Estou no limiar da espera,
Que me espera sem pesar.
Ainda respiro o ar devagar
E sinto a madrugada fria.
Uma língua de terra vazia,
Sem árvores e sem flores,
Limita a minha empatia;
Íngua dos meus amores,
Sozinha e sem as dores.
O tempo cerca-me agora,
Sem máscaras e anseios.
Quer mandar-me embora,
Pela bruma e sem rodeios.
Mudo, resisto às esperas
Sem ponderar os receios.
Apesar do pouco que veja,
Quero sentir nessa quimera,
Uma só fantasia que seja...
mongiardimsaraiva
7/17/2014
7/11/2014
MARIPOSA
Abri a minha carta...
Havia uma borboleta
Morta e seca, sem cor.
No papel manchado,
O desenho do pólen
Das asas de uma dor.
Quem assim a enviou,
Sofreu no duro amor
A saudade que ficou.
Agradeço-te meu pai,
Essa doce lembrança
Com asas de condor.
Deixaste-a suspensa
Para sempre em mim,
Mariposa morta e viva,
Musa do meu jardim...
mongiardimsaraiva
Morta e seca, sem cor.
No papel manchado,
O desenho do pólen
Das asas de uma dor.
Quem assim a enviou,
Sofreu no duro amor
A saudade que ficou.
Agradeço-te meu pai,
Essa doce lembrança
Com asas de condor.
Deixaste-a suspensa
Para sempre em mim,
Mariposa morta e viva,
Musa do meu jardim...
mongiardimsaraiva
DESUMANIZAÇÃO
Humanização perdida no tempo.
Esfumado o alento e a relação.
Não existe mais coração lento.
Tudo é rápido, vil e sangrento,
Como a guerra sem sentimento.
Efémeras batalhas entre irmãos.
Quem sobrevive a esse lamento,
Seca as suas lágrimas nas mãos
E padece do amor sem sustento.
Não há rajadas do nosso vento.
Tudo é vago, cru, seco e vão.
Pão frio, leve e sem fermento.
mongiardimsaraiva
Esfumado o alento e a relação.
Não existe mais coração lento.
Tudo é rápido, vil e sangrento,
Como a guerra sem sentimento.
Efémeras batalhas entre irmãos.
Quem sobrevive a esse lamento,
Seca as suas lágrimas nas mãos
E padece do amor sem sustento.
Não há rajadas do nosso vento.
Tudo é vago, cru, seco e vão.
Pão frio, leve e sem fermento.
mongiardimsaraiva
7/08/2014
DESTROÇOS
A falta de profundidade,
Encalha todos os corpos
Na areia fina e movediça
Que arrasta sem piedade,
Esconde, suja e enfeitiça...
No lodo estão os destroços
Da nossa barcaça perdida,
Que jaz sem cor de justiça.
Quem mergulhar os ossos
No frio cruel da despedida,
Verá uma pérola escondida,
Brilhante, pura e radiante;
Carente dos destroços...
mongiardimsaraiva
Encalha todos os corpos
Na areia fina e movediça
Que arrasta sem piedade,
Esconde, suja e enfeitiça...
No lodo estão os destroços
Da nossa barcaça perdida,
Que jaz sem cor de justiça.
Quem mergulhar os ossos
No frio cruel da despedida,
Verá uma pérola escondida,
Brilhante, pura e radiante;
Carente dos destroços...
mongiardimsaraiva
7/07/2014
CÉUS E CURAS
Os dias são todos iguais;
Pardais que só esvoaçam
Em bandos sós e desiguais.
Céu que teima em ser azul,
De norte a sul; sem nuvem.
Noites escuras que rugem
E encerram a madrugada.
Não vejo luzes; só cruzes,
Nessa terra sem mutação.
A oração não toca o céu;
Arrasta-se sem compasso.
À deriva e passo a passo.
Quando chegar a chuva,
O céu poderá escurecer
E abrigar a noite madura.
Os dias trarão essa cura
E mais um sopro do viver.
mongiardimsaraiva
Pardais que só esvoaçam
Em bandos sós e desiguais.
Céu que teima em ser azul,
De norte a sul; sem nuvem.
Noites escuras que rugem
E encerram a madrugada.
Não vejo luzes; só cruzes,
Nessa terra sem mutação.
