Quero encontrar o meu alimento
Procurar sustentos que não tenho
Estou perdido no meio do rebanho
Sinto o gelo molhado da montanha
O frio corta-me todas as entranhas
Sou apenas a carne exposta e crua
Expulsaram-me sem dó da minha rua
A verdade obriga-me a ser verdade
E a procurar o alimento nas estrelas
Sustentar a matéria à luz das velas
Improvisar hinos e canções de glória
Renunciarei amargo à minha história
Serei um arauto de outras certezas
Não pedirei dinheiro às sociedades
Procurarei as ideias e as saudades
Como um espírito que vive do Amor
Das contemplações sem sentir dor
mongiardimsaraiva
8/11/2014
7/20/2014
VERSOS SOLTOS
Escuto os sons cristalinos
Música expansiva dos sinos
Mente sagaz contemplativa
Leituras breves e precisas
Viagens aladas e sem volta
Idas marcadas sem revolta
Paisagens eleitas no espaço
Nos braços do eco do som
Meu profundo e amigo tom
Abro as asas e me comovo
Sou um pássaro desse chão
Subo ao céu do meu perdão
Quero ser uma estrela acesa
Acima da terra e da riqueza
Energias ligam-me à mente
Semente da minha natureza
Sou teu espaço para sempre
Aqui neste repente presente
mongiardimsaraiva
Música expansiva dos sinos
Mente sagaz contemplativa
Leituras breves e precisas
Viagens aladas e sem volta
Idas marcadas sem revolta
Paisagens eleitas no espaço
Nos braços do eco do som
Meu profundo e amigo tom
Abro as asas e me comovo
Sou um pássaro desse chão
Subo ao céu do meu perdão
Quero ser uma estrela acesa
Acima da terra e da riqueza
Energias ligam-me à mente
Semente da minha natureza
Sou teu espaço para sempre
Aqui neste repente presente
mongiardimsaraiva
7/19/2014
ROTINAS
O regresso à dura rotina,
Nas formas categóricas
Do arrastado rame rame,
Que todos dizem infame.
Sem belezas eufóricas,
Acorrentadas na ilusão;
Escravizada a sugestão.
Dependemos de rotinas;
Das órbitas e das marés.
A energia vem do pulsar,
Do andar dos nossos pés.
Assim sou rotineiramente,
Rotina que não quer ser.
Que teima em desprezar,
Nossa rotina permanente.
mongiardimsaraiva
Nas formas categóricas
Do arrastado rame rame,
Que todos dizem infame.
Sem belezas eufóricas,
Acorrentadas na ilusão;
Escravizada a sugestão.
Dependemos de rotinas;
Das órbitas e das marés.
A energia vem do pulsar,
Do andar dos nossos pés.
Assim sou rotineiramente,
Rotina que não quer ser.
Que teima em desprezar,
Nossa rotina permanente.
mongiardimsaraiva
7/17/2014
NO LIMIAR
Estou no limiar da espera,
Que me espera sem pesar.
Ainda respiro o ar devagar
E sinto a madrugada fria.
Uma língua de terra vazia,
Sem árvores e sem flores,
Limita a minha empatia;
Íngua dos meus amores,
Sozinha e sem as dores.
O tempo cerca-me agora,
Sem máscaras e anseios.
Quer mandar-me embora,
Pela bruma e sem rodeios.
Mudo, resisto às esperas
Sem ponderar os receios.
Apesar do pouco que veja,
Quero sentir nessa quimera,
Uma só fantasia que seja...
mongiardimsaraiva
Que me espera sem pesar.
Ainda respiro o ar devagar
E sinto a madrugada fria.
Uma língua de terra vazia,
Sem árvores e sem flores,
Limita a minha empatia;
Íngua dos meus amores,
Sozinha e sem as dores.
O tempo cerca-me agora,
Sem máscaras e anseios.
Quer mandar-me embora,
Pela bruma e sem rodeios.
Mudo, resisto às esperas
Sem ponderar os receios.
Apesar do pouco que veja,
Quero sentir nessa quimera,
Uma só fantasia que seja...
mongiardimsaraiva
7/11/2014
MARIPOSA
Abri a minha carta...
Havia uma borboleta
Morta e seca, sem cor.
No papel manchado,
O desenho do pólen
Das asas de uma dor.
Quem assim a enviou,
Sofreu no duro amor
A saudade que ficou.
Agradeço-te meu pai,
Essa doce lembrança
Com asas de condor.
Deixaste-a suspensa
Para sempre em mim,
Mariposa morta e viva,
Musa do meu jardim...
mongiardimsaraiva
Morta e seca, sem cor.
No papel manchado,
O desenho do pólen
Das asas de uma dor.
Quem assim a enviou,
Sofreu no duro amor
A saudade que ficou.
Agradeço-te meu pai,
Essa doce lembrança
Com asas de condor.
Deixaste-a suspensa
Para sempre em mim,
Mariposa morta e viva,
Musa do meu jardim...
mongiardimsaraiva
DESUMANIZAÇÃO
Humanização perdida no tempo.
Esfumado o alento e a relação.
Não existe mais coração lento.
Tudo é rápido, vil e sangrento,
Como a guerra sem sentimento.
Efémeras batalhas entre irmãos.
Quem sobrevive a esse lamento,
Seca as suas lágrimas nas mãos
E padece do amor sem sustento.
Não há rajadas do nosso vento.
Tudo é vago, cru, seco e vão.
Pão frio, leve e sem fermento.
mongiardimsaraiva
Esfumado o alento e a relação.
Não existe mais coração lento.
Tudo é rápido, vil e sangrento,
Como a guerra sem sentimento.
Efémeras batalhas entre irmãos.
Quem sobrevive a esse lamento,
Seca as suas lágrimas nas mãos
E padece do amor sem sustento.
Não há rajadas do nosso vento.
Tudo é vago, cru, seco e vão.
