não vem
os cães abandonados uivam na madrugada
em alcateias de sons levados pelo vento
são da brisa como ecos de um lamento
e trazem-nos a melodia consternada
cortam o silêncio no fio de uma navalha
apontada à imensidão do céu estrelado
os seres mais pacatos são os caboclos
que bocejam no mato enquanto falam
são como lagartos apontados para a lua
à espera que um inseto pouse na palha
de voz estridente como quem ri e ralha
espantam as onças e atraem as corujas
nessa noite preciosa infindável e escura
naquela terra tão marcadamente dura
mongiardimsaraiva
1/15/2019
Peste bubônica
Como se não bastasse as pragas e os maus agoiros que parecem transitar ultimamente pelo país, foi registrado no Rio de Janeiro um caso de peste bubônica, doença fatal que dizimou um terço da Europa no século XIV. A doença é contraída por uma bactéria alojada no sangue das pulgas de roedores e nos piolhos. No entanto, há indícios de que no Brasil a doença tenha sido disseminada através da ingestão de crustáceos, moluscos e peixes contaminados, nomeadamente a lula por ser o seu principal hospedeiro. A paciente internada e isolada, passa bem, apesar do tratamento à base de potentes antibióticos. Ao que tudo indica, o risco de uma pandemia parece não existir e o alerta vermelho foi acionado em todo o país.
mongiardimsaraiva
1/07/2019
Mitos
quanta ingenuidade e apatia
quanta alegria sem serventia
nesse planalto desarborizado
enfeitado pobre e sem magia
quanto sorriso estampado e sem cor
um amor estarrecido e consignado
violado pela essência do não ter
povo que usa bandeira sem ter eira
na beira de uma praça sem saber
os mitos são exacerbados e trôpegos
exaltados pela matilha aventureira
mas as ostras já estão apodrecidas
na água morna e suja de um viveiro
onde as pérolas são apenas ofuscantes
como o brilho de uma nova cegueira
oxalá o mito seja perene e se consagre
como orixá de um rico candomblé
venham séculos de magia e certeza
e os sóis voltem a brilhar nos paetês
mongiardimsaraiva
12/30/2018
A morte da poesia
para que serve a poesia
senão para cantar uma vida vazia
onde estão os que a acolhem e enobrecem
de coração aberto para a realidade fria
cada vez mais velha vai se esboroando
em mares de lama e labaredas de cristal
aos sarracenos foi dada a alegria do mal
por entre as frestas de castelos sem sal
aos poetas foi dada a liberdade do dizer
em soluços e prantos até morrer
o que farei se a tristeza nunca me cala
e a verdade parece escorrer por mim
como se fosse mortalha de uma vela acesa
certeza de me encontrar perdido e só
apenas com as migalhas deste poema
como um andarilho oculto pelo pó
mongiardimsaraiva
12/23/2018
Um texto sem pretexto
chove rãs e peixes do céu
sanguessugas rolam nas estradas
a lama engole as famílias enlutadas
e os cardeais expugnam o réu
há sinais de uma franca orgia
quem diria na casa do pai
toda a alegria é contagiante
delirante a honra que sai
só nos navios a casa não cai
não sentimos a tristeza que vai
só nos traz mais pesadelos
somos carcaças suadas e frias
aos ossos doamos a alegria
vemos até um peixe no céu
sanguessugas sem ter sangue
e rãs que molham o nosso véu
mongiardimsaraiva
12/16/2018
João sem Deus?
Embora tivesse várias vezes afirmado ser apenas um instrumento nas mãos de Deus, o povo atribuiu-lhe o dom divino de algumas curas milagrosas, algo que o aproximou definitivamente da intocabilidade do céu.
Por isso, é extremamente difícil desconsiderar esse pressuposto quando alguns factos muito sombrios e avassaladores remetem a sua reputação na vala comum, onde os mais vis e repugnantes aguardam a hora do acerto final. Quisera Deus que alguns dos seus filhos não tivessem de passar por essas provações. A ira do povo é do tamanho da sua fé inabalável, duramente ferida por um golpe traiçoeiro e lascivo.
E agora? Como atribuir (ou não) a esse homem a mentoria dos propósitos libidinosos de que é acusado, se à partida ele seria apenas um canal receptor de identidades (um médium) que o incorporaram com fins de cura e redenção, aceite e aclamado por aqueles que o procuraram e agora o acusam? Será legítimo responsabilizá-lo, à partida, pelas monstruosidades e práticas realizadas à luz de uma doutrina espírita, regeneradora e misericordiosa? Existe tribunal e legislação para julgar a espiritualidade nas suas mais intrigantes e instigantes instâncias, ou tudo não passa de uma farsa orquestrada por aqueles que se acham acima do bem e do mal? E as milhares de curas realizadas em pessoas do mundo inteiro que o visitaram e se entregaram à sua conduta e espiritualidade? É difícil! Teriam sido então muitos anos de charlatanismo acobertado, sem que tivessem ocorrido depoimentos desabonatórios de qualquer tipo, o que constrói efetivamente uma poderosa aura de elevação e proteção. É estranho que só agora tenha surgido um rol de mulheres ditas abusadas e inconformadas com o seu guru, sendo que nunca a sua sanidade mental e intelectual fora posta em causa.
Queira Deus que este homem não seja culpado no contexto das acusações que contra ele pesam. Certamente, será muito difícil reconhecer a fronteira entre o real e o ilusório, ainda mais quando o assunto é sobre os desígnios de Deus e a conduta dos homens. Não cabe a nós tecer juízos de valor sobre a religião e a fé de cada um.
Se tiver de pagar por atos conscientes que realizou, que seja feita uma justiça fria, divina e pragmática. Que sirva para aclarar ideias, dúvidas e atitudes sobre causas e assuntos ainda pouco conhecidos e que ninguém tenha a pretensão de julgar os outros sem primeiro se julgar a si próprio, através dos seus pensamentos, palavras e obras.
Tenho comigo que a João (homem) foi dada uma dimensão ilusória e exagerada, sob pretexto de um juízo que talvez não pertença só a Deus.
Acredito que as curas podem se tornar reais e miraculosas quando acreditamos que isso seja possível. Por vezes, temos tendência a idolatrar personagens, rituais e cerimônias, mas esquecemos facilmente que a cura pode estar, simplesmente, dentro de nós.
mongiardimsaraiva
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