3/03/2014

UMA BELEZA TRISTE

Toda a tristeza encerra em si algo de belo. Uma beleza triste, que serve e invoca a natureza...

mongiardimsaraiva


3/02/2014

DESINTERESSADAMENTE

Não interessa saber o que somos. Interessa ser, desinteressadamente...

mongiardimsaraiva

                                                                   

3/01/2014

MERGULHEI EM VOCÊ

Mergulhei em você...                            
Assim, porque não?
Quis sentir o seu chão;
Olhar o que não se vê.
Só assim poderei saber,
O que brota do meu ser
E juntá-lo ao que é seu.
Sentir uma doce afinidade,
Verdadeira, só; sem idade.
Quero repartir o que é meu,
Para além de uma miragem.
O que quero dessa viagem,
É apenas a nossa chegada;
Ilesa, franca e consagrada...

mongiardimsaraiva

2/27/2014

CONDOMÍNIO

Gente que entra e sai,                              
Ou fica e pouco se distrai.
Andam tontos e às pressas.
Obstinadamente ou devagar.
Os ciclos são sempre iguais;
Infinitamente concêntricos.
Excêntricos; não podem mais.
Bom dia, boa tarde, boa noite.
Recebo-os como um açoite.
É hora de mostrar um sorriso
E falar as lorotas do tempo.
Para não ouvir um lamento,
Caminho rápido, sem  parar.
Só nos largamos ao deitar.
Acreditem aí se quiserem;
Parece que estou a sonhar.

mongiardimsaraiva



2/25/2014

PERMANECE ENTRE NÓS

Respira leve profundamente              
E recria livre a tua mente.
Exerce o teu total domínio...
Procura achar na natureza
O iluminado e transcendente,
Consertador da paz e da pureza.
Abandona a morte e o extermínio.
Sacia ainda hoje a tua fome...
Faz o bem e a glória em teu nome.
Espreguiça devagar a tua mente,
Nas águas de uma nascente.
Abre os olhos, sorri e acorda.
Estás muito mais novo, agora.
O teu corpo parece um poema
Que declama alto o teu tema.
E não quer deixar-te ir embora...

mongiardimsaraiva



2/24/2014

ESPAÇO EM BRANCO

Hoje apaguei a minha poesia;                            
Não declamei sobre este dia.
As palavras não quiseram ficar;
Não se acariciavam e conheciam.
As ideias não quiseram vingar.
Um espaço em branco no lugar...
Nada de poema; só uma leve pena,
Esvoaçando insegura pelas linhas.
Tristes ladainhas, livres e sozinhas.
Os versos nadaram nessa corrente,
Mas não ousaram ser uma semente...

mongiardimsaraiva

2/23/2014

SOU O PIRATA DA PERNA DE PAU

Hoje descanso à deriva;                      
Náufrago, em escuna altiva.
Amanhã serei mais um pirata,
Em busca do ouro e da prata;
Quero saquear muitas ilhotas
E encher de moedas as botas.
O meu lema é o meu tesouro
E a morte, já não me assusta.
Sou ágil e forte; águia e touro.
Ao vento, confio o meu leme.
Roubo aquilo que você teme...
"Sou o pirata da perna de pau;
Olho de vidro e cara de mau".

mongiardimsaraiva

2/21/2014

O BEIJO DA INCERTEZA

O Homem está deliciado à beira do seu poço...              
O destroço banhado a sangue, corrói até ao osso.
Partituras e sinfonias, alimentam tórridas orgias.
Discursos de corrupção, comandam toda a nação.
Águas apodrecidas, banham os rios e os mares.
Loucos, aos pares, querem proliferar a raça...
Mas a dura carapaça, não deixa viver a razão.
Quanto mais tempo é requerido, menos noção...
Pobres inglórios, choram o fim da humanidade;
Deles é o uso da tristeza, que nega a natureza.
Abatidos e vencidos, na morte da liberdade,
Só lhes resta a saudade e o beijo da incerteza...

mongiardimsaraiva

2/20/2014

2/17/2014

TEATRALIZAÇÃO

Teatralizamos até quando nos olhamos,                        
Bichos estúpidos, carentes e humanos.
Contra nós pensamos e nos imolamos.
Como podemos nos achar superiores,
Se não sabemos cultivar os amores?
Quanto mais avançados, mais ilhados
E preparados para invejar e arrotar;
Excrescências, riquezas e vitórias...
Muito aquém das nossas histórias;
Pálidas, rotineiras, vis e sem graça.
O que nos falta para ser e crescer?
A natureza ainda vive e nos aguarda,
Como se quisesse ser complacente,
Com quem mente e usa espingarda.

mongiardimsaraiva

2/16/2014

O RISO DAS CONCHAS

Textos que habitam as ondas                      
E sabem ao sal das maresias,
Provocam o riso das conchas;
Dos cardumes, são doce empatia.
No passar pelo frio das águas,
Depuram-se tristezas e mágoas.
Guardam-se segredos e enredos.
As letras nadam na corrente
E a espuma lambe as pedras;
Húmidas e escassas que beijam,
Em ensejos de graça e quimeras.
Não fosse o som de uma gaivota,
Tudo pareceria um mar das frases,
Capazes, perdidas e sem rota...

mongiardimsaraiva



TRANSPARÊNCIAS

Procuro ser transparente;                          
Quero ver através de ti.
Aprender a ser paciente;
Encontrar o que refleti.
O vidro é transparência,
Como a água da fonte.
Espelho da tua ciência;
Margens de uma ponte.
A verdade me encanta,
Envolve e se agiganta;
Não há dúvidas cruéis.
Invertem-se os papéis;
Não existe a escuridão.
À noite; pura reflexão.
De dia; brilho e magia.