Pão frio, leve e sem fermento.
mongiardimsaraiva
7/08/2014
DESTROÇOS
A falta de profundidade,
Encalha todos os corpos
Na areia fina e movediça
Que arrasta sem piedade,
Esconde, suja e enfeitiça...
No lodo estão os destroços
Da nossa barcaça perdida,
Que jaz sem cor de justiça.
Quem mergulhar os ossos
No frio cruel da despedida,
Verá uma pérola escondida,
Brilhante, pura e radiante;
Carente dos destroços...
mongiardimsaraiva
Encalha todos os corpos
Na areia fina e movediça
Que arrasta sem piedade,
Esconde, suja e enfeitiça...
No lodo estão os destroços
Da nossa barcaça perdida,
Que jaz sem cor de justiça.
Quem mergulhar os ossos
No frio cruel da despedida,
Verá uma pérola escondida,
Brilhante, pura e radiante;
Carente dos destroços...
mongiardimsaraiva
7/07/2014
CÉUS E CURAS
Os dias são todos iguais;
Pardais que só esvoaçam
Em bandos sós e desiguais.
Céu que teima em ser azul,
De norte a sul; sem nuvem.
Noites escuras que rugem
E encerram a madrugada.
Não vejo luzes; só cruzes,
Nessa terra sem mutação.
A oração não toca o céu;
Arrasta-se sem compasso.
À deriva e passo a passo.
Quando chegar a chuva,
O céu poderá escurecer
E abrigar a noite madura.
Os dias trarão essa cura
E mais um sopro do viver.
mongiardimsaraiva
Pardais que só esvoaçam
Em bandos sós e desiguais.
Céu que teima em ser azul,
De norte a sul; sem nuvem.
Noites escuras que rugem
E encerram a madrugada.
Não vejo luzes; só cruzes,
Nessa terra sem mutação.
A oração não toca o céu;
Arrasta-se sem compasso.
À deriva e passo a passo.
Quando chegar a chuva,
O céu poderá escurecer
E abrigar a noite madura.
Os dias trarão essa cura
E mais um sopro do viver.
mongiardimsaraiva
6/24/2014
FIO AGONIZANTE
Escorraçado e sem limite,
Um só fio, escorre isolado.
Quase parado; agonizante.
Águas podres sem nascente,
Perpetuam o caos delirante.
Uma reserva escassa e pura,
Quer beijar o nosso campo.
O pranto acenderá a chama;
Laços perdidos e sem cura.
Pó, transformado em lama,
Deitando-nos nessa cama
De mortalha fria e escura.
mongiardimsaraiva
Um só fio, escorre isolado.
Quase parado; agonizante.
Águas podres sem nascente,
Perpetuam o caos delirante.
Uma reserva escassa e pura,
Quer beijar o nosso campo.
O pranto acenderá a chama;
Laços perdidos e sem cura.
Pó, transformado em lama,
Deitando-nos nessa cama
De mortalha fria e escura.
mongiardimsaraiva
6/15/2014
O VOO DO ALBATROZ
O teu talento é o teu sustento...
Envolve o teu ser de sentimento
E transforma-te em energia cintilante,
Constante e eternizada pelo teu saber...
Que não te deixa morrer e te trás o viver,
Que se renova em cada detalhe dominante.
Mantem-te atento, positivo; entusiasmado,
Como um pássaro que observa a montanha
Em busca do alimento e que te acompanha,
Por vales, encostas e cumes esvoaçantes.
Quando sobrevoas a paisagem do sagrado,
Ouve-se o teu canto apaixonado; delirante.
As tuas asas sustentam-te, pleno e parado,
Como um grande albatroz divino; alucinante.
Deslizando entre correntes, brisas e rajadas
De vento e de lamento, pelas coisas paradas.
mongiardimsaraiva
Envolve o teu ser de sentimento
E transforma-te em energia cintilante,
Constante e eternizada pelo teu saber...
Que não te deixa morrer e te trás o viver,
Que se renova em cada detalhe dominante.
Mantem-te atento, positivo; entusiasmado,
Como um pássaro que observa a montanha
Em busca do alimento e que te acompanha,
Por vales, encostas e cumes esvoaçantes.
Quando sobrevoas a paisagem do sagrado,
Ouve-se o teu canto apaixonado; delirante.
As tuas asas sustentam-te, pleno e parado,
Como um grande albatroz divino; alucinante.
Deslizando entre correntes, brisas e rajadas
De vento e de lamento, pelas coisas paradas.
mongiardimsaraiva
6/01/2014
FOLHA SECA
Sonhei que era uma folha seca...
E balançava na brisa, sem lamento.
Uma nau sem destino e sem vento;
Rangendo, oscilando e sem vida...
Apenas à espera de um sustento,
Que mantivesse a calma à deriva...
Tentei acordar, mas não consegui.
A folha, tinha voado para longe
E me arrastou, embevecida...
Tão longe, que no longe morri
E me tornei, uma folha sem vida.
mongiardimsaraiva
E balançava na brisa, sem lamento.
Uma nau sem destino e sem vento;
Rangendo, oscilando e sem vida...
Apenas à espera de um sustento,
Que mantivesse a calma à deriva...
Tentei acordar, mas não consegui.
A folha, tinha voado para longe
E me arrastou, embevecida...
Tão longe, que no longe morri
E me tornei, uma folha sem vida.
mongiardimsaraiva
5/31/2014
TRANSE
O sangue percorre as entranhas,
Molhadas e banhadas pelo transe.
A carne, agita-se quente e fraca,
Em estímulos vagos e imperfeitos.
Tudo é um vazio, oco e rarefeito,
Como uma vil matança, sem faca.
Alegorias de uma morte profana,
No centro de uma robusta cama
Que segura dois corpos pesados.
Sons repetidos, agudos e cavos
Ecoam das tristes paredes nuas.
Escorrem suores transfigurados,
Que exortam o cheiro das ruas...
mongiardimsaraiva
Molhadas e banhadas pelo transe.
A carne, agita-se quente e fraca,
Em estímulos vagos e imperfeitos.
Tudo é um vazio, oco e rarefeito,
Como uma vil matança, sem faca.
