4/27/2019



mesmo confinado às profundezas abissais
por vezes lanço mão do meu periscópio
um olho apontado a tantos olhos normais
envoltos por uma cortina no denso ópio
dentro do meu submarino aguardo pelo sol
apesar de não poder senti-lo nem abraçá-lo
sou refém dessa claridade tímida e velada
E estou imerso nas águas sem um farol
qualquer clareza é uma lua dentro de mim
apontada ao espaço de muitas estrelas
quando avisto alguém recolhido assim
apetece-me chamá-lo e acolhê-lo
no frio do meu barco só e desatracado
divido a minha paz com as medusas
e sinto-as rejubilar no meu horizonte 
em movimentos esbeltos e educados 
às vezes sou apenas como uma concha 
bivalve e entreaberta que respira 
pressinto cada onda que me atira
ao mar consternado do meu fado

mongiardimsaraiva










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