A arte está em toda a parte.
Só depende do ponto de vista.
Não depende só de um artista,
Mas de uma luz a iluminar-te.
Se uma imagem te transcende
E um clarão estético te acende,
Podes sentir um nó na garganta;
Não percebes o que te encanta,
Mas estás tomado por uma arte.
Assim possa acontecer contigo,
Já que a vida é arte escondida.
Nos meandros do nosso abrigo,
A arte permanece adormecida
E à espera da nossa parte...
mongiardimsaraiva
3/20/2014
3/19/2014
ENTRE O SONO E O SONHO
Olhos rasgados acompanhavam o meu sono...
Na noite tardia, ardia uma lua forte e clara.
Todos os seres da floresta, ali murmuravam.
Os lobos saciados, guardavam o seu dono...
Não havia vento e o relento, era peça rara;
Num pacto formado em que cigarras cantavam.
Podia-se sentir a vibração de um belo sonho;
A carga da natureza, estava na minha cara
E iluminava-me num sono, doce e risonho
Que não podia ser pela noite desmanchado.
Se a ténue brisa soprasse no meu sonho,
Os lobos deixariam de sentir uma forte lua...
Desmembrariam o meu corpo; fraco e mutilado,
Como se aquele momento fosse a verdade crua.
mongiardimsaraiva
Na noite tardia, ardia uma lua forte e clara.
Todos os seres da floresta, ali murmuravam.
Os lobos saciados, guardavam o seu dono...
Não havia vento e o relento, era peça rara;
Num pacto formado em que cigarras cantavam.
Podia-se sentir a vibração de um belo sonho;
A carga da natureza, estava na minha cara
E iluminava-me num sono, doce e risonho
Que não podia ser pela noite desmanchado.
Se a ténue brisa soprasse no meu sonho,
Os lobos deixariam de sentir uma forte lua...
Desmembrariam o meu corpo; fraco e mutilado,
Como se aquele momento fosse a verdade crua.
mongiardimsaraiva
3/18/2014
AMARGO CANTO
Não espero nada em troca...
Nenhuma recompensa oferecida.
A verdade, essa, por mim se desloca,
Como sangue em dádiva merecida...
Aqui deixo alguns pequenos versos;
Sementes na minha árvore mantida.
Que sirvam de alimento para as aves
E mantenham o seu inspirado canto.
Se por acaso, algumas cairem por terra,
Deixem-nas germinar e combater o pranto.
Nunca haverá pássaros se houver guerra...
Tudo se desconcerta numa triste espera,
Inútil e contínua; pesado e triste manto.
mongiardimsaraiva
Nenhuma recompensa oferecida.
A verdade, essa, por mim se desloca,
Como sangue em dádiva merecida...
Aqui deixo alguns pequenos versos;
Sementes na minha árvore mantida.
Que sirvam de alimento para as aves
E mantenham o seu inspirado canto.
Se por acaso, algumas cairem por terra,
Deixem-nas germinar e combater o pranto.
Nunca haverá pássaros se houver guerra...
Tudo se desconcerta numa triste espera,
Inútil e contínua; pesado e triste manto.
mongiardimsaraiva
3/16/2014
POEMA SUSPENSO
Sonhei que o poema estava suspenso,
Numa nuvem branca do azul do céu...
Balançavam as letras no espaço denso,
Da grata inspiração; queria eu ser réu.
Ficar pendurado nos versos em escada;
Corpo e mente, expostos e ao léu...
Grandioso efeito, nessa madrugada;
A poesia tapando-me com o seu véu...
Fui beijado por uma bela e doce fada,
Ao esquecer a terra e as obrigações...
Para que revivesse intensas emoções,
Bastaria que não acordasse jamais;
Suspenso por letras e sonhos reais...
mongiardimsaraiva
Numa nuvem branca do azul do céu...
Balançavam as letras no espaço denso,
Da grata inspiração; queria eu ser réu.
Ficar pendurado nos versos em escada;
Corpo e mente, expostos e ao léu...
Grandioso efeito, nessa madrugada;
A poesia tapando-me com o seu véu...
Fui beijado por uma bela e doce fada,
Ao esquecer a terra e as obrigações...
Para que revivesse intensas emoções,
Bastaria que não acordasse jamais;
Suspenso por letras e sonhos reais...
mongiardimsaraiva
3/15/2014
3/14/2014
GENTE DE PEDRA
Há gente que é de pedra...
Fria, grossa, pesada e rugosa.
Inanimados e comuns; petrificados.
Caindo pela vida aos bocados,
Como uma grossa argila porosa
Que se desfaz, sem bordados...
Cravam um buraco na terra
Do tamanho da sua espera;
Quieta, ausente e sem quimera.
E por aí ficam parados, absortos,
Presos nesse chão; empedrados.