Alegorias de uma morte profana,
No centro de uma robusta cama
Que segura dois corpos pesados.
Sons repetidos, agudos e cavos
Ecoam das tristes paredes nuas.
Escorrem suores transfigurados,
Que exortam o cheiro das ruas...
mongiardimsaraiva
5/27/2014
ENVELHECER
No envelhecer, nasce um novo ser,
Mais pleno, ciente e aprofundado.
Tudo o que dizem do envelhecer,
Não passa de um discurso furado.
Enquanto jovens, bravos guerreiros
Ou marinheiros crus desgovernados,
Um mar de rosas se ergue em volta
E as criaturas velejam pelo infinito.
Quando a música desce o seu tom
E a claridade escurece e se apaga,
Os seres têm de cortar as amarras.
A luz, é agora o brilho das estrelas
Que os velhos observam sem ver...
Como pontos luminosos sem forma,
Numa cobertura restrita e sem céu.
Onde é permitido transcender o véu
Das coisas que flutuam, sem norma.
Tudo parece estar longe do saber;
Envelhecer, é nascer para morrer...
mongiardimsaraiva
Mais pleno, ciente e aprofundado.
Tudo o que dizem do envelhecer,
Não passa de um discurso furado.
Enquanto jovens, bravos guerreiros
Ou marinheiros crus desgovernados,
Um mar de rosas se ergue em volta
E as criaturas velejam pelo infinito.
Quando a música desce o seu tom
E a claridade escurece e se apaga,
Os seres têm de cortar as amarras.
A luz, é agora o brilho das estrelas
Que os velhos observam sem ver...
Como pontos luminosos sem forma,
Numa cobertura restrita e sem céu.
Onde é permitido transcender o véu
Das coisas que flutuam, sem norma.
Tudo parece estar longe do saber;
Envelhecer, é nascer para morrer...
mongiardimsaraiva
5/23/2014
O CAMINHO DO PARAÍSO
Agilizai-vos seres incautos...
Não tomais o mundo para vós.
Deixai a quimera ser o arauto,
Ao anunciar-vos a sua voz...
Correi sublimes e esvoaçantes.
Não percais a brisa delirante.
Procurai o horizonte semblante
E levai a palavra por nós...
Os querubins e os guardiões,
Farão soar as suas trombetas
Ao receber-vos alegres e sós,
Eternamente castos e louvados
Num só nome, perpetuados...
mongiardimsaraiva
Não tomais o mundo para vós.
Deixai a quimera ser o arauto,
Ao anunciar-vos a sua voz...
Correi sublimes e esvoaçantes.
Não percais a brisa delirante.
Procurai o horizonte semblante
E levai a palavra por nós...
Os querubins e os guardiões,
Farão soar as suas trombetas
Ao receber-vos alegres e sós,
Eternamente castos e louvados
Num só nome, perpetuados...
mongiardimsaraiva
5/22/2014
ODE AOS PORCOS
Os "porcos" chafurdam na merda,
Com ares de gente envaidecida...
Pobres, vorazes, endinheirados,
Altivos, robustos e sem filosofia...
Boca escancarada e dourada.
Riem, comem e fodem nas orgias.
Coitados dos que por ali passam,
Sem lhes render a vénia do dia...
Cabeça baixa e com vergonha,
De mostrar que nada podem,
Contra a triste e vil serventia.
Lancemos "pérolas" aos porcos,
Para que escorreguem, caiam
E percam o rumo desse norte.
Na realidade do seu chiqueiro;
A antecâmara da sua morte...
mongiardimsaraiva
Com ares de gente envaidecida...
Pobres, vorazes, endinheirados,
Altivos, robustos e sem filosofia...
Boca escancarada e dourada.
Riem, comem e fodem nas orgias.
Coitados dos que por ali passam,
Sem lhes render a vénia do dia...
Cabeça baixa e com vergonha,
De mostrar que nada podem,
Contra a triste e vil serventia.
Lancemos "pérolas" aos porcos,
Para que escorreguem, caiam
E percam o rumo desse norte.
Na realidade do seu chiqueiro;
A antecâmara da sua morte...
mongiardimsaraiva
5/20/2014
O DESPERTAR DOS MÁGICOS
A borboleta aguarda a chegada da luz,
Inflamada e acesa, numa bola de sol.
O cantar dos bichos, celebra e seduz,
Como o degustar de uma vida mole.
São ervas, folhas e troncos que riem.
Pássaros, rãs e joaninhas aos pulos.
A geada deslizou pelos ocos casulos,
Em que dormiam os insetos da noite.
O dia desperta a coragem e a magia,
Como um bom feitiço ou num açoite.
Os reflexos e as sombras se abraçam,
Por entre os canaviais da natureza.
Uma orgia de brilho, luz e fantasia,
Sacode agora a mata inteira; de dia.
mongiardimsaraiva
Inflamada e acesa, numa bola de sol.
O cantar dos bichos, celebra e seduz,
Como o degustar de uma vida mole.
São ervas, folhas e troncos que riem.
Pássaros, rãs e joaninhas aos pulos.
A geada deslizou pelos ocos casulos,
Em que dormiam os insetos da noite.
O dia desperta a coragem e a magia,
Como um bom feitiço ou num açoite.
Os reflexos e as sombras se abraçam,
Por entre os canaviais da natureza.
Uma orgia de brilho, luz e fantasia,
Sacode agora a mata inteira; de dia.
mongiardimsaraiva
5/15/2014
DESPIDO
Despido de todas as roupas,
Sentado, gelado e iluminado,
Pela luz de uma lâmpada oca,
Mantenho-me atento e ligado.
Sou aquilo que restou do fado;
Uma carne em decomposição,
Que aguarda sem ter noção.
Quero estar e não estar aqui.
Sou conflituoso e indecoroso.
A minha aparente ingenuidade,
Está estampada no meu rosto.
