só vejo letras e borboletas
tudo o resto eu quis esquecer
por isso não quero mais ver
só lembrar que não quero ser
sou o canto do rio que passa
montanha escura sem gemer
quero ser o tempo com graça
escutar no eco o meu viver
às asas atribuo a minha raça
ao voo a minha ronda final
desnudo-me entre sois e luas
aqueço-me no colo da brisa
e adormeço essas tristezas
estarrecido sou o compasso
das músicas sós da floresta
aquilo que sou é das estrelas
encantado no meu espaço
resisto a essa loucura assim
sou borboleta e sou regaço
sou um caçador de mim
mongiardimsaraiva
5/21/2018
5/19/2018
AO MAR OFEREÇO A MINHA CURA!
Atraído pelo som do mar,
Entrei no segredo de uma concha,
Como um náufrago encorajado
Que avista terra junto ao céu.
Ao deslizar pela espiral sem fim,
Onde os sons eram ecos de mim,
Às cambalhotas, rodopiei subjugado,
Sugado e amparado pelas delícias.
Estava mais perto de ser coroado;
Sentir graça no mergulho e nas carícias.
Estava leve como uma pluma certeira
E viajava na garupa do meu alazão;
Cheio de vontade era brisa e era chão.
Por entre lugares e frestas sem beira,
Aproximei-me mais do som da água.
Ouvia gritos e clamores no oceano,
Soberano, no fim dos meus confins.
Senti sede, angústia e pura magia;
Vi a água límpida naquela bacia
De lágrimas e castelos de areia.
Agora sabia que não era o primeiro...
Criaturas que flutuavam embriagadas;
Gritavam o mar e riam extasiadas.
Preparei o corpo para o mergulho;
Cerrei os dentes e atirei-me num pulo.
Agora, era água e encanto.
Aos deuses oferecia a minha carne.
Era ágil como um peixe que voa;
Que buscava leve o sair das redes...
Estava no limiar da minha loucura;
Ao mar ofereci a minha cura!
mongiardimsaraiva
Entrei no segredo de uma concha,
Como um náufrago encorajado
Que avista terra junto ao céu.
Ao deslizar pela espiral sem fim,
Onde os sons eram ecos de mim,
Às cambalhotas, rodopiei subjugado,
Sugado e amparado pelas delícias.
Estava mais perto de ser coroado;
Sentir graça no mergulho e nas carícias.
Estava leve como uma pluma certeira
E viajava na garupa do meu alazão;
Cheio de vontade era brisa e era chão.
Por entre lugares e frestas sem beira,
Aproximei-me mais do som da água.
Ouvia gritos e clamores no oceano,
Soberano, no fim dos meus confins.
Senti sede, angústia e pura magia;
Vi a água límpida naquela bacia
De lágrimas e castelos de areia.
Agora sabia que não era o primeiro...
Criaturas que flutuavam embriagadas;
Gritavam o mar e riam extasiadas.
Preparei o corpo para o mergulho;
Cerrei os dentes e atirei-me num pulo.
Agora, era água e encanto.
Aos deuses oferecia a minha carne.
Era ágil como um peixe que voa;
Que buscava leve o sair das redes...
Estava no limiar da minha loucura;
Ao mar ofereci a minha cura!
mongiardimsaraiva
5/03/2018
OS POROS DO TEU SAL
sou uma relíquia inacabada
aos deuses devo a vida e a glória
sou um peregrino nessa estoica jornada
um marco antigo na nossa história
ao eterno lanço a minha proa
caravela livre em mar agitado
sou nas ondas um peixe que voa
às marés confio todo o meu fado
quero esfumar-me nesse horizonte
como nuvem branca sem juízo
pertencer ao céu atrás de um monte
chegar fácil sem nenhum aviso
quando suspirar o pranto final
estarei nos teus braços meu amor
como teu servo de valor sem igual
em teu colo remarei contra a dor
serei mar nos poros do teu sal
aos deuses devo a vida e a glória
sou um peregrino nessa estoica jornada
um marco antigo na nossa história
ao eterno lanço a minha proa
caravela livre em mar agitado
sou nas ondas um peixe que voa
às marés confio todo o meu fado
quero esfumar-me nesse horizonte
como nuvem branca sem juízo
pertencer ao céu atrás de um monte
chegar fácil sem nenhum aviso
quando suspirar o pranto final
estarei nos teus braços meu amor
como teu servo de valor sem igual
em teu colo remarei contra a dor
serei mar nos poros do teu sal
mongiardimsaraiva
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