Escorreu sangue na madrugada.
A terra, ficou húmida e pisada.
Os restos, ainda eram visíveis;
Descarnados, crus, horríveis.
Hórrida podridão decomposta.
A sujidade que ficou exposta,
Lembra as batalhas e guerras.
Homens que roubaram terras,
Usando cânticos de adoração.
Uma procissão arrasta os fiéis,
Que não invocam gestos cruéis.
Pobres corações, pedem perdão;
Sorriem para as feras famintas,
Que aguardam a carne alheia
Numa funda cova, vil e cheia.
Existem deuses, cansados e vãos
Que degustam a doce compaixão
E a disputam vazia; sem noção.
Decomposição fatal, cruel e feia.
mongiardimsaraiva
3/30/2014
3/29/2014
NADAR
Abra a sua concha,
Deixe entrar o mar
E saia para nadar...
Como um cardume;
Sinta-se flutuar,
Nas ondas balançar.
Fique para sempre,
No doce costume
De esperar a maré;
Como ser do ventre,
Que lhe pertence
E transmite a fé...
mongiardimsaraiva
Deixe entrar o mar
E saia para nadar...
Como um cardume;
Sinta-se flutuar,
Nas ondas balançar.
Fique para sempre,
No doce costume
De esperar a maré;
Como ser do ventre,
Que lhe pertence
E transmite a fé...
mongiardimsaraiva
3/25/2014
RACHMANINOFF - CONCERTO Nº 2 PARA PIANO
As primeiras notas são arrepiantes...
O piano é um ser fluido e vibrante;
Profundo habitante de um mar de antes.
Orquestra louca e ofegante; vil amante...
Notas que fluem de um pássaro gigante
Ou de pequenas criaturas, sem face igual.
As carícias são do mel e do prazer fatal...
O giro nos absorve para dentro da lua,
Sentimos que nos sacode a carne nua.
A música, conduz-nos à base da cruz
E lembra-nos o Amor daquele Jesus...
mongiardimsaraiva
O piano é um ser fluido e vibrante;
Profundo habitante de um mar de antes.
Orquestra louca e ofegante; vil amante...
Notas que fluem de um pássaro gigante
Ou de pequenas criaturas, sem face igual.
As carícias são do mel e do prazer fatal...
O giro nos absorve para dentro da lua,
Sentimos que nos sacode a carne nua.
A música, conduz-nos à base da cruz
E lembra-nos o Amor daquele Jesus...
mongiardimsaraiva
3/24/2014
A RODA QUADRADA
Os comportamentos catalogados...
Obrigados a uma divisão profunda;
Engavetados, acesos e homologados,
Pertença de uma sociedade imunda.
Já nascemos preparados para seguir,
Aquilo que nos é imposto e observado.
Alegrias e tristezas, compõem a mesa.
Temos de degustá-las, sem surpresa;
Uma a uma e com um sorriso no rosto.
Sentimentos são ocultos e guardados.
O mundo não quer pessoas diferentes,
Que o afrontem e tratem como ausente.
Tudo tem de girar como a grande roda;
Perpétua e enferrujada por cada moda...
mongiardimsaraiva
Obrigados a uma divisão profunda;
Engavetados, acesos e homologados,
Pertença de uma sociedade imunda.
Já nascemos preparados para seguir,
Aquilo que nos é imposto e observado.
Alegrias e tristezas, compõem a mesa.
Temos de degustá-las, sem surpresa;
Uma a uma e com um sorriso no rosto.
Sentimentos são ocultos e guardados.
O mundo não quer pessoas diferentes,
Que o afrontem e tratem como ausente.
Tudo tem de girar como a grande roda;
Perpétua e enferrujada por cada moda...
mongiardimsaraiva
3/22/2014
NATUREZA ESTÉTICA
Mais do que a beleza em si,
Procuro agora a estética,
Daquilo que por si só, ri...
Das graças e da vida aqui,
Ao expulsar a dor patética.
Um rosto leve e natural;
Um rio que arrasta o mal,
Carregado de fragmentos.
Sentimentos são levados
E trazidos na correnteza...
O movimento é a estética;
Não existe a beleza pura.
Mas sim a pura natureza,
Alteza e ética; candura...
mongiardimsaraiva
Procuro agora a estética,
Daquilo que por si só, ri...
Das graças e da vida aqui,
Ao expulsar a dor patética.
Um rosto leve e natural;
Um rio que arrasta o mal,
Carregado de fragmentos.
Sentimentos são levados
E trazidos na correnteza...
O movimento é a estética;
Não existe a beleza pura.