Não passo de mais um corpo,
Branco e trémulo que aguarda;
O destino, cansado e deposto.
mongiardimsaraiva
Sentado, gelado e iluminado,
Pela luz de uma lâmpada oca,
Mantenho-me atento e ligado.
Sou aquilo que restou do fado;
Uma carne em decomposição,
Que aguarda sem ter noção.
Quero estar e não estar aqui.
Sou conflituoso e indecoroso.
A minha aparente ingenuidade,
Está estampada no meu rosto.
Não passo de mais um corpo,
Branco e trémulo que aguarda;
O destino, cansado e deposto.
mongiardimsaraiva
5/02/2014
SENTIMENTOS
Sentimentos que vão e que não voltam,
Incomodam tudo o que está em volta
E deixam dentro, um vazio de revolta,
Num descompasso atípico sem alegria.
Incitados pela morte de mais um dia,
Assistem preplexos aos risos sem nexo
E aos requintes da crueldade sem tema.
Sentidos, nada podem sentir, senão pena.
Uma podre indecisão, criada pela letargia;
Triste mania, por se sentir impotente e fria,
Como uma gueixa obediente, só e imaculada.
Quando a toalha é jogada às feras da manada,
Sentimentos são poupados, mortos ou reprimidos,
Como pedaços de esperança, arrancados e sofridos.
mongiardimsaraiva
Incomodam tudo o que está em volta
E deixam dentro, um vazio de revolta,
Num descompasso atípico sem alegria.
Incitados pela morte de mais um dia,
Assistem preplexos aos risos sem nexo
E aos requintes da crueldade sem tema.
Sentidos, nada podem sentir, senão pena.
Uma podre indecisão, criada pela letargia;
Triste mania, por se sentir impotente e fria,
Como uma gueixa obediente, só e imaculada.
Quando a toalha é jogada às feras da manada,
Sentimentos são poupados, mortos ou reprimidos,
Como pedaços de esperança, arrancados e sofridos.
mongiardimsaraiva
4/30/2014
UM OLHAR DISTANTE
O meu olhar cerrado e distante,
Num ponto sem pontos adiante,
Cansado já segue o horizonte,
Sem linhas ou pontos achados.
A névoa cobre-me de orvalhos.
Esfria o coração desagasalhado
E lança lembranças do passado.
Queria eu poder sonhar, flutuar,
Esquecer o céu a terra e o mar
E voar sem memórias de guerra.
Percorrer o espaço numa redoma
E acordar perto de uma estrela;
Sem presente, passado e futuro.
Como um pedaço de luz eterna,
Sem corpo e carente de história.
Capaz de formar as vidas assim;
Mais certeiras e inteiras de mim.
mongiardimsaraiva
Num ponto sem pontos adiante,
Cansado já segue o horizonte,
Sem linhas ou pontos achados.
A névoa cobre-me de orvalhos.
Esfria o coração desagasalhado
E lança lembranças do passado.
Queria eu poder sonhar, flutuar,
Esquecer o céu a terra e o mar
E voar sem memórias de guerra.
Percorrer o espaço numa redoma
E acordar perto de uma estrela;
Sem presente, passado e futuro.
Como um pedaço de luz eterna,
Sem corpo e carente de história.
Capaz de formar as vidas assim;
Mais certeiras e inteiras de mim.
mongiardimsaraiva
4/23/2014
OSTRA VIVA
Uma boca despudorada,
Entreaberta e marcada,
Como um ser carente
Que pede tudo ou nada
E não fala o que sente.
Uma ostra viva e ardente
Que se recolhe e pulsa,
Em esgares contraídos,
Insanos e provocantes.
Como uma gota de limão
Que cai na carne viva
Contorcida que ri, chora,
Muda de forma e aceita;
A ferida fatal e querida,
Num beijo de mel e fel.
mongiardimsaraiva
Entreaberta e marcada,
Como um ser carente
Que pede tudo ou nada
E não fala o que sente.
Uma ostra viva e ardente
Que se recolhe e pulsa,
Em esgares contraídos,
Insanos e provocantes.
Como uma gota de limão
Que cai na carne viva
Contorcida que ri, chora,
Muda de forma e aceita;
A ferida fatal e querida,
Num beijo de mel e fel.
mongiardimsaraiva
4/22/2014
TERRA LAVRADA
Escrevo para não me desligar,
Das coisas que estão ao redor.
Quero que a única ausência,
Seja a tristeza que sei de cor.
Os horizontes vão e voltam,
Como sentinelas descrentes
Num quartel sem memórias.
E trazem o grito da revolta,
De muitos bravos inocentes,
Decadentes e sem história.
Quando a paisagem é amena,
Sinto que o viver vale a pena
E lanço o meu olhar em volta,
Do que sou e me pertence.
Sou uma estaca enterrada,
Em terra revolta e lavrada.
mongiardimsaraiva
Das coisas que estão ao redor.
Quero que a única ausência,
Seja a tristeza que sei de cor.
Os horizontes vão e voltam,
Como sentinelas descrentes
Num quartel sem memórias.
E trazem o grito da revolta,
De muitos bravos inocentes,
Decadentes e sem história.
Quando a paisagem é amena,
Sinto que o viver vale a pena
E lanço o meu olhar em volta,
Do que sou e me pertence.
Sou uma estaca enterrada,
Em terra revolta e lavrada.
mongiardimsaraiva
4/21/2014
LEITE DERRAMADO
O leite escorria das tetas
Em riachos brancos e sós,
Como lentas ampulhetas
Sinalizando perdas e nós.
O peito branco e inchado,
Quis ser um rio e cascata.
Abriu leitos na crua mata;
Velozes tons embriagados,
Perfumados e ricos na voz.
Todos os seres vieram ver,
O alimento que queria viver
E que escorreu limpo e alvo
Pelos calores de cada ser...
mongiardimsaraiva
Em riachos brancos e sós,
Como lentas ampulhetas
Sinalizando perdas e nós.
O peito branco e inchado,
Quis ser um rio e cascata.
Abriu leitos na crua mata;
Velozes tons embriagados,
Perfumados e ricos na voz.
