Sou muito crítico, eu sei...
Exijo mais do que aquilo que dou.
Filtro a guerra e os descompassos,
As incertezas e os embaraços...
Sei que a alegria não me perdoou.
Mas não lamento aquilo que eu sou.
Procuro na lembrança o que chorei;
Pedaços recortados e alienados,
Sublimados pelo que hoje eu sei...
Resisto às pragas, aos finados,
Aos agoiros e às matanças.
Sinto-me engessado e sem esperança.
Critico tudo o que não sei...
Às vezes, tenho vontade de dormir,
Mas não um sono frágil e reparador.
Queria poder mergulhar mais fundo;
Nas entranhas de um outro mundo,
Sem tristezas para sentir...
Na minha fantasia recrio o amor;
Um amor indolor e fecundo.
Sou asas sem ter céu...
Apenas um crítico moribundo.
Na morte abraço a minha dor...
mongiardimsaraiva
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