7/18/2022

O rugido do tempo

O tempo urge e ruge

Como um lobo faminto

Minto se ignoro como o sinto

As suas presas enterradas

No vazio da minha carne

Trêmula e de cor branca

Agulhas ensanguentadas

Que me perfuram sem dor

Na minha corrida pela sorte

Sou como uma bala perdida

Aos ziguezagues e sem norte

Morte serena e escondida

Sacio a minha sede louca 

Na água turva das fontes 

Que me lava a garganta rouca

Tento ser como um deles

Mas não consigo correr

Estou na floresta escura

Turva sombra do meu ser

Tropeço na minha bravura

Uso a minha lança dura

Sei que tenho de morrer 


Mongiardim Saraiva 


 

 

 

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