Todos os seres vieram ver,
O alimento que queria viver
E que escorreu limpo e alvo
Pelos calores de cada ser...
mongiardimsaraiva
4/20/2014
MAQUILLAGE
Modificar, esconder e agradar,
Com pozinhos e cores suaves.
Derreter, cortar e transformar
As máculas pesadas e graves.
Ousar conseguir um parecer,
Sem mostrar o nosso sofrer.
Mascarar o rosto com brilhos
E pintar bocas de vermelho,
Em frente a um lindo espelho.
Maquilhar a vida dos sarilhos,
Apagar as rugas de um velho
Obtendo um efeito desejado;
Sem pecado e preocupação.
Como uma nostalgia estética;
Patética, bela e sem noção...
mongiardimsaraiva
Com pozinhos e cores suaves.
Derreter, cortar e transformar
As máculas pesadas e graves.
Ousar conseguir um parecer,
Sem mostrar o nosso sofrer.
Mascarar o rosto com brilhos
E pintar bocas de vermelho,
Em frente a um lindo espelho.
Maquilhar a vida dos sarilhos,
Apagar as rugas de um velho
Obtendo um efeito desejado;
Sem pecado e preocupação.
Como uma nostalgia estética;
Patética, bela e sem noção...
mongiardimsaraiva
4/19/2014
CONTRATEMPO
Não é necessário passar o tempo...
O tempo, não existe na natureza.
É uma invenção da nossa certeza,
Capaz de aniquilar o contra-tempo.
Tudo flui e corre, sem paredes e nós;
Um longo rio que desagua na sua foz.
As impurezas, ficam retidas na areia,
Como sedimentos de uma guerra fria
Que teima em se mostrar guerreira...
Mas não passa de uma miséria feia,
Descarnada e apodrecida pela ideia.
O tempo é como uma mulher esguia
Que foge e ri sem ser a primeira...
mongiardimsaraiva
O tempo, não existe na natureza.
É uma invenção da nossa certeza,
Capaz de aniquilar o contra-tempo.
Tudo flui e corre, sem paredes e nós;
Um longo rio que desagua na sua foz.
As impurezas, ficam retidas na areia,
Como sedimentos de uma guerra fria
Que teima em se mostrar guerreira...
Mas não passa de uma miséria feia,
Descarnada e apodrecida pela ideia.
O tempo é como uma mulher esguia
Que foge e ri sem ser a primeira...
mongiardimsaraiva
4/17/2014
ROMANTISMO
O romantismo é a arte da sedução.
Mantinha-nos o olhar e o beija-mão,
Às damas e aos lugares desejados.
Para onde terão ido sem se verem,
Um do outro moribundos padecerem
Em esquecimentos vivos e mortais?
A dança dos olhares não volta mais
E deixa-nos perpetuados nesse frio,
Como moribundos de um mar sem fim.
Triste destino que nos massacra assim,
Como pedras húmidas e frias ao tocar.
E se contentam num pesar leve e vazio,
Das coisas de um passado sem passar...
mongiardimsaraiva
Mantinha-nos o olhar e o beija-mão,
Às damas e aos lugares desejados.
Para onde terão ido sem se verem,
Um do outro moribundos padecerem
Em esquecimentos vivos e mortais?
A dança dos olhares não volta mais
E deixa-nos perpetuados nesse frio,
Como moribundos de um mar sem fim.
Triste destino que nos massacra assim,
Como pedras húmidas e frias ao tocar.
E se contentam num pesar leve e vazio,
Das coisas de um passado sem passar...
mongiardimsaraiva
4/11/2014
COVA RASA
A toda a hora se espreitam...
E espiam, com quem se deitam.
Dormem um sono leve, inseguro,
Dos profanos e do amor escuro.
Como uma caçada ao pobre nada,
Que se encolhe mudo de vergonha
E sente uma tristeza tal; medonha.
De servir a gente fútil, vil e cega,
Em falsas comunhões de entrega,
Que servem apenas como jargões;
Imaculados e acesos nos perdões.
Uma triste homilia sem sacerdote,
Celebrada numa cova rasa e altiva,
Onde jazem ossos da tristeza viva.
mongiardimsaraiva
E espiam, com quem se deitam.
Dormem um sono leve, inseguro,
Dos profanos e do amor escuro.
Como uma caçada ao pobre nada,
Que se encolhe mudo de vergonha
E sente uma tristeza tal; medonha.
De servir a gente fútil, vil e cega,
Em falsas comunhões de entrega,
Que servem apenas como jargões;
Imaculados e acesos nos perdões.
Uma triste homilia sem sacerdote,
Celebrada numa cova rasa e altiva,
Onde jazem ossos da tristeza viva.
mongiardimsaraiva
4/10/2014
SEM EIRA NEM BEIRA
Há quem prefira nunca morrer
E mendigar, sem eira nem beira.
A vida é traiçoeira sem o saber,
Como uma metade semi-inteira.
Por aqui passamos e moramos,
Em casas de vidro e de tijolo,
Onde trabalhamos e juntamos
Os restos de um grande bolo.
Tudo é capaz de desmoronar;
Servir de repasto às criaturas
Que se contentam sem parar,
Com as migalhas das agruras.
mongiardimsaraiva
E mendigar, sem eira nem beira.
A vida é traiçoeira sem o saber,
Como uma metade semi-inteira.
Por aqui passamos e moramos,
Em casas de vidro e de tijolo,
Onde trabalhamos e juntamos
Os restos de um grande bolo.
Tudo é capaz de desmoronar;
Servir de repasto às criaturas
Que se contentam sem parar,
Com as migalhas das agruras.
mongiardimsaraiva
NUVEM
Gigantes sobrevoam o céu,
Enrolados em puro algodão.
Seguram um expesso véu;
Engolem, sem pedir perdão.
O leito é do pó e da chuva
Que dormitam nessa cama,
Envolvidos por densa rama
Que esquece a água turva.