Que um dia os receberá mortos,
Leves como uma pena; sepultados.
mongiardimsaraiva
Fria, grossa, pesada e rugosa.
Inanimados e comuns; petrificados.
Caindo pela vida aos bocados,
Como uma grossa argila porosa
Que se desfaz, sem bordados...
Cravam um buraco na terra
Do tamanho da sua espera;
Quieta, ausente e sem quimera.
E por aí ficam parados, absortos,
Presos nesse chão; empedrados.
Que um dia os receberá mortos,
Leves como uma pena; sepultados.
mongiardimsaraiva
3/12/2014
LIRISMO INCONFORMADO
Nesta correnteza de lirismo,
As letras escorreram frágeis
E loucas de inconformismo...
Palavras sinceras e ágeis,
Subiram e desceram versos,
Estrofes e pontos dispersos;
Num movimento sem fim
E próprio dos dias assim.
As frases estavam cheias,
De uma rima leve e doce;
Ideias que pareciam areias,
Num seco deserto precoce.
Poemas não eram dilemas,
Mas marés de águas ligeiras
Em busca de muitos temas...
mongiardimsaraiva
3/11/2014
SONO MÁGICO
Há dias em que nada acontece...
Parece que nada há para vir...
Tudo está pregado e sem fluir.
Só a solitária aranha, a teia tece.
O vento não sopra; não tem canto.
A gente não ouve o nosso pranto.
As folhas deslizam sem emoção;
Não há tristezas, nem comoção.
Há apenas um arrastar nostálgico
Que acompanha o uso do tempo...
O fim do dia transparece trágico;
Num rouco e pesado lamento...
Criaturas adormecem ao relento,
Sonham e rezam; sono mágico...
mongiardimsaraiva
Parece que nada há para vir...
Tudo está pregado e sem fluir.
Só a solitária aranha, a teia tece.
O vento não sopra; não tem canto.
A gente não ouve o nosso pranto.
As folhas deslizam sem emoção;
Não há tristezas, nem comoção.
Há apenas um arrastar nostálgico
Que acompanha o uso do tempo...
O fim do dia transparece trágico;
Num rouco e pesado lamento...
Criaturas adormecem ao relento,
Sonham e rezam; sono mágico...
mongiardimsaraiva
3/10/2014
ESPERA
A espera, quis esperar por mim...
Segredou-me que a vida é assim.
Aprender a aguardar; poder respirar.
Sentir um grande mundo a palpitar.
Escutar as vozes que cantam no mar.
Admirar os seres que moram nos céus.
Suportar as dores; descobrir os véus.
Ter tempo para adormecer e sonhar.
Brincar com quimeras e tristezas vãs.
Esperar sempre por quem nos espera
E ser aguardado por esperanças sãs.
mongiardimsaraiva
3/03/2014
UMA BELEZA TRISTE
Toda a tristeza encerra em si algo de belo. Uma beleza triste, que serve e invoca a natureza...
mongiardimsaraiva
mongiardimsaraiva
3/02/2014
3/01/2014
MERGULHEI EM VOCÊ
Mergulhei em você...
Assim, porque não?
Quis sentir o seu chão;
Olhar o que não se vê.
Só assim poderei saber,
O que brota do meu ser
E juntá-lo ao que é seu.
Sentir uma doce afinidade,
Verdadeira, só; sem idade.
Quero repartir o que é meu,
Para além de uma miragem.
O que quero dessa viagem,
É apenas a nossa chegada;
Ilesa, franca e consagrada...
mongiardimsaraiva
Assim, porque não?
Quis sentir o seu chão;
Olhar o que não se vê.
Só assim poderei saber,
O que brota do meu ser
E juntá-lo ao que é seu.
Sentir uma doce afinidade,
Verdadeira, só; sem idade.
Quero repartir o que é meu,
Para além de uma miragem.
O que quero dessa viagem,
É apenas a nossa chegada;
Ilesa, franca e consagrada...
mongiardimsaraiva
2/27/2014
CONDOMÍNIO
Gente que entra e sai,
Ou fica e pouco se distrai.
Andam tontos e às pressas.
Obstinadamente ou devagar.
Os ciclos são sempre iguais;
Infinitamente concêntricos.
Excêntricos; não podem mais.
Bom dia, boa tarde, boa noite.
Recebo-os como um açoite.
É hora de mostrar um sorriso
E falar as lorotas do tempo.
Para não ouvir um lamento,
Caminho rápido, sem parar.
Só nos largamos ao deitar.
Acreditem aí se quiserem;
Parece que estou a sonhar.
mongiardimsaraiva
Ou fica e pouco se distrai.
Andam tontos e às pressas.
Obstinadamente ou devagar.
Os ciclos são sempre iguais;
Infinitamente concêntricos.
Excêntricos; não podem mais.
Bom dia, boa tarde, boa noite.
Recebo-os como um açoite.
