Escorro necessariamente para o mar
Amar persinto ser o meu rio serpente
Sou digno daquilo que não me mente
Verdade sublime que sorri ao chorar
Perpetuo ideias a quem não as sente
Crio imagens das saudades sem par
Estou na cruz do meu canto semente
Caranguejo oculto e sem ter mangue
Sinto sede nas gotas do meu sangue
Necessito dos abrigo no nosso estar
Quero que o amor me dispa urgente
Devore o profundo dessas entranhas
E me devolva à vida sem meu pesar
Pássaro que sobrevoa as montanhas
Avistando o rio e voando para o mar
mongiardimsaraiva
Nota do Autor: Este poema foi selecionado para ser publicado na VII Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" (Chiado Editora / Lisboa / Portugal / 2016).