A oração não toca o céu;
Arrasta-se sem compasso.
À deriva e passo a passo.
Quando chegar a chuva,
O céu poderá escurecer
E abrigar a noite madura.
Os dias trarão essa cura
E mais um sopro do viver.
mongiardimsaraiva
6/24/2014
FIO AGONIZANTE
Escorraçado e sem limite,
Um só fio, escorre isolado.
Quase parado; agonizante.
Águas podres sem nascente,
Perpetuam o caos delirante.
Uma reserva escassa e pura,
Quer beijar o nosso campo.
O pranto acenderá a chama;
Laços perdidos e sem cura.
Pó, transformado em lama,
Deitando-nos nessa cama
De mortalha fria e escura.
mongiardimsaraiva
Um só fio, escorre isolado.
Quase parado; agonizante.
Águas podres sem nascente,
Perpetuam o caos delirante.
Uma reserva escassa e pura,
Quer beijar o nosso campo.
O pranto acenderá a chama;
Laços perdidos e sem cura.
Pó, transformado em lama,
Deitando-nos nessa cama
De mortalha fria e escura.
mongiardimsaraiva
6/15/2014
O VOO DO ALBATROZ
O teu talento é o teu sustento...
Envolve o teu ser de sentimento
E transforma-te em energia cintilante,
Constante e eternizada pelo teu saber...
Que não te deixa morrer e te trás o viver,
Que se renova em cada detalhe dominante.
Mantem-te atento, positivo; entusiasmado,
Como um pássaro que observa a montanha
Em busca do alimento e que te acompanha,
Por vales, encostas e cumes esvoaçantes.
Quando sobrevoas a paisagem do sagrado,
Ouve-se o teu canto apaixonado; delirante.
As tuas asas sustentam-te, pleno e parado,
Como um grande albatroz divino; alucinante.
Deslizando entre correntes, brisas e rajadas
De vento e de lamento, pelas coisas paradas.
mongiardimsaraiva
Envolve o teu ser de sentimento
E transforma-te em energia cintilante,
Constante e eternizada pelo teu saber...
Que não te deixa morrer e te trás o viver,
Que se renova em cada detalhe dominante.
Mantem-te atento, positivo; entusiasmado,
Como um pássaro que observa a montanha
Em busca do alimento e que te acompanha,
Por vales, encostas e cumes esvoaçantes.
Quando sobrevoas a paisagem do sagrado,
Ouve-se o teu canto apaixonado; delirante.
As tuas asas sustentam-te, pleno e parado,
Como um grande albatroz divino; alucinante.
Deslizando entre correntes, brisas e rajadas
De vento e de lamento, pelas coisas paradas.
mongiardimsaraiva
6/01/2014
FOLHA SECA
Sonhei que era uma folha seca...
E balançava na brisa, sem lamento.
Uma nau sem destino e sem vento;
Rangendo, oscilando e sem vida...
Apenas à espera de um sustento,
Que mantivesse a calma à deriva...
Tentei acordar, mas não consegui.
A folha, tinha voado para longe
E me arrastou, embevecida...
Tão longe, que no longe morri
E me tornei, uma folha sem vida.
mongiardimsaraiva
E balançava na brisa, sem lamento.
Uma nau sem destino e sem vento;
Rangendo, oscilando e sem vida...
Apenas à espera de um sustento,
Que mantivesse a calma à deriva...
Tentei acordar, mas não consegui.
A folha, tinha voado para longe
E me arrastou, embevecida...
Tão longe, que no longe morri
E me tornei, uma folha sem vida.
mongiardimsaraiva
5/31/2014
TRANSE
O sangue percorre as entranhas,
Molhadas e banhadas pelo transe.
A carne, agita-se quente e fraca,
Em estímulos vagos e imperfeitos.
Tudo é um vazio, oco e rarefeito,
Como uma vil matança, sem faca.
Alegorias de uma morte profana,
No centro de uma robusta cama
Que segura dois corpos pesados.
Sons repetidos, agudos e cavos
Ecoam das tristes paredes nuas.
Escorrem suores transfigurados,
Que exortam o cheiro das ruas...
mongiardimsaraiva
Molhadas e banhadas pelo transe.
A carne, agita-se quente e fraca,
Em estímulos vagos e imperfeitos.