Tudo se curva e aguarda,
Na sua gloriosa passagem;
Destemida e em romagem,
Ao tempo breve que tarda.
mongiardimsaraiva
Enrolados em puro algodão.
Seguram um expesso véu;
Engolem, sem pedir perdão.
O leito é do pó e da chuva
Que dormitam nessa cama,
Envolvidos por densa rama
Que esquece a água turva.
Tudo se curva e aguarda,
Na sua gloriosa passagem;
Destemida e em romagem,
Ao tempo breve que tarda.
mongiardimsaraiva
4/06/2014
O SOPRO DO VENTO
Há belas e inspiradas poesias,
Em que palavras riem e choram.
Participam de insanas orgias...
Levam-nos na casa onde moram.
Tudo num compasso de mágica,
Como um vento sem mau tempo.
Enviado para nos dar o alento,
Ao evitarmos a morte trágica...
Em que palavras riem e choram.
Participam de insanas orgias...
Levam-nos na casa onde moram.
Tudo num compasso de mágica,
Como um vento sem mau tempo.
Enviado para nos dar o alento,
Ao evitarmos a morte trágica...
mongiardimsaraiva
4/05/2014
AS TELHAS DO MEU TELHADO
Farei o que me der na telha
Nas telhas do meu telhado.
Talvez pinte de encarnado
Ou então da cor vermelha.
Nessa casa, sou um arteiro;
Na arte, sonharei primeiro...
Decorar as paredes brancas
Com quadros que vou pintar.
Sentir as doces lembranças,
Enquanto o coração deixar.
Em águas cristalinas ficar
E relembrar o lado de fora,
Antes de poder ir embora...
Ao chão ao teto e ao fogão,
Dedicarei a minha oração...
mongiardimsaraiva
Nas telhas do meu telhado.
Talvez pinte de encarnado
Ou então da cor vermelha.
Nessa casa, sou um arteiro;
Na arte, sonharei primeiro...
Decorar as paredes brancas
Com quadros que vou pintar.
Sentir as doces lembranças,
Enquanto o coração deixar.
Em águas cristalinas ficar
E relembrar o lado de fora,
Antes de poder ir embora...
Ao chão ao teto e ao fogão,
Dedicarei a minha oração...
mongiardimsaraiva
4/04/2014
O NOSSO ESPAÇO SIDERAL
Incomensuravelmente além de nós...
Disperso numa unidade que nos espanta,
O espaço que nos cerca, engole-nos a voz
E projeta o seu ser no entoar de um mantra...
Um clarão de luz eterna, para além da chama.
Tudo é sagrado e perpetuado numa cadeia...
Velhos pedaços, são agora objetos com luz;
Energia que expande, contrai e nos conduz...
Um mar de possibilidades que brilham e apagam.
Dentro de nós, existe também um espaço assim;
Com rios, lagos de marfim e cascatas de saudade.
Os cisnes, deslizam nessas águas com majestade.
A intenção de todo o mar é alimentar e renovar...
E fazer-nos conduzir o nosso amar de verdade.
mongiardimsaraiva
Disperso numa unidade que nos espanta,
O espaço que nos cerca, engole-nos a voz
E projeta o seu ser no entoar de um mantra...
Um clarão de luz eterna, para além da chama.
Tudo é sagrado e perpetuado numa cadeia...
Velhos pedaços, são agora objetos com luz;
Energia que expande, contrai e nos conduz...
Um mar de possibilidades que brilham e apagam.
Dentro de nós, existe também um espaço assim;
Com rios, lagos de marfim e cascatas de saudade.
Os cisnes, deslizam nessas águas com majestade.
A intenção de todo o mar é alimentar e renovar...
E fazer-nos conduzir o nosso amar de verdade.
mongiardimsaraiva
3/30/2014
DECOMPOSIÇÃO
Escorreu sangue na madrugada.
A terra, ficou húmida e pisada.
Os restos, ainda eram visíveis;
Descarnados, crus, horríveis.
Hórrida podridão decomposta.
A sujidade que ficou exposta,
Lembra as batalhas e guerras.
Homens que roubaram terras,
Usando cânticos de adoração.
Uma procissão arrasta os fiéis,
Que não invocam gestos cruéis.
Pobres corações, pedem perdão;
Sorriem para as feras famintas,
Que aguardam a carne alheia
Numa funda cova, vil e cheia.
Existem deuses, cansados e vãos
Que degustam a doce compaixão
E a disputam vazia; sem noção.
Decomposição fatal, cruel e feia.
mongiardimsaraiva
A terra, ficou húmida e pisada.
Os restos, ainda eram visíveis;
Descarnados, crus, horríveis.
Hórrida podridão decomposta.
A sujidade que ficou exposta,
Lembra as batalhas e guerras.
Homens que roubaram terras,
Usando cânticos de adoração.
Uma procissão arrasta os fiéis,
Que não invocam gestos cruéis.
Pobres corações, pedem perdão;
Sorriem para as feras famintas,
Que aguardam a carne alheia
Numa funda cova, vil e cheia.
Existem deuses, cansados e vãos
Que degustam a doce compaixão
E a disputam vazia; sem noção.
Decomposição fatal, cruel e feia.
mongiardimsaraiva
3/29/2014
NADAR
Abra a sua concha,
Deixe entrar o mar
E saia para nadar...
Como um cardume;
Sinta-se flutuar,
Nas ondas balançar.
Fique para sempre,
No doce costume
De esperar a maré;
Como ser do ventre,
Que lhe pertence
E transmite a fé...
mongiardimsaraiva
Deixe entrar o mar
E saia para nadar...
Como um cardume;
Sinta-se flutuar,
Nas ondas balançar.
Fique para sempre,
No doce costume
De esperar a maré;
Como ser do ventre,
Que lhe pertence
E transmite a fé...
mongiardimsaraiva
3/25/2014
RACHMANINOFF - CONCERTO Nº 2 PARA PIANO
As primeiras notas são arrepiantes...
O piano é um ser fluido e vibrante;
Profundo habitante de um mar de antes.
