somente o infinito para me guiar
sem margens paragens e descompassos
um caminho sem estradas para cruzar
nos abraços que teimei em não dar
nos beijos que transformei em laços
certezas que ficaram para me guiar
tudo se esvaiu por essa terra solta
sinto que os poros se fecharam
nada mais me faz lembrar de mim
sou apenas poeira decantada pelo ar
restos desse ser dão-me a última voz
num sibilar rente às nuvens brancas
infinitamente nutrido e só esvoaço
parcas partículas agregadas ao pó
não consigo mais olhar para trás
sinto-me suspirar infinito e incerto
é tarde para não querer voar
sou agora o mito da minha natureza
pertenço às regiões desabitadas
onde os abismos acolhem os deuses
peregrino de toda uma fé tamanha
vejo água e luz por toda a parte
por cima do sol nessa montanha
mongiardimsaraiva
3/23/2018
3/05/2018
A HISTÓRIA DE UM CABELO
O cabelo perdeu a cabeça
E voou pela janela da sala.
Subiu muito como uma bala
E avistou uma nuvem espessa.
Estava livre dos outros cabelos.
Queria ficar para sempre no ar,
Longe de uma vida amarrada,
Complicada e penteada
Sem se preocupar em ser belo.
Dentro da nuvem ele podia sorrir,
Ondular-se e espreguiçar-se.
Dançar ao som do vento,
Apesar de ninguém o ver.
Nunca tinha pensado em voar.
Deixara de ser um fio de cabelo
E ganhara asas descabeladas,
Puras e sedosas de encantar.
Mas de repente sentiu um vazio;
A nuvem já não estava mais lá.
Tinha voado para outra dimensão
E ele não tinha dado por isso.
Conseguiu mesmo assim flutuar,
Ao pairar por algum tempo devagar.
Mas apesar de ter asas, começou a descer.
Por baixo do seu corpo só tinha o mar,
Mar azul salpicado de espuma branca.
Nessa imensidão não podia entrar...
Onde estavam os outros para o ajudar?
Não havia mais cabelos para vislumbrar.
Tudo parecia ter de acabar por ali.
Quando sentiu o frio das águas, soluçou.
A sua vida estava prestes a morrer.
Só um milagre poderia salvá-lo,
Como naquele dia em que voou.
Mas não tinha mais a sua cabeça.
Era preciso chamar logo o vento
Que o escutou e veio de rajada.
Sentiu-se rodopiar no nada
E começou a subir muito veloz,
Como uma pluma sem distância.
Estava na sela de um tornado,
Agradecido aos deuses desse ar.
Era de novo um lindo cabelo,
Envolto em fúrias para amar.
Subiu para nunca mais descer,
Aninhado no seu algodão branco,
Como um anjo predestinado
Que quis escapar ao pecado,
Em voo seguro para nascer...
mongiardimsaraiva
E voou pela janela da sala.
Subiu muito como uma bala
E avistou uma nuvem espessa.
Estava livre dos outros cabelos.
Queria ficar para sempre no ar,
Longe de uma vida amarrada,
Complicada e penteada
Sem se preocupar em ser belo.
Dentro da nuvem ele podia sorrir,
Ondular-se e espreguiçar-se.
Dançar ao som do vento,
Apesar de ninguém o ver.
Nunca tinha pensado em voar.
Deixara de ser um fio de cabelo
E ganhara asas descabeladas,
Puras e sedosas de encantar.
Mas de repente sentiu um vazio;
A nuvem já não estava mais lá.
Tinha voado para outra dimensão
E ele não tinha dado por isso.
Conseguiu mesmo assim flutuar,
Ao pairar por algum tempo devagar.
Mas apesar de ter asas, começou a descer.
Por baixo do seu corpo só tinha o mar,
Mar azul salpicado de espuma branca.
Nessa imensidão não podia entrar...
Onde estavam os outros para o ajudar?
Não havia mais cabelos para vislumbrar.
Tudo parecia ter de acabar por ali.
Quando sentiu o frio das águas, soluçou.
A sua vida estava prestes a morrer.
Só um milagre poderia salvá-lo,
Como naquele dia em que voou.
Mas não tinha mais a sua cabeça.
Era preciso chamar logo o vento
Que o escutou e veio de rajada.
Sentiu-se rodopiar no nada
E começou a subir muito veloz,
Como uma pluma sem distância.
Estava na sela de um tornado,
Agradecido aos deuses desse ar.
Era de novo um lindo cabelo,
Envolto em fúrias para amar.
Subiu para nunca mais descer,
Aninhado no seu algodão branco,
Como um anjo predestinado
Que quis escapar ao pecado,
Em voo seguro para nascer...
mongiardimsaraiva
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