Mas sim a pura natureza,
Alteza e ética; candura...
mongiardimsaraiva
3/21/2014
O DESFLORAR DO MAR
Quando o mar entra na terra,
A terra se abre, doce e franca.
Sucumbe aos encantos da espuma branca
E engole todo o seu sal, frágil e vital...
mongiardimsaraiva
A terra se abre, doce e franca.
Sucumbe aos encantos da espuma branca
E engole todo o seu sal, frágil e vital...
mongiardimsaraiva
PRIMAVERA
A Primavera chegou cansada e ofegante;
Muitas águas passadas de luz e encanto,
Correram nos rios e por montes adiante...
Agora, deixem-na cobrir com o seu manto
A esperança dos Homens, aqui e doravante.
Que as flores e o sol lhe tragam o seu canto...
mongiardimsaraiva
3/20/2014
A ARTE
A arte está em toda a parte.
Só depende do ponto de vista.
Não depende só de um artista,
Mas de uma luz a iluminar-te.
Se uma imagem te transcende
E um clarão estético te acende,
Podes sentir um nó na garganta;
Não percebes o que te encanta,
Mas estás tomado por uma arte.
Assim possa acontecer contigo,
Já que a vida é arte escondida.
Nos meandros do nosso abrigo,
A arte permanece adormecida
E à espera da nossa parte...
mongiardimsaraiva
Só depende do ponto de vista.
Não depende só de um artista,
Mas de uma luz a iluminar-te.
Se uma imagem te transcende
E um clarão estético te acende,
Podes sentir um nó na garganta;
Não percebes o que te encanta,
Mas estás tomado por uma arte.
Assim possa acontecer contigo,
Já que a vida é arte escondida.
Nos meandros do nosso abrigo,
A arte permanece adormecida
E à espera da nossa parte...
mongiardimsaraiva
3/19/2014
ENTRE O SONO E O SONHO
Olhos rasgados acompanhavam o meu sono...
Na noite tardia, ardia uma lua forte e clara.
Todos os seres da floresta, ali murmuravam.
Os lobos saciados, guardavam o seu dono...
Não havia vento e o relento, era peça rara;
Num pacto formado em que cigarras cantavam.
Podia-se sentir a vibração de um belo sonho;
A carga da natureza, estava na minha cara
E iluminava-me num sono, doce e risonho
Que não podia ser pela noite desmanchado.
Se a ténue brisa soprasse no meu sonho,
Os lobos deixariam de sentir uma forte lua...
Desmembrariam o meu corpo; fraco e mutilado,
Como se aquele momento fosse a verdade crua.
mongiardimsaraiva
Na noite tardia, ardia uma lua forte e clara.
Todos os seres da floresta, ali murmuravam.
Os lobos saciados, guardavam o seu dono...
Não havia vento e o relento, era peça rara;
Num pacto formado em que cigarras cantavam.
Podia-se sentir a vibração de um belo sonho;
A carga da natureza, estava na minha cara
E iluminava-me num sono, doce e risonho
Que não podia ser pela noite desmanchado.
Se a ténue brisa soprasse no meu sonho,
Os lobos deixariam de sentir uma forte lua...
Desmembrariam o meu corpo; fraco e mutilado,
Como se aquele momento fosse a verdade crua.
mongiardimsaraiva
3/18/2014
AMARGO CANTO
Não espero nada em troca...
Nenhuma recompensa oferecida.
A verdade, essa, por mim se desloca,
Como sangue em dádiva merecida...
Aqui deixo alguns pequenos versos;
Sementes na minha árvore mantida.
Que sirvam de alimento para as aves
E mantenham o seu inspirado canto.
Se por acaso, algumas cairem por terra,
Deixem-nas germinar e combater o pranto.
Nunca haverá pássaros se houver guerra...
Tudo se desconcerta numa triste espera,
Inútil e contínua; pesado e triste manto.
mongiardimsaraiva
Nenhuma recompensa oferecida.
A verdade, essa, por mim se desloca,
Como sangue em dádiva merecida...
Aqui deixo alguns pequenos versos;
Sementes na minha árvore mantida.
Que sirvam de alimento para as aves
E mantenham o seu inspirado canto.
Se por acaso, algumas cairem por terra,
Deixem-nas germinar e combater o pranto.
Nunca haverá pássaros se houver guerra...
Tudo se desconcerta numa triste espera,
Inútil e contínua; pesado e triste manto.
mongiardimsaraiva
3/16/2014
POEMA SUSPENSO
Sonhei que o poema estava suspenso,
Numa nuvem branca do azul do céu...