Orquestra louca e ofegante; vil amante...
Notas que fluem de um pássaro gigante
Ou de pequenas criaturas, sem face igual.
As carícias são do mel e do prazer fatal...
O giro nos absorve para dentro da lua,
Sentimos que nos sacode a carne nua.
A música, conduz-nos à base da cruz
E lembra-nos o Amor daquele Jesus...
mongiardimsaraiva
O piano é um ser fluido e vibrante;
Profundo habitante de um mar de antes.
Orquestra louca e ofegante; vil amante...
Notas que fluem de um pássaro gigante
Ou de pequenas criaturas, sem face igual.
As carícias são do mel e do prazer fatal...
O giro nos absorve para dentro da lua,
Sentimos que nos sacode a carne nua.
A música, conduz-nos à base da cruz
E lembra-nos o Amor daquele Jesus...
mongiardimsaraiva
3/24/2014
A RODA QUADRADA
Os comportamentos catalogados...
Obrigados a uma divisão profunda;
Engavetados, acesos e homologados,
Pertença de uma sociedade imunda.
Já nascemos preparados para seguir,
Aquilo que nos é imposto e observado.
Alegrias e tristezas, compõem a mesa.
Temos de degustá-las, sem surpresa;
Uma a uma e com um sorriso no rosto.
Sentimentos são ocultos e guardados.
O mundo não quer pessoas diferentes,
Que o afrontem e tratem como ausente.
Tudo tem de girar como a grande roda;
Perpétua e enferrujada por cada moda...
mongiardimsaraiva
Obrigados a uma divisão profunda;
Engavetados, acesos e homologados,
Pertença de uma sociedade imunda.
Já nascemos preparados para seguir,
Aquilo que nos é imposto e observado.
Alegrias e tristezas, compõem a mesa.
Temos de degustá-las, sem surpresa;
Uma a uma e com um sorriso no rosto.
Sentimentos são ocultos e guardados.
O mundo não quer pessoas diferentes,
Que o afrontem e tratem como ausente.
Tudo tem de girar como a grande roda;
Perpétua e enferrujada por cada moda...
mongiardimsaraiva
3/22/2014
NATUREZA ESTÉTICA
Mais do que a beleza em si,
Procuro agora a estética,
Daquilo que por si só, ri...
Das graças e da vida aqui,
Ao expulsar a dor patética.
Um rosto leve e natural;
Um rio que arrasta o mal,
Carregado de fragmentos.
Sentimentos são levados
E trazidos na correnteza...
O movimento é a estética;
Não existe a beleza pura.
Mas sim a pura natureza,
Alteza e ética; candura...
mongiardimsaraiva
Procuro agora a estética,
Daquilo que por si só, ri...
Das graças e da vida aqui,
Ao expulsar a dor patética.
Um rosto leve e natural;
Um rio que arrasta o mal,
Carregado de fragmentos.
Sentimentos são levados
E trazidos na correnteza...
O movimento é a estética;
Não existe a beleza pura.
Mas sim a pura natureza,
Alteza e ética; candura...
mongiardimsaraiva
3/21/2014
O DESFLORAR DO MAR
Quando o mar entra na terra,
A terra se abre, doce e franca.
Sucumbe aos encantos da espuma branca
E engole todo o seu sal, frágil e vital...
mongiardimsaraiva
A terra se abre, doce e franca.
Sucumbe aos encantos da espuma branca
E engole todo o seu sal, frágil e vital...
mongiardimsaraiva
PRIMAVERA
A Primavera chegou cansada e ofegante;
Muitas águas passadas de luz e encanto,
Correram nos rios e por montes adiante...
Agora, deixem-na cobrir com o seu manto
A esperança dos Homens, aqui e doravante.
Que as flores e o sol lhe tragam o seu canto...
mongiardimsaraiva
3/20/2014
A ARTE
A arte está em toda a parte.
Só depende do ponto de vista.
Não depende só de um artista,
Mas de uma luz a iluminar-te.
Se uma imagem te transcende
E um clarão estético te acende,
Podes sentir um nó na garganta;
Não percebes o que te encanta,
Mas estás tomado por uma arte.
Assim possa acontecer contigo,
Já que a vida é arte escondida.
Nos meandros do nosso abrigo,
A arte permanece adormecida
E à espera da nossa parte...
mongiardimsaraiva
Só depende do ponto de vista.
Não depende só de um artista,
Mas de uma luz a iluminar-te.
Se uma imagem te transcende
E um clarão estético te acende,
Podes sentir um nó na garganta;
Não percebes o que te encanta,
Mas estás tomado por uma arte.
Assim possa acontecer contigo,
Já que a vida é arte escondida.
Nos meandros do nosso abrigo,
A arte permanece adormecida
E à espera da nossa parte...
mongiardimsaraiva
3/19/2014
ENTRE O SONO E O SONHO
Olhos rasgados acompanhavam o meu sono...
Na noite tardia, ardia uma lua forte e clara.
Todos os seres da floresta, ali murmuravam.
Os lobos saciados, guardavam o seu dono...
Não havia vento e o relento, era peça rara;
Num pacto formado em que cigarras cantavam.
Podia-se sentir a vibração de um belo sonho;
A carga da natureza, estava na minha cara
E iluminava-me num sono, doce e risonho
Que não podia ser pela noite desmanchado.
Se a ténue brisa soprasse no meu sonho,
Os lobos deixariam de sentir uma forte lua...
Desmembrariam o meu corpo; fraco e mutilado,
Como se aquele momento fosse a verdade crua.
mongiardimsaraiva
Na noite tardia, ardia uma lua forte e clara.
Todos os seres da floresta, ali murmuravam.
Os lobos saciados, guardavam o seu dono...
Não havia vento e o relento, era peça rara;
Num pacto formado em que cigarras cantavam.
Podia-se sentir a vibração de um belo sonho;
A carga da natureza, estava na minha cara
E iluminava-me num sono, doce e risonho
Que não podia ser pela noite desmanchado.
