1/31/2020

Ode à genialidade













não deixe o seu gênio encarcerado
nas masmorras frias e desconcertantes
não se esconda na selva social degradante
que o quer sem voz pálido e anulado
não se baste como um boneco só e articulado
deixe que a sua genialidade faça estragos
e lhe traga um cariz de verdade verdadeira
ouse capitanear o seu navio em águas desgovernadas
ouça o rugir das águas que estalam no cavername
e receba os salpicos das ondas poderosas no casco
abra os braços e sorria para o grasnar das gaivotas
seja terra e porto seguro para aqueles que o procuram
deixe-os levar um pouco daquilo que o faz diferente
nos tons do seu sentimento e na pureza do olhar
nunca deixe ninguém comandar o seu barco
ele é seu e está a si destinado e acorrentado
atreva-se a desejar o que de melhor tem a vida
ofereça-se à experiência de exibir a sua arte
e não se deixe morrer nunca sem mostrar genialidade
à vida ofereça o que de melhor existe em si
tenha muita coragem grite e solte as amarras
há sempre alguém que o espera na outra margem
pronto para abraçá-lo e levá-lo para casa
não tenha medo de perder a sua outra imagem
decente e condizente com o orgulho social
a vida são dois dias e o seu gênio é imortal


Mongiardim Saraiva

1/22/2020

Fantasia em sépia





















Quando abracei esse homem sem rosto,
Senti no seu raro perfume o meu tempo voltar;
De mulher bela e envolvida por um doce amar,
Nos braços quentes e ardentes desse encosto.
Imagens nuas em sépia fizeram-me transpirar
Por querer que nesse abraço pudesse sonhar.
Hoje sou uma mulher madura e realizada.
Aos devaneios devo a minha obra prima,
Encantada pela luz daquela madrugada
Que teima em me beijar no calor desta rima.

Mongiardim Saraiva


1/19/2020

Língua Portuguesa















Porque estou longe dela (pátria),
Mas carrego no peito o que ela me ensinou;
Palavras que são como abraços ou adagas
Que cravei na carne,
Na saudade daquilo que sou...


Mongiardim Saraiva

1/16/2020

Carta de Amor













Minha bela e doce amada,


A inspiração nua e crua provém de ti, ó Lua!


Quando saio pela rua, olho as casas, o céu e as pessoas. Mas à noite, só tenho olhos para ti, minha Lua. Na linda forma redonda, brilhante e só tua. Quando sorris para mim com malícia e me convidas, peço-te as carícias e os belos raios da tua essência.


Mandas-me um beijo e observas-me de longe, com paciência.
Quero sempre que desças e sonho convidar-te para um passeio. Mas quando te aproximas, olho-te curioso, apaixonado e com receio, já com saudades da tua ausência e radiante pela tua presença.


Vou levar-te para morar numa casa, longe e abandonada, onde possamos namorar em versos e estrofes do nada. Onde só tu e eu criaremos imagens e frases aladas.


E um dia voaremos juntos, pelo céu de muitas luas. Ficaremos íntimos e carentes, no brilho do teu luar. Anunciaremos então e por fim ao mundo, o dia em que iremos casar.


Do teu amoroso, ardente e eterno apaixonado,



Mongiardim Saraiva










Destaque

o pastor (poema selecionado) 2019

Um tributo ao poeta Fernando Pessoa (Alberto Caeiro / O Guardador de Rebanhos)