É hora de mostrar um sorriso
E falar as lorotas do tempo.
Para não ouvir um lamento,
Caminho rápido, sem parar.
Só nos largamos ao deitar.
Acreditem aí se quiserem;
Parece que estou a sonhar.
mongiardimsaraiva
2/25/2014
PERMANECE ENTRE NÓS
Respira leve profundamente
E recria livre a tua mente.
Exerce o teu total domínio...
Procura achar na natureza
O iluminado e transcendente,
Consertador da paz e da pureza.
Abandona a morte e o extermínio.
Sacia ainda hoje a tua fome...
Faz o bem e a glória em teu nome.
Espreguiça devagar a tua mente,
Nas águas de uma nascente.
Abre os olhos, sorri e acorda.
Estás muito mais novo, agora.
O teu corpo parece um poema
Que declama alto o teu tema.
E não quer deixar-te ir embora...
mongiardimsaraiva
E recria livre a tua mente.
Exerce o teu total domínio...
Procura achar na natureza
O iluminado e transcendente,
Consertador da paz e da pureza.
Abandona a morte e o extermínio.
Sacia ainda hoje a tua fome...
Faz o bem e a glória em teu nome.
Espreguiça devagar a tua mente,
Nas águas de uma nascente.
Abre os olhos, sorri e acorda.
Estás muito mais novo, agora.
O teu corpo parece um poema
Que declama alto o teu tema.
E não quer deixar-te ir embora...
mongiardimsaraiva
2/24/2014
ESPAÇO EM BRANCO
Hoje apaguei a minha poesia;
Não declamei sobre este dia.
As palavras não quiseram ficar;
Não se acariciavam e conheciam.
As ideias não quiseram vingar.
Um espaço em branco no lugar...
Nada de poema; só uma leve pena,
Esvoaçando insegura pelas linhas.
Tristes ladainhas, livres e sozinhas.
Os versos nadaram nessa corrente,
Mas não ousaram ser uma semente...
mongiardimsaraiva
Não declamei sobre este dia.
As palavras não quiseram ficar;
Não se acariciavam e conheciam.
As ideias não quiseram vingar.
Um espaço em branco no lugar...
Nada de poema; só uma leve pena,
Esvoaçando insegura pelas linhas.
Tristes ladainhas, livres e sozinhas.
Os versos nadaram nessa corrente,
Mas não ousaram ser uma semente...
mongiardimsaraiva
2/23/2014
SOU O PIRATA DA PERNA DE PAU
Hoje descanso à deriva;
Náufrago, em escuna altiva.
Amanhã serei mais um pirata,
Em busca do ouro e da prata;
Quero saquear muitas ilhotas
E encher de moedas as botas.
O meu lema é o meu tesouro
E a morte, já não me assusta.
Sou ágil e forte; águia e touro.
Ao vento, confio o meu leme.
Roubo aquilo que você teme...
"Sou o pirata da perna de pau;
Olho de vidro e cara de mau".
mongiardimsaraiva
Náufrago, em escuna altiva.
Amanhã serei mais um pirata,
Em busca do ouro e da prata;
Quero saquear muitas ilhotas
E encher de moedas as botas.
O meu lema é o meu tesouro
E a morte, já não me assusta.
Sou ágil e forte; águia e touro.
Ao vento, confio o meu leme.
Roubo aquilo que você teme...
"Sou o pirata da perna de pau;
Olho de vidro e cara de mau".
mongiardimsaraiva
2/21/2014
O BEIJO DA INCERTEZA
O Homem está deliciado à beira do seu poço...
O destroço banhado a sangue, corrói até ao osso.
Partituras e sinfonias, alimentam tórridas orgias.
Discursos de corrupção, comandam toda a nação.
Águas apodrecidas, banham os rios e os mares.
Loucos, aos pares, querem proliferar a raça...
Mas a dura carapaça, não deixa viver a razão.
Quanto mais tempo é requerido, menos noção...
Pobres inglórios, choram o fim da humanidade;
Deles é o uso da tristeza, que nega a natureza.
Abatidos e vencidos, na morte da liberdade,
Só lhes resta a saudade e o beijo da incerteza...
mongiardimsaraiva
O destroço banhado a sangue, corrói até ao osso.
Partituras e sinfonias, alimentam tórridas orgias.
Discursos de corrupção, comandam toda a nação.
Águas apodrecidas, banham os rios e os mares.
Loucos, aos pares, querem proliferar a raça...
Mas a dura carapaça, não deixa viver a razão.
Quanto mais tempo é requerido, menos noção...
Pobres inglórios, choram o fim da humanidade;
Deles é o uso da tristeza, que nega a natureza.
Abatidos e vencidos, na morte da liberdade,
Só lhes resta a saudade e o beijo da incerteza...
mongiardimsaraiva
2/20/2014
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