12/03/2013

EM QUEDA LIVRE

Saltei do meu avião;                                                
Não tenho mais chão...
Desço em queda livre;
Mal consigo respirar...
Num pássaro me tornei;
Sem asas e sem lei...
Veloz como uma pedra,
Sinto-me a cair do céu.
Não existe mais terra;
Não existe mais véu...
Tudo foi bem reduzido,
A uma forte impressão;
De queda sem sentido
E liberdade, sem razão...

mongiardimsaraiva

11/29/2013

FOME

Ossos dobrados, pouca farinha...                              
Procura em algumas migalhas,
Os restos de uma festinha...
Alimento numa dura batalha,
Nessa criança que ali não mora;
Só sofrimento, fome e cansaço,
Nada tem e pouco implora...
Neste breve poema que eu faço,
Não existe o apelo do Amor.
Apenas tristeza e melancolia,
Pouca sorte e muita dor...

mongiardimsaraiva

11/26/2013

LÁGRIMAS SUSPENSAS

As lágrimas serão mantidas e suspensas,                                
Como sentinelas atentas e armadas...
Andarão em círculos e calarão a voz.
Deixar-nos-ão, pobres soldados alados,
À deriva, ao vento e na chuva das ideias...
Perpetuados numa reminiscência apagada
E mantidos por loucos sentimentos...
Numa pobre casca, fedorenta e sem vida.
Pobre vida, que sustenta essas lágrimas;
Frias, suspensas, atentas e a(r)madas...

mongiardimsaraiva

11/19/2013

AS FÉRIAS DA LUA

Andei longe da minha poesia...
A minha mente, quase ficou fria
E entretida, sem sentir falta...
Tirei uma férias desse alguém,
A quem nunca pergunto; se vai bem.
Quis me sentir forte e não poeta...
Lutar com a verdade, pesada e concreta.
Perguntar à razão a quem pertenço;
Mundo concreto e cinzento, sem lua?...
Luas incertas, brilhantes e sem rua?...
Duma coisa eu sei; nada nos pertence
E tudo está aí, ao redor e por inteiro.
As escolhas são frágeis e fatais...
O sol e a lua, sempre chegam primeiro.

 mongiardimsaraiva

9/10/2013

CICLOS




Tudo o que nasce, cresce e morre cumpre o seu ciclo e a missão para a qual foi criado...


mongiardimsaraiva

                                                                       

9/09/2013

CONSTRUÇÃO

Na poesia, procuro sempre a minha cura...                              
Esqueço a vida dura; de um jeito maduro...
Uso as minhas metáforas, em letras separadas.
Excedo os meus limites, com vírgulas animadas.
Tudo caminha livre e fácil, em ondas agitadas...
Há palavras que sobem e descem, loucamente;
Por ladeiras e rampas, decentes ou empenadas.
Tudo o que é lançado, ondula como serpente.
Quando o sol e a lua sorriem ou se falam,
Ouve-se ao longe um canto que se sente...
As noites e os dias, são agora leves e breves.
Oiço os sons da floresta; puros, que me embalam.
As cruas verdades, rolam redondas por esse mar;
Como cardumes carentes e ausentes de luar...

mongiardimsaraiva

8/19/2013

UM BEIJO NA REALIDADE

Sonhei que te beijava,                                  
Doce e terna realidade...
Vivia contigo, num mundo novo;
Sem ganância e sem maldade.
Quase neguei a minha poesia;
Quase sucumbi à tua fantasia;
Quase esqueci a minha alegria.
Comecei a sofrer, sem noção...
Construí lágrimas geladas,
Pesadas e húmidas; de solidão.
Ofereci o corpo a essa espada,
Como um pobre soldado, sem razão.
Deixei a morte me possuir; animada
E abri sem querer, o meu caixão...

mongiardimsaraiva


 

8/09/2013

O CURSO DO RIO

Rios de dinheiro, lavam o nosso cinzeiro;                          
Das cinzas e da paz; a doce prometida...
Na corrente, passam os troncos primeiro.
Depois, os corpos cegos e mutilados.
A melancolia das águas; objetos sem vida.
O barro e a espuma; nos corpos inchados.
Já não há nada para arrastar e dissolver...
O curso do rio é uma ladaínha arrependida.
Tudo, há muito se desagregou do saber.
Aquilo que escorre, são restos do nada...
Não consigo mais avistar aquela ponte;
O rio que nos engole, esqueceu a sua fonte...

mongiardimsaraiva

O MAIOR SONHO

O meu maior sonho é não deixar de sonhar...                      


mongiardimsaraiva

8/08/2013

POEMA DO VAZIO

O vazio é a verdade;                                                
A verdade é o vazio.
Passamos anos a fio, a evitá-lo.
Poderíamos talvez, considerá-lo;
Como o vazio; do tudo ou do nada...
Tudo; o que nada contém...
Ou nada; que em tudo tem...
Triste dicotomia, para nós mortais,
Que só concebemos, coisas "normais".
O medo existe; do túmulo vazio...
Na última morada; solidão e frio...

mongiardimsaraiva

8/04/2013

HOMEM AO MAR

Homem ao mar!!!                                    
Depressa, acudam;
Não deve saber nadar...
É no que pensam;
A água está fria,
Mas eu sei esbracejar...
Ainda posso tentar;
O sangue está quente
E sacode a minha mente,
Mas eu quero continuar...
Ir para baixo, bem fundo;
Conhecer um novo mundo
E ficar sentado na areia...
Aguardar a minha sereia,
Para morrer e recomeçar...
No leito duma outra vida,
Sinto chegar a partida;
Doce aconchego do mar...

mongiardimsaraiva

8/03/2013

PALAVRA

Por...                                                        
Amor...
Lavre...
Alguma...
Verdade...
Realmente...
Arrebatadora...

mongiardimsaraiva

ESCUNA SEM VELA

Se não me entendes,                                    
Pede uma explicação;
Não te acanhes...
Te darei o que pretendes;
Nunca vou te dizer não.
Não quero que te amanhes,
Em desculpas e perdão...
Vou procurar que me sigas,
Na doce brisa das palavras
E nas tempestades bravas;
Dos amores e das brigas...
Sou uma escuna sem vela,
Que percorre o denso mar;
Sem rota, nem estrada...
Procuro uma terra amada;
Entre portos e vielas...
Quero achar o meu lar
E hastear a minha vela...

mongiardimsaraiva

 




OXIGÉNIO

Já fui um caçador de pássaros...                                  
Já fui um pescador de peixes...
Hoje, pesco e caço "oxigénio".

mongiardimsaraiva

8/01/2013

O POVO SAIU À RUA

Sorrisos forçados,                                                
Rostos "fabricados"...
Não dá mais para segurar,
Muita mentira e pesar...
O povo saiu à rua,
Meio descrente da pátria sua;
Sem saber bem o que gritar.
Possuído pela "onda do não";
Força da louca opressão,
Incutida pela mídia crua...
Muito tempo sem ter de suar,
Escondendo a cara do sofrer;
Fingindo que não sente doer
Uma paz podre e artificial;
Meretriz do bem e do mal...
Vendida por um vintém,
A troco do "tudo vai bem"...
Agora, fica um gosto amargo;
Duma grande força e embargo...

mongiardimsaraiva

7/30/2013

O MEU PAR

Não sei de nada;                                        
Nada quero saber...
A "sede" e a "fome",
Devoram o meu ser...
Para quê chorar,
Por alguém sem nome,
Se a "sede" e a "fome",
Não têm o meu nome...
O que restará de mim,
Se a vida não me der
O que vier a seguir,
A uma miséria assim...
Serei louco ao pensar,
Que a vida é só amar;
Ficarei sozinho e leve,
Aguardando o meu par...

mongiardimsaraiva

7/29/2013

O CAMINHO

Na verdade, a bem ou a mal, cada ser humano terá de aprender a caminhar com as suas próprias pernas...

mongiardimsaraiva

                                                                     

MODISMOS

Não desista de ser você, só porque não se usa mais...

mongiardimsaraiva

                                                                           

O PRAZER

Não procures tão ávidamente o prazer; deixa o prazer te procurar...

mongiardimsaraiva

                                                                     

7/28/2013

ALTERNÂNCIAS

                                   
Algumas certas vezes...
Sou fácil e cristalino;
Como uma gota de água.
Outras certas vezes...
Sou incerto e complexo;
Como um denso labirinto.
Digo aos outros o que sinto;
Nunca quero sentir mágoa...
Discordo do certo e do nexo;
Sou ágil, ativo e repentino.
Da alternância sou peregrino,
Que sublima uma imagem alada;
Derradeira, leve e acorrentada
A uma mudança que corrói.
Sinto quando me bate e dói...
Sou quase um fruto maduro,
Que não quer mais ficar seguro
E cai no chão da minha estrada...

mongiardimsaraiva





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