Se a ténue brisa soprasse no meu sonho,
Os lobos deixariam de sentir uma forte lua...
Desmembrariam o meu corpo; fraco e mutilado,
Como se aquele momento fosse a verdade crua.
mongiardimsaraiva
3/18/2014
AMARGO CANTO
Não espero nada em troca...
Nenhuma recompensa oferecida.
A verdade, essa, por mim se desloca,
Como sangue em dádiva merecida...
Aqui deixo alguns pequenos versos;
Sementes na minha árvore mantida.
Que sirvam de alimento para as aves
E mantenham o seu inspirado canto.
Se por acaso, algumas cairem por terra,
Deixem-nas germinar e combater o pranto.
Nunca haverá pássaros se houver guerra...
Tudo se desconcerta numa triste espera,
Inútil e contínua; pesado e triste manto.
mongiardimsaraiva
Nenhuma recompensa oferecida.
A verdade, essa, por mim se desloca,
Como sangue em dádiva merecida...
Aqui deixo alguns pequenos versos;
Sementes na minha árvore mantida.
Que sirvam de alimento para as aves
E mantenham o seu inspirado canto.
Se por acaso, algumas cairem por terra,
Deixem-nas germinar e combater o pranto.
Nunca haverá pássaros se houver guerra...
Tudo se desconcerta numa triste espera,
Inútil e contínua; pesado e triste manto.
mongiardimsaraiva
3/16/2014
POEMA SUSPENSO
Sonhei que o poema estava suspenso,
Numa nuvem branca do azul do céu...
Balançavam as letras no espaço denso,
Da grata inspiração; queria eu ser réu.
Ficar pendurado nos versos em escada;
Corpo e mente, expostos e ao léu...
Grandioso efeito, nessa madrugada;
A poesia tapando-me com o seu véu...
Fui beijado por uma bela e doce fada,
Ao esquecer a terra e as obrigações...
Para que revivesse intensas emoções,
Bastaria que não acordasse jamais;
Suspenso por letras e sonhos reais...
mongiardimsaraiva
Numa nuvem branca do azul do céu...
Balançavam as letras no espaço denso,
Da grata inspiração; queria eu ser réu.
Ficar pendurado nos versos em escada;
Corpo e mente, expostos e ao léu...
Grandioso efeito, nessa madrugada;
A poesia tapando-me com o seu véu...
Fui beijado por uma bela e doce fada,
Ao esquecer a terra e as obrigações...
Para que revivesse intensas emoções,
Bastaria que não acordasse jamais;
Suspenso por letras e sonhos reais...
mongiardimsaraiva
3/15/2014
3/14/2014
GENTE DE PEDRA
Há gente que é de pedra...
Fria, grossa, pesada e rugosa.
Inanimados e comuns; petrificados.
Caindo pela vida aos bocados,
Como uma grossa argila porosa
Que se desfaz, sem bordados...
Cravam um buraco na terra
Do tamanho da sua espera;
Quieta, ausente e sem quimera.
E por aí ficam parados, absortos,
Presos nesse chão; empedrados.
Que um dia os receberá mortos,
Leves como uma pena; sepultados.
mongiardimsaraiva
Fria, grossa, pesada e rugosa.
Inanimados e comuns; petrificados.
Caindo pela vida aos bocados,
Como uma grossa argila porosa
Que se desfaz, sem bordados...
Cravam um buraco na terra
Do tamanho da sua espera;
Quieta, ausente e sem quimera.
E por aí ficam parados, absortos,
Presos nesse chão; empedrados.
Que um dia os receberá mortos,
Leves como uma pena; sepultados.
mongiardimsaraiva
3/12/2014
LIRISMO INCONFORMADO
Nesta correnteza de lirismo,
As letras escorreram frágeis
E loucas de inconformismo...
Palavras sinceras e ágeis,
Subiram e desceram versos,
Estrofes e pontos dispersos;
Num movimento sem fim
E próprio dos dias assim.
As frases estavam cheias,
De uma rima leve e doce;
Ideias que pareciam areias,
Num seco deserto precoce.
Poemas não eram dilemas,
Mas marés de águas ligeiras
Em busca de muitos temas...
mongiardimsaraiva
3/11/2014
SONO MÁGICO
Há dias em que nada acontece...
Parece que nada há para vir...
Tudo está pregado e sem fluir.
Só a solitária aranha, a teia tece.
O vento não sopra; não tem canto.
A gente não ouve o nosso pranto.
As folhas deslizam sem emoção;
Não há tristezas, nem comoção.
Há apenas um arrastar nostálgico
Que acompanha o uso do tempo...
O fim do dia transparece trágico;
Num rouco e pesado lamento...
Criaturas adormecem ao relento,
Sonham e rezam; sono mágico...
mongiardimsaraiva
Parece que nada há para vir...
Tudo está pregado e sem fluir.
Só a solitária aranha, a teia tece.
O vento não sopra; não tem canto.
A gente não ouve o nosso pranto.
As folhas deslizam sem emoção;
Não há tristezas, nem comoção.
Há apenas um arrastar nostálgico
Que acompanha o uso do tempo...
O fim do dia transparece trágico;
Num rouco e pesado lamento...
Criaturas adormecem ao relento,
Sonham e rezam; sono mágico...
mongiardimsaraiva
3/10/2014
ESPERA
A espera, quis esperar por mim...
Segredou-me que a vida é assim.
Aprender a aguardar; poder respirar.
Sentir um grande mundo a palpitar.
Escutar as vozes que cantam no mar.
Admirar os seres que moram nos céus.
Suportar as dores; descobrir os véus.
Ter tempo para adormecer e sonhar.
Brincar com quimeras e tristezas vãs.
Esperar sempre por quem nos espera
E ser aguardado por esperanças sãs.
mongiardimsaraiva
3/03/2014
UMA BELEZA TRISTE
Toda a tristeza encerra em si algo de belo. Uma beleza triste, que serve e invoca a natureza...
mongiardimsaraiva
mongiardimsaraiva
3/02/2014
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