mongiardimsaraiva



2/13/2014

A CARNE

A carne é saborosa,                                    
Podre e indecorosa...
Não se compara a uma rosa,
Quando exala o seu perfume.
É boa para estrume;
Fraca, trémula e maldosa.
Na flor, reside o Amor.
Na outra, o vil estertor...
O mundo venera a carne,
Do carnaval e do efémero;
Sem sangue, não te graça...
Apunhalem a vossa carcaça
E bebam o líquido vermelho.
Quando olharem no espelho,
Vejam a carne a apodrecer...
Não se esqueçam de chorar;
A carne tem de morrer...

mongiardimsaraiva

2/12/2014

PRINCESAS

No tempo em que eu mais quis,
Recebi das nuvens, um presente;
A linda, bela e rosada; Beatriz...
Estava no céu do meu castelo.
O dom de ser pai, era o mais belo
E quando parei para olhar para trás,
Vi ao longe, uma estrada sinuosa...              
Marcada por curvas sérias; perigosas.
Lições de vida constantes; sofridas.
Muitas pedras escondidas e rugosas...
Achei que o destino estivesse traçado.
E quando tudo isso parecia o meu fado,
Veio Laura, para coroar o meu reinado.
Princesa agitada; senhora apressada...
A minha corte, estava assim reunida.
Pude escutar o som de muitas vozes;
Proclamavam alto, a minha história...
Beatriz e Laura, eram a minha glória.
Consegui sentir o apelo dessa missão;
Mostrar àquelas formosas damas,
O caminho do afeto e da união...

mongiardimsaraiva




2/10/2014

SENTINELA ALERTA

Sentinela alerta!!!                            
Alerta está!!!
Soldados, de pé...
A guerra começou.
É preciso salvar a fé;
O ódio se entregou.
Corram sem as armas
E construam os karmas.
Troquem as pistolas,
Por pão e por esmolas.
Usem a razão e a união.
Ergam templos de oração.
Fechem a porta da guerra.
Construam casas na terra
E exércitos de salvação...

mongiardimsaraiva






2/09/2014

USINA POÉTICA

Escrevo e me atrevo,                                      
A mostrar-te o que devo.
Sou um mentor sem torpor.
Atinjo o calor do meu ser,
Às vezes, para me entreter.
Mas sempre ligado à verdade.
Não quero parecer um covarde.
Sou um confessor do meu amor,
Mesmo que te provoque a dor.
Às palavras, destino um desfecho.
Quero que fiquem exaustas, soltas
E se entrelacem, em orgias gozadas.
Disfrutem no aconchego do poema
E permaneçam vazias e estilizadas,
Num fino lapso atemporal de fonema.
Pareçam belas, sem tu teres pena;
Apelo urgente, reservado e informal.
Ensejo premente; prazer sem igual.

mongiardimsaraiva

2/08/2014

GENESIS

O estranho túnel do tempo...

A magistral música ambiente;

Sons cavos do túnel da mente,

Tempo duma memória recente.

Danças reminiscentes; tribais,

Embalos perdidos e ancestrais...

Canais abertos; passado e presente.

Ondas decorrentes; sons dormentes,

Vibrações certeiras; sempre primeiras...

Mergulhos profundos; velozes, imundos,

No descompasso das nossas noções...

Corações impregnados de amor e súor.

Jargões pesados, lançados no espaço...

Lambendo as covas da nossa garganta,

Em lamúrias santas e profanas de bagaço;

"Eu sei perfeitamente o que eu faço"...



mongiardimsaraiva


2/06/2014

ÁGUA

Cai a água muito aguada;                                
Desaguada em aguaceiro.
Rega os campos primeiro
E refresca a madrugada.
Seja bem vinda no calor
E no fogo cruel do amor.
Caia em forte enxurrada,
Para apagar a nossa dor.
Hoje te procuro ó água;
Ávido, seco e sedento...
Ouve bem esse lamento;
Afoga já a minha mágoa.

mongiardimsaraiva

2/02/2014

ENTREGA

Quando não tiveres o mar,                            
Sente na terra o teu pulsar.
Corre e abre os teus braços;
Precisas de muitos abraços.
Declama alto os teus versos,
Às correntes fortes dos rios.
Que levarão para longe o frio
E te trarão conforto e estio.
Conversa com a tua natureza;
Ela é branda, linda e amena.
Quero que tenhas a certeza,
Que tudo é belo e te acena.
És parte do sol, quando reza.
Da lua, quando diz um poema.
Todo o universo se contorce,
Escangalha, gargalha e tosse,
Para te ajudar a achar a sorte.
Querem te levar para bem longe,
Onde só encontrarás as nuvens;
Muito para lá do sul e do norte.
Brancas e espessas de paixão;
Leito macio, sereno e sem morte.

mongiardimsaraiva







1/31/2014

ENTRE QUATRO PAREDES

Estou entre as quatro paredes...                      
Não ouso esconder o meu pranto.
Quero prolongar a minha sede;
Não bebo, não falo, não canto...
Sou o mentor do meu profano;
Não vejo, não rio; sou espanto...
Acabo de possuir o teu encanto;
Sagrado, leviano, aceso; humano.
Nas paredes brancas me afoito,
Embriagado e enrolado num oito.
Sou a imaculada prisão do branco;
Leve, informal e inimiga do mal...
Entre o chão e o teto, me revejo;
Nesse cubo branco e oco; perfeito.
O alimento entre as quatro paredes,
São palavras que escapam das redes
E ampliam o bater do meu peito...

mongiardimsaraiva

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