
11/30/2019
11/18/2019
Cão que ladra não morde
só te ouço ladrar
bradar um uivo sem par
morder que é bom
não é o teu dom
a tua arma são as arruaças
badernas que usas de cor
em praças de muitas raças
que fingem morrer de amor
queres uma vida bem melhor
mas só pensas em reclamar
daqueles que te ousam calar
por que não cerras os dentes
de branco vil ensanguentado
e não usas a tua louca mente
para morder o teu próprio rabo
"cão que ladra não morde"
sempre ouvi o meu pai dizer
se for verdade vais enlouquecer
aos poucos parado e ilhado
só te resta seguir a matilha
que cospe um fel açucarado
Mongiardim Saraiva
11/11/2019
Brado retumbante
soltaram-no(s)
repentinamente
nas nossas barbas
de molho inocentes
até quando sorriremos
apenas para disfarçar
a nossa vil tristeza
da alegria que mente
ó povo embrutecido
que se ignora presente
é hora de nos cuidarmos
como a quem se quer
e não deixarmos soltar
quem solto nos quer presos
onde estão vocês agora
entristecidos e enganados
agitai-vos no vosso trono
feito de lama e de fuligem
trazei o vosso respeito à tona
e imaginai uma pátria virgem
desflorada pela luz de um sonho
não percais a calma e a alma
segurai a vossa bandeira firme
serrai os dentes bradai e repudiai
a nossa casa é um templo sagrado
o lugar de um bandido é na prisão
empunhai a espada do ardor inusitado
mesmo que a lança corte a tua mão
Mongiardim Saraiva
11/05/2019
Brado de guerra
às vezes é melhor passar pela guerra
apesar da injustiça e das matanças
o horizonte abre-se com uma serra
e apagam-se os nós e as heranças
só de paz não vive o homem de bem
que teima em manter-se amargurado
é preciso acabar com o que é ditado
em versos que não abonem a glória
em letras fundas e cruas ser o brado
mudar o caos vazio e desfigurado
para que uma nova raça seja gerada
um povo que morre não tem história
apenas vive de uma lembrança ilhada
caminha na escuridão sem ter memória
segura na boca uma mordaça apertada
Mongiardim Saraiva
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