Tudo é um vazio, oco e rarefeito,
Como uma vil matança, sem faca.
Alegorias de uma morte profana,
No centro de uma robusta cama
Que segura dois corpos pesados.
Sons repetidos, agudos e cavos
Ecoam das tristes paredes nuas.
Escorrem suores transfigurados,
Que exortam o cheiro das ruas...
mongiardimsaraiva
5/27/2014
ENVELHECER
No envelhecer, nasce um novo ser,
Mais pleno, ciente e aprofundado.
Tudo o que dizem do envelhecer,
Não passa de um discurso furado.
Enquanto jovens, bravos guerreiros
Ou marinheiros crus desgovernados,
Um mar de rosas se ergue em volta
E as criaturas velejam pelo infinito.
Quando a música desce o seu tom
E a claridade escurece e se apaga,
Os seres têm de cortar as amarras.
A luz, é agora o brilho das estrelas
Que os velhos observam sem ver...
Como pontos luminosos sem forma,
Numa cobertura restrita e sem céu.
Onde é permitido transcender o véu
Das coisas que flutuam, sem norma.
Tudo parece estar longe do saber;
Envelhecer, é nascer para morrer...
mongiardimsaraiva
Mais pleno, ciente e aprofundado.
Tudo o que dizem do envelhecer,
Não passa de um discurso furado.
Enquanto jovens, bravos guerreiros
Ou marinheiros crus desgovernados,
Um mar de rosas se ergue em volta
E as criaturas velejam pelo infinito.
Quando a música desce o seu tom
E a claridade escurece e se apaga,
Os seres têm de cortar as amarras.
A luz, é agora o brilho das estrelas
Que os velhos observam sem ver...
Como pontos luminosos sem forma,
Numa cobertura restrita e sem céu.
Onde é permitido transcender o véu
Das coisas que flutuam, sem norma.
Tudo parece estar longe do saber;
Envelhecer, é nascer para morrer...
mongiardimsaraiva
5/23/2014
O CAMINHO DO PARAÍSO
Agilizai-vos seres incautos...
Não tomais o mundo para vós.
Deixai a quimera ser o arauto,
Ao anunciar-vos a sua voz...
Correi sublimes e esvoaçantes.
Não percais a brisa delirante.
Procurai o horizonte semblante
E levai a palavra por nós...
Os querubins e os guardiões,
Farão soar as suas trombetas
Ao receber-vos alegres e sós,
Eternamente castos e louvados
Num só nome, perpetuados...
mongiardimsaraiva
Não tomais o mundo para vós.
Deixai a quimera ser o arauto,
Ao anunciar-vos a sua voz...
Correi sublimes e esvoaçantes.
Não percais a brisa delirante.
Procurai o horizonte semblante
E levai a palavra por nós...
Os querubins e os guardiões,
Farão soar as suas trombetas
Ao receber-vos alegres e sós,
Eternamente castos e louvados
Num só nome, perpetuados...
mongiardimsaraiva
5/22/2014
ODE AOS PORCOS
Os "porcos" chafurdam na merda,
Com ares de gente envaidecida...
Pobres, vorazes, endinheirados,
Altivos, robustos e sem filosofia...
Boca escancarada e dourada.
Riem, comem e fodem nas orgias.
Coitados dos que por ali passam,
Sem lhes render a vénia do dia...
Cabeça baixa e com vergonha,
De mostrar que nada podem,
Contra a triste e vil serventia.
Lancemos "pérolas" aos porcos,
Para que escorreguem, caiam
E percam o rumo desse norte.
Na realidade do seu chiqueiro;
A antecâmara da sua morte...
mongiardimsaraiva
Com ares de gente envaidecida...
Pobres, vorazes, endinheirados,
Altivos, robustos e sem filosofia...
Boca escancarada e dourada.
Riem, comem e fodem nas orgias.
Coitados dos que por ali passam,
Sem lhes render a vénia do dia...
Cabeça baixa e com vergonha,
De mostrar que nada podem,
Contra a triste e vil serventia.
Lancemos "pérolas" aos porcos,
Para que escorreguem, caiam
E percam o rumo desse norte.
Na realidade do seu chiqueiro;
A antecâmara da sua morte...
mongiardimsaraiva
5/20/2014
O DESPERTAR DOS MÁGICOS
