Muita saudade
Da nossa dança
Dos dias sem idade
Dos beijos de esperança
Sou o teu pai com amor
Mesmo ausente e incolor
Abraço-te sem aí estar
Na idade da tua flor
mongiardimsaraiva
(para Maria Laura)
7/30/2015
7/11/2015
LISBOA
Lisboa menina dos meus olhos
Sentada a olhar o berço do Tejo
Lágrimas que escorrem pela face
Sal e alface por entre as ameias
Luzes serenas no castelo de areia
Serás sempre a mais bela raínha
Dessa foz até às ondas do Bugio
Estarei contigo sem seres minha
Nessa saudade e no meu arrepio
mongiardimsaraiva
Sentada a olhar o berço do Tejo
Lágrimas que escorrem pela face
Sal e alface por entre as ameias
Luzes serenas no castelo de areia
Serás sempre a mais bela raínha
Dessa foz até às ondas do Bugio
Estarei contigo sem seres minha
Nessa saudade e no meu arrepio
mongiardimsaraiva
6/24/2015
O RUÍDO DO SILÊNCIO
Ouço ruídos no teu silêncio
Uma voz que agora se cala
Sinto-te só na tristeza rala
Prostrada e caída num poço
Água suja densa e estagnada
Humedecendo a tua entrada
Criando musgos sem esboço
Paredes estéreis e sem nada
Sem permitir os raios de luz
Conduzem o sol à tua morada
Aquecem-te os pés numa cruz
Deixam-me sozinho sem fala
Morto sem a fé que me conduz
mongiardimsaraiva
Uma voz que agora se cala
Sinto-te só na tristeza rala
Prostrada e caída num poço
Água suja densa e estagnada
Humedecendo a tua entrada
Criando musgos sem esboço
Paredes estéreis e sem nada
Sem permitir os raios de luz
Conduzem o sol à tua morada
Aquecem-te os pés numa cruz
Deixam-me sozinho sem fala
Morto sem a fé que me conduz
mongiardimsaraiva
6/15/2015
O CIÚME
O ciúme é capaz de nos cegar e contribuir decisivamente para apagar a luz do nosso precário discernimento...
mongiardimsaraiva
mongiardimsaraiva
5/19/2015
ABRAÇO ANIMAL
Quis abraçar a besta
Há muito que a procurava
Brava pujante e sem fala
Uma criatura da natureza
Certeza e alteza perpetuava
Senti-lhe o cheiro nos sovacos
Húmidos molhados e opacos
A nossa carne gemeu e roncou
Pelo sangue que ali borbulhava
Nesse abraço que nos escapava
Éramos uma só besta delirante
Distante amante e apaziguada
Sorrimos até não haver mais nada
Queríamos morrer nesse abraço
Profundo nobre e desconcertante
Como duas bestas passo a passo
mongiardimsaraiva
![]() |
| abraço animal - Carlos Saraiva - arte digital - 2015 |
Brava pujante e sem fala
Uma criatura da natureza
Certeza e alteza perpetuava
Senti-lhe o cheiro nos sovacos
Húmidos molhados e opacos
A nossa carne gemeu e roncou
Pelo sangue que ali borbulhava
Nesse abraço que nos escapava
Éramos uma só besta delirante
Distante amante e apaziguada
Sorrimos até não haver mais nada
Queríamos morrer nesse abraço
Profundo nobre e desconcertante
Como duas bestas passo a passo
mongiardimsaraiva
5/09/2015
DE TI...
Dedico-a inteiramente a ti
Que me olhaste e recebeste
Sem teres visto o que eu sou
O teu encanto sol me chamou
Numa verdade só do teu rosto
Sem maldade e maus terjeitos
O encanto fica em nosso canto
Sentado no meu colo e no peito
Quero silenciar no teu desejo
Ser pássaro com asas de ti
mongiardimsaraiva
Que me olhaste e recebeste
Sem teres visto o que eu sou
O teu encanto sol me chamou
Numa verdade só do teu rosto
Sem maldade e maus terjeitos
O encanto fica em nosso canto
Sentado no meu colo e no peito
Quero silenciar no teu desejo
Ser pássaro com asas de ti
mongiardimsaraiva
5/02/2015
COVAS RASAS
Tudo é bruma inconsistente
Há castelos ocultos em areia
Uma teia quadrada está latente
A vida cai numa lágrima cheia
Que rola nas faces sem expressão
Uma mão que nunca está cheia
Do sangue e da carne sem perdão
Não existe o milagre dos pães
Mães destroçadas no sofrimento
Morrem aos poucos sublimadas
Enterram filhos em covas rasas
Que exalam o fogo das brasas
mongiardimsaraiva
Há castelos ocultos em areia
Uma teia quadrada está latente
A vida cai numa lágrima cheia
Que rola nas faces sem expressão
Uma mão que nunca está cheia
Do sangue e da carne sem perdão
Não existe o milagre dos pães
Mães destroçadas no sofrimento
Morrem aos poucos sublimadas
Enterram filhos em covas rasas
Que exalam o fogo das brasas
mongiardimsaraiva
4/24/2015
PAIXÃO
Um rasgão escancarado no peito
Coração vermelho inchado e pulsante
Vísceras que choram a dor no leito
Lágrimas escorrem no sal contagiante
A paixão é esse animal desconcertante
Que agride sentimentos e o conceito
Sem perguntar o que sente e garante
mongiardimsaraiva
| Paixão - óleo s/tela - Carlos Saraiva |
Vísceras que choram a dor no leito
Lágrimas escorrem no sal contagiante
A paixão é esse animal desconcertante
Que agride sentimentos e o conceito
Sem perguntar o que sente e garante
mongiardimsaraiva
4/21/2015
MARLY SOBRE TELA
Ela pintava acordes de ternura
Desenvoltura carinho e aconchego
Desenhava campos de semeadura
Com verde e terra com sossego
Céus claros tranquilos e sem estrelas
Ervas vermelhas campos de verdura
Matizados em tons crus e instigantes
Com a força de um culto que dura
Fiquei preplexo ao vê-la deliciada
Nesse campo em que só ela corria
Lembrei-me que a conhecera um dia
Claramente e após uma noite fria
mongiardimsaraiva
Desenvoltura carinho e aconchego
Desenhava campos de semeadura
Com verde e terra com sossego
Céus claros tranquilos e sem estrelas
Ervas vermelhas campos de verdura
Matizados em tons crus e instigantes
Com a força de um culto que dura
Fiquei preplexo ao vê-la deliciada
Nesse campo em que só ela corria
Lembrei-me que a conhecera um dia
Claramente e após uma noite fria
mongiardimsaraiva
4/17/2015
NAU À DERIVA
Nau à deriva
Rota sem rumo
Prumo sem esquiva
Barcaça sem a frota
Águas cálidas e paradas
Cheiro de nafta e a crude
Palidez sem sol e atitude
Ranger de madeiras grogues
Que se espreguiçam e riem
Por piedade não me afogues
Peregrina sem eira nem beira
Levada no tropeço da corrente
Flutuo dormente e consternada
Sou sentinela do meu presente
Durmo na bruma do meu nada
mongiardimsaraiva
Rota sem rumo
Prumo sem esquiva
Barcaça sem a frota
Águas cálidas e paradas
Cheiro de nafta e a crude
Palidez sem sol e atitude
Ranger de madeiras grogues
Que se espreguiçam e riem
Por piedade não me afogues
Peregrina sem eira nem beira
Levada no tropeço da corrente
Flutuo dormente e consternada
Sou sentinela do meu presente
Durmo na bruma do meu nada
mongiardimsaraiva
4/01/2015
ESCORRO PARA O MAR
Escorro necessariamente para o mar
Amar persinto ser o meu rio serpente
Sou digno daquilo que não me mente
Verdade sublime que sorri ao chorar
Perpetuo ideias a quem não as sente
Crio imagens das saudades sem par
Estou na cruz do meu canto semente
Caranguejo oculto e sem ter mangue
Sinto sede nas gotas do meu sangue
Necessito dos abrigo no nosso estar
Quero que o amor me dispa urgente
Devore o profundo dessas entranhas
E me devolva à vida sem meu pesar
Pássaro que sobrevoa as montanhas
Avistando o rio e voando para o mar
mongiardimsaraiva
Nota do Autor: Este poema foi selecionado para ser publicado na VII Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" (Chiado Editora / Lisboa / Portugal / 2016).
Amar persinto ser o meu rio serpente
Sou digno daquilo que não me mente
Verdade sublime que sorri ao chorar
Perpetuo ideias a quem não as sente
Crio imagens das saudades sem par
Estou na cruz do meu canto semente
Caranguejo oculto e sem ter mangue
Sinto sede nas gotas do meu sangue
Necessito dos abrigo no nosso estar
Quero que o amor me dispa urgente
Devore o profundo dessas entranhas
E me devolva à vida sem meu pesar
Pássaro que sobrevoa as montanhas
Avistando o rio e voando para o mar
mongiardimsaraiva
Nota do Autor: Este poema foi selecionado para ser publicado na VII Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" (Chiado Editora / Lisboa / Portugal / 2016).
3/31/2015
MARIPOSA REAL
Negra borboleta preta e clara
No preto e no branco casada
Com asas e olhos de veludo
Cara feita de ti e do meu nada
Voa serena no meu rosto mudo
Suga-me as entranhas mais doces
Digere-as sem choro e sem dor
Percalços vividos do nosso amor
Saboreia-me e não digas nada
Sou pranto por não seres acabada
E tremor ao conduzir o meu fervor
mongiardimsaraiva
No preto e no branco casada
Com asas e olhos de veludo
Cara feita de ti e do meu nada
Voa serena no meu rosto mudo
Suga-me as entranhas mais doces
Digere-as sem choro e sem dor
Percalços vividos do nosso amor
Saboreia-me e não digas nada
Sou pranto por não seres acabada
E tremor ao conduzir o meu fervor
mongiardimsaraiva
3/27/2015
ATRAVÉS DA VIDRAÇA
Observei-te nítida pela vidraça
Alta segura imóvel e com graça
Olhos sós e preparados para o vazio
Afagaram sonhos breves e desafios
Muitas incertezas entraram no cio
Fui um passageiro louco e com frio
Que percorreu ileso essa madrugada
Senti na minha carne a longa espera
Afagada por angústias e pela quimera
Como uma esperança abençoada e sã
Nunca pensei nela como a tristeza vã
Mas como abraço certo e consagrado
Naquela só vidraça do nosso quadro
mongiardimsaraiva
Alta segura imóvel e com graça
Olhos sós e preparados para o vazio
Afagaram sonhos breves e desafios
Muitas incertezas entraram no cio
Fui um passageiro louco e com frio
Que percorreu ileso essa madrugada
Senti na minha carne a longa espera
Afagada por angústias e pela quimera
Como uma esperança abençoada e sã
Nunca pensei nela como a tristeza vã
Mas como abraço certo e consagrado
Naquela só vidraça do nosso quadro
mongiardimsaraiva
3/21/2015
DIA DA POESIA
O dia da poesia é todos os dias
Manhãs tão vazias sem maresia
Que deixam os meus dias ilhados
Sinto-me vaguear pela simpatia
Quando a minha chama não é fria
E os meus orvalhos são confinados
Dedico-te o meu louco sentimento
Atento nas coisas que não são nada
Constante isolada por esse fermento
Que cresce de noite e na madrugada
mongiardimsaraiva
Manhãs tão vazias sem maresia
Que deixam os meus dias ilhados
Sinto-me vaguear pela simpatia
Quando a minha chama não é fria
E os meus orvalhos são confinados
Dedico-te o meu louco sentimento
Atento nas coisas que não são nada
Constante isolada por esse fermento
Que cresce de noite e na madrugada
mongiardimsaraiva
MÃE
Parabéns mãe
Como ninguém
Serás sempre além
Da graça e do dom
Em que me deste raça
No teu sangue corro só
Por veias cheias e dilatadas
Sou um barco sem o teu porto
Que balança sozinho e torto
Em águas por ti consternadas
21/03/2015 - mongiardimsaraiva
Como ninguém
Serás sempre além
Da graça e do dom
Em que me deste raça
No teu sangue corro só
Por veias cheias e dilatadas
Sou um barco sem o teu porto
Que balança sozinho e torto
Em águas por ti consternadas
21/03/2015 - mongiardimsaraiva
3/02/2015
UM AMOR COMO O NOSSO
Um amor como o nosso
Quero dar-te sem medo
Encerro nesse segredo
Muitas entregas a mim
Quero que fiques assim
Mar sem medo nem fim
No fundo dos teus olhos
Avisto a calma da areia
Que reflete ri e permeia
No brilho do orvalho só
Madrugadas sem enredo
Que tardam em ser cedo
Nascer claras e ser pó
mongiardimsaraiva
Quero dar-te sem medo
Encerro nesse segredo
Muitas entregas a mim
Quero que fiques assim
Mar sem medo nem fim
No fundo dos teus olhos
Avisto a calma da areia
Que reflete ri e permeia
No brilho do orvalho só
Madrugadas sem enredo
Que tardam em ser cedo
Nascer claras e ser pó
mongiardimsaraiva
2/28/2015
MULHER-CÃO
Já fui uma bela mulher
Hoje passeio o meu cão
Pela mão e sem usar batom
No tom de Deus sou a rebelião
Um ser sem nexo sexo e tesão
Cabelos curtos e muito grisalhos
Orvalhos que quis ter sem perdão
Dura provação e entrega ao medo
Segredo e clausuras sem restrição
Quando olham para mim sou mastim
Protegida por auras santas e sem fim
No puro desejo de não existir segredo
Enredo de um cão mantido em degredo
mongiardimsaraiva
Hoje passeio o meu cão
Pela mão e sem usar batom
No tom de Deus sou a rebelião
Um ser sem nexo sexo e tesão
Cabelos curtos e muito grisalhos
Orvalhos que quis ter sem perdão
Dura provação e entrega ao medo
Segredo e clausuras sem restrição
Quando olham para mim sou mastim
Protegida por auras santas e sem fim
No puro desejo de não existir segredo
Enredo de um cão mantido em degredo
mongiardimsaraiva
2/26/2015
ÊXODO
Olhei para trás e não te vi
Saí só sem dares por isso
Não podia mais ficar aqui
Os ossos gemiam de frio
E de ausência deste corpo
Queriam a carne e o estio
No calor de um amor rouco
Agora que rio já não choro
Sou uma criatura feito louco
Farejo cheiros sós e doentios
Não quero mais viver pouco
mongiardimsaraiva
Saí só sem dares por isso
Não podia mais ficar aqui
Os ossos gemiam de frio
E de ausência deste corpo
Queriam a carne e o estio
No calor de um amor rouco
Agora que rio já não choro
Sou uma criatura feito louco
Farejo cheiros sós e doentios
Não quero mais viver pouco
mongiardimsaraiva
RECIPROCIDADE
Quero dar-te como me darias
Da mesma forma ou melhor
Amarias fazê-lo a mim de cor
Vibrantemente e com gratidão
Segurar e apertar a tua mão
Como gostarias de me sentir
Teu querido e eterno irmão
Na paz dos nossos corações
Navegarmos em naus vazias
Embriagadas pelo nosso amor
Por rumos e tempos incertos
À deriva da nossa rica cura
Mas saudosos de sermos nós
A voz do nosso apelo e ternura
mongiardimsaraiva
Da mesma forma ou melhor
Amarias fazê-lo a mim de cor
Vibrantemente e com gratidão
Segurar e apertar a tua mão
Como gostarias de me sentir
Teu querido e eterno irmão
Na paz dos nossos corações
Navegarmos em naus vazias
Embriagadas pelo nosso amor
Por rumos e tempos incertos
À deriva da nossa rica cura
Mas saudosos de sermos nós
A voz do nosso apelo e ternura
mongiardimsaraiva
2/24/2015
ESPIRITUALIDADE
Espiritualidade e conexão
A mão que toca a realidade
Da terra e do espaço vão
Uma viagem pelo infinito
Ocas partículas sem chão
Unidade pensamento e mó
Possibilidades com gabarito
Mergulho sem medo nem dó
Atalhos que levam a credos
Em galáxias e nos arvoredos
Mistura de medos sem atrito
Mágoas acesas sem candura
Rios com lama e pedra dura
Que brotam sozinhos e sós
No tempo ausente e criador
Das coisas tão presas a nós
Escorre a verdade e o fervor
Líquidos e sem o peso da dor
mongiardimsaraiva
A mão que toca a realidade
Da terra e do espaço vão
Uma viagem pelo infinito
Ocas partículas sem chão
Unidade pensamento e mó
Possibilidades com gabarito
Mergulho sem medo nem dó
Atalhos que levam a credos
Em galáxias e nos arvoredos
Mistura de medos sem atrito
Mágoas acesas sem candura
Rios com lama e pedra dura
Que brotam sozinhos e sós
No tempo ausente e criador
Das coisas tão presas a nós
Escorre a verdade e o fervor
Líquidos e sem o peso da dor
mongiardimsaraiva
Assinar:
Comentários (Atom)
Destaque
o pastor (poema selecionado) 2019
Um tributo ao poeta Fernando Pessoa (Alberto Caeiro / O Guardador de Rebanhos)
-
Há gente que é de pedra... Fria, grossa, pesada e rugosa. Inanimados e comuns; petrificados. Caindo pela ...
-
Gigantes sobrevoam o céu, Enrolados em puro algodão. Seguram um expesso véu; Engolem, sem pedir perdão. O leito ...

