Balançavam as letras no espaço denso,
Da grata inspiração; queria eu ser réu.
Ficar pendurado nos versos em escada;
Corpo e mente, expostos e ao léu...
Grandioso efeito, nessa madrugada;
A poesia tapando-me com o seu véu...
Fui beijado por uma bela e doce fada,
Ao esquecer a terra e as obrigações...
Para que revivesse intensas emoções,
Bastaria que não acordasse jamais;
Suspenso por letras e sonhos reais...
mongiardimsaraiva
Numa nuvem branca do azul do céu...
Balançavam as letras no espaço denso,
Da grata inspiração; queria eu ser réu.
Ficar pendurado nos versos em escada;
Corpo e mente, expostos e ao léu...
Grandioso efeito, nessa madrugada;
A poesia tapando-me com o seu véu...
Fui beijado por uma bela e doce fada,
Ao esquecer a terra e as obrigações...
Para que revivesse intensas emoções,
Bastaria que não acordasse jamais;
Suspenso por letras e sonhos reais...
mongiardimsaraiva
3/15/2014
3/14/2014
GENTE DE PEDRA
Há gente que é de pedra...
Fria, grossa, pesada e rugosa.
Inanimados e comuns; petrificados.
Caindo pela vida aos bocados,
Como uma grossa argila porosa
Que se desfaz, sem bordados...
Cravam um buraco na terra
Do tamanho da sua espera;
Quieta, ausente e sem quimera.
E por aí ficam parados, absortos,
Presos nesse chão; empedrados.
Que um dia os receberá mortos,
Leves como uma pena; sepultados.
mongiardimsaraiva
Fria, grossa, pesada e rugosa.
Inanimados e comuns; petrificados.
Caindo pela vida aos bocados,
Como uma grossa argila porosa
Que se desfaz, sem bordados...
Cravam um buraco na terra
Do tamanho da sua espera;
Quieta, ausente e sem quimera.
E por aí ficam parados, absortos,
Presos nesse chão; empedrados.
Que um dia os receberá mortos,
Leves como uma pena; sepultados.
mongiardimsaraiva
3/12/2014
LIRISMO INCONFORMADO
Nesta correnteza de lirismo,
As letras escorreram frágeis
E loucas de inconformismo...
Palavras sinceras e ágeis,
Subiram e desceram versos,
Estrofes e pontos dispersos;
Num movimento sem fim
E próprio dos dias assim.
As frases estavam cheias,
De uma rima leve e doce;
Ideias que pareciam areias,
Num seco deserto precoce.
Poemas não eram dilemas,
Mas marés de águas ligeiras
Em busca de muitos temas...
mongiardimsaraiva
3/11/2014
SONO MÁGICO
Há dias em que nada acontece...
Parece que nada há para vir...
Tudo está pregado e sem fluir.
Só a solitária aranha, a teia tece.
O vento não sopra; não tem canto.
A gente não ouve o nosso pranto.
As folhas deslizam sem emoção;
Não há tristezas, nem comoção.
Há apenas um arrastar nostálgico
Que acompanha o uso do tempo...
O fim do dia transparece trágico;
Num rouco e pesado lamento...
Criaturas adormecem ao relento,
Sonham e rezam; sono mágico...
mongiardimsaraiva
Parece que nada há para vir...
Tudo está pregado e sem fluir.
Só a solitária aranha, a teia tece.
O vento não sopra; não tem canto.
A gente não ouve o nosso pranto.
As folhas deslizam sem emoção;
Não há tristezas, nem comoção.
Há apenas um arrastar nostálgico
Que acompanha o uso do tempo...
O fim do dia transparece trágico;
Num rouco e pesado lamento...
Criaturas adormecem ao relento,
Sonham e rezam; sono mágico...
mongiardimsaraiva
3/10/2014
ESPERA
A espera, quis esperar por mim...
Segredou-me que a vida é assim.
Aprender a aguardar; poder respirar.
Sentir um grande mundo a palpitar.
Escutar as vozes que cantam no mar.
Admirar os seres que moram nos céus.
Suportar as dores; descobrir os véus.
Ter tempo para adormecer e sonhar.
Brincar com quimeras e tristezas vãs.
Esperar sempre por quem nos espera
E ser aguardado por esperanças sãs.
mongiardimsaraiva
3/03/2014
UMA BELEZA TRISTE
Toda a tristeza encerra em si algo de belo. Uma beleza triste, que serve e invoca a natureza...
mongiardimsaraiva
mongiardimsaraiva
3/02/2014
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