12/28/2013

A GRANDE MÓ

Hoje, o mundo é uma coisa só...                
Não há mais lugar para ter dó.
Tudo ficou configurado e preciso.
Ideias dementes, geram sementes;
Pensamentos e intenções de aviso,
Consumadas em pó por uma mó...
O interesse económico não pondera.
Tudo passa além de uma quimera...
O planeta ainda é azul e redondo,
Mas a Natureza, chora insegura;
O dinheiro pisa-nos, com amargura
E divide-nos em dois mundos:
Consumistas plenos e alheios...
Precários, pobres e derradeiros...

mongiardimsaraiva



12/25/2013

O ENTERRO DO GERÚNDIO E A COROAÇÃO DO PRETÉRITO PERFEITO

O cortejo está "passando",                    
O povo está "velando",
A tristeza vai "vencendo",
O gerúndio vai "morrendo"...
Há muitas almas "chorando";
Doce pranto, "lamentando"
E no enterro, "enterrando",
A pobre carcaça, "sorrindo"...
Abram alas, abram alas!!!
Que a festa irá começar...
O príncipe do pretérito,
Escolheu bem o seu par.
E vem veloz, para mudar;
Irá ser breve e contumaz.
Declara morte à "enrolação";
Todos terão na sua mão,
A palavra forte e sagrada...
Que trará a certeza e a lei;
Passei, velei e lamentei.
Chorei, enterrei e venci.
Pretérito Perfeito para rei!!!

mongiardimsaraiva






12/23/2013

NATAL

Por onde andas, Natal?                            
Vejo-te ao longe a chorar...
Mal te consigo distinguir,
Entre o vulto das pessoas
Que caminham sem sorrir...
A morte iminente da paz,
O Amor sem ser capaz
E a fé quase a explodir...
Nós queremos que vás,
Mas que possas voltar,
A ser terra e a ser mar...
Que sejas onda branca
E varras o nosso adeus...
Mostra-nos o teu Deus;
Na tua natureza franca.
Sem ti, o mundo é fatal...
Imploro-te misericórdia;
Não nos deixes, Natal...

mongiardimsaraiva










12/20/2013

TROPEÇO

Tropecei outra vez no pobre mendigo...                        
Ainda novo e velho como um farrapo.
Amachucado e preso a esse chão;
Estéril, seco, sujo e abandonado.
Sono pesado, triste e embriagado...
Parei e observei, com mais atenção;
Ao seu lado, a presença de um cão,
Deitado e atento, como um irmão...
Parecia guardá-lo, feliz e sem pudor,
Em troca de pedaços de amor e dor...

mongiardimsaraiva

12/17/2013

O CASULO

Construí assim o meu casulo...                              
Ausente, escondido e seguro.
O triste desafeto; não engulo.
Envolvido nas espessas teias,
Namoro feliz as minhas sereias.
Sou uma larva em mutação...
Atenta e sedenta do meu voar.
Assim que puder, sairei então...
Conseguirei para o meu par,
O doce pólen de muitas flores,
Promessas, verdades e amores;
Borboletas de pura sedução...

mongiardimsaraiva




12/03/2013

EM QUEDA LIVRE

Saltei do meu avião;                                                
Não tenho mais chão...
Desço em queda livre;
Mal consigo respirar...
Num pássaro me tornei;
Sem asas e sem lei...
Veloz como uma pedra,
Sinto-me a cair do céu.
Não existe mais terra;
Não existe mais véu...
Tudo foi bem reduzido,
A uma forte impressão;
De queda sem sentido
E liberdade, sem razão...

mongiardimsaraiva

11/29/2013

FOME

Ossos dobrados, pouca farinha...                              
Procura em algumas migalhas,
Os restos de uma festinha...
Alimento numa dura batalha,
Nessa criança que ali não mora;
Só sofrimento, fome e cansaço,
Nada tem e pouco implora...
Neste breve poema que eu faço,
Não existe o apelo do Amor.
Apenas tristeza e melancolia,
Pouca sorte e muita dor...

mongiardimsaraiva

11/26/2013

LÁGRIMAS SUSPENSAS

As lágrimas serão mantidas e suspensas,                                
Como sentinelas atentas e armadas...
Andarão em círculos e calarão a voz.
Deixar-nos-ão, pobres soldados alados,
À deriva, ao vento e na chuva das ideias...
Perpetuados numa reminiscência apagada
E mantidos por loucos sentimentos...
Numa pobre casca, fedorenta e sem vida.
Pobre vida, que sustenta essas lágrimas;
Frias, suspensas, atentas e a(r)madas...

mongiardimsaraiva

11/19/2013

AS FÉRIAS DA LUA

Andei longe da minha poesia...
A minha mente, quase ficou fria
E entretida, sem sentir falta...
Tirei uma férias desse alguém,
A quem nunca pergunto; se vai bem.
Quis me sentir forte e não poeta...
Lutar com a verdade, pesada e concreta.
Perguntar à razão a quem pertenço;
Mundo concreto e cinzento, sem lua?...
Luas incertas, brilhantes e sem rua?...
Duma coisa eu sei; nada nos pertence
E tudo está aí, ao redor e por inteiro.
As escolhas são frágeis e fatais...
O sol e a lua, sempre chegam primeiro.

 mongiardimsaraiva

9/10/2013

CICLOS




Tudo o que nasce, cresce e morre cumpre o seu ciclo e a missão para a qual foi criado...


mongiardimsaraiva

                                                                       

9/09/2013

CONSTRUÇÃO

Na poesia, procuro sempre a minha cura...                              
Esqueço a vida dura; de um jeito maduro...
Uso as minhas metáforas, em letras separadas.
Excedo os meus limites, com vírgulas animadas.
Tudo caminha livre e fácil, em ondas agitadas...
Há palavras que sobem e descem, loucamente;
Por ladeiras e rampas, decentes ou empenadas.
Tudo o que é lançado, ondula como serpente.
Quando o sol e a lua sorriem ou se falam,
Ouve-se ao longe um canto que se sente...
As noites e os dias, são agora leves e breves.
Oiço os sons da floresta; puros, que me embalam.
As cruas verdades, rolam redondas por esse mar;
Como cardumes carentes e ausentes de luar...

mongiardimsaraiva

8/19/2013

UM BEIJO NA REALIDADE

Sonhei que te beijava,                                  
Doce e terna realidade...
Vivia contigo, num mundo novo;
Sem ganância e sem maldade.
Quase neguei a minha poesia;
Quase sucumbi à tua fantasia;
Quase esqueci a minha alegria.
Comecei a sofrer, sem noção...
Construí lágrimas geladas,
Pesadas e húmidas; de solidão.
Ofereci o corpo a essa espada,
Como um pobre soldado, sem razão.
Deixei a morte me possuir; animada
E abri sem querer, o meu caixão...

mongiardimsaraiva


 

8/09/2013

O CURSO DO RIO

Rios de dinheiro, lavam o nosso cinzeiro;                          
Das cinzas e da paz; a doce prometida...
Na corrente, passam os troncos primeiro.
Depois, os corpos cegos e mutilados.
A melancolia das águas; objetos sem vida.
O barro e a espuma; nos corpos inchados.
Já não há nada para arrastar e dissolver...
O curso do rio é uma ladaínha arrependida.
Tudo, há muito se desagregou do saber.
Aquilo que escorre, são restos do nada...
Não consigo mais avistar aquela ponte;
O rio que nos engole, esqueceu a sua fonte...

mongiardimsaraiva

O MAIOR SONHO

O meu maior sonho é não deixar de sonhar...                      


mongiardimsaraiva

8/08/2013

POEMA DO VAZIO

O vazio é a verdade;                                                
A verdade é o vazio.
Passamos anos a fio, a evitá-lo.
Poderíamos talvez, considerá-lo;
Como o vazio; do tudo ou do nada...
Tudo; o que nada contém...
Ou nada; que em tudo tem...
Triste dicotomia, para nós mortais,
Que só concebemos, coisas "normais".
O medo existe; do túmulo vazio...
Na última morada; solidão e frio...

mongiardimsaraiva

8/04/2013

HOMEM AO MAR

Homem ao mar!!!                                    
Depressa, acudam;
Não deve saber nadar...
É no que pensam;
A água está fria,
Mas eu sei esbracejar...
Ainda posso tentar;
O sangue está quente
E sacode a minha mente,
Mas eu quero continuar...
Ir para baixo, bem fundo;
Conhecer um novo mundo
E ficar sentado na areia...
Aguardar a minha sereia,
Para morrer e recomeçar...
No leito duma outra vida,
Sinto chegar a partida;
Doce aconchego do mar...

mongiardimsaraiva

8/03/2013

PALAVRA

Por...                                                        
Amor...
Lavre...
Alguma...
Verdade...
Realmente...
Arrebatadora...

mongiardimsaraiva

ESCUNA SEM VELA

Se não me entendes,                                    
Pede uma explicação;
Não te acanhes...
Te darei o que pretendes;
Nunca vou te dizer não.
Não quero que te amanhes,
Em desculpas e perdão...
Vou procurar que me sigas,
Na doce brisa das palavras
E nas tempestades bravas;
Dos amores e das brigas...
Sou uma escuna sem vela,
Que percorre o denso mar;
Sem rota, nem estrada...
Procuro uma terra amada;
Entre portos e vielas...
Quero achar o meu lar
E hastear a minha vela...

mongiardimsaraiva

 




OXIGÉNIO

Já fui um caçador de pássaros...                                  
Já fui um pescador de peixes...
Hoje, pesco e caço "oxigénio".

mongiardimsaraiva

8/01/2013

O POVO SAIU À RUA

Sorrisos forçados,                                                
Rostos "fabricados"...
Não dá mais para segurar,
Muita mentira e pesar...
O povo saiu à rua,
Meio descrente da pátria sua;
Sem saber bem o que gritar.
Possuído pela "onda do não";
Força da louca opressão,
Incutida pela mídia crua...
Muito tempo sem ter de suar,
Escondendo a cara do sofrer;
Fingindo que não sente doer
Uma paz podre e artificial;
Meretriz do bem e do mal...
Vendida por um vintém,
A troco do "tudo vai bem"...
Agora, fica um gosto amargo;
Duma grande força e embargo...

mongiardimsaraiva

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