6/23/2017

O SABER

Antigamente, sabíamos para saber!                                  
Para poder ler, escrever e saber dizer.
Se não soubéssemos, não nos deixavam ser;
Estudantes que não queriam aprender.
Repetíamos para poder crescer,
Para um dia, podermos vir a ser.
Hoje, ninguém mais sabe do saber...
Tudo gira em volta do poder,
Dos números forjados a esconder.
De interesses que ocultam o nosso ser.
Pequenas rodas de conveniência em ter.
Pobres crianças iludidas pelo lazer!
Professores que fingem esquecer
Que um dia já ensinaram o saber...
E o que podemos então fazer,
Arrastados e nus sem querer,
Se nunca iremos saber?

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)




6/08/2017

PANGEIA

gosto do teu cheiro                                                                  
ouso entrar no teu segredo
sou aquela sombra que chega primeiro
para deixar-te na penumbra desse enredo
trago-te sempre o calor dos meus beijos                      
molhados pelo frescor das águas que passam
quando te abraço sinto a dor no meu peito
um leito que me amarra à correnteza
natureza da nossa certeza acesa
gemidos e sussurros que nos escapam
somos assim um para o outro
pangeias que agregam e desagregam
mundos que nos apertam e escapam
pedaços de corpos que se pertencem
fomos lançados num abraço a sós
na vida intensa e cheia de mistério
quem nos entregou sabia de nós
dos segredos do mar alto e fundo
viajei um dia na cauda de uma sereia
que me transportou no som da tua voz
mal sabia que o destino era a pangeia
algoz do nosso amor doce e profundo

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)

























6/02/2017

CAÓTICA

assisto perplexo ao confinar do caos                      
sou parte desse lixo que me polui
sou uma frágil membrana que resiste
e insiste em ser apenas o que não fui
lastimo a presença de muitos deuses
numa jangada feita de madeira podre
que balança nas ondas sem corrente
sou a descolorida poesia que mente
em espasmos contidos e sem cor
insisto em me tornar como um odre
inchado e amparado pela flutuação
apenas observo os escolhos do rio
mudo no afeto e surdo pelo canhão
sou puro sarcasmo no meu vazio
a foz desse rio foi feita para mim
santuário dos dejetos que eu lanço
no abraço do mar quero me tornar
uma coisa solta leve e não caótica
apenas amparado por marés vivas
nos percalços da lua do meu par

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)

   
 

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Um tributo ao poeta Fernando Pessoa (Alberto Caeiro / O Guardador de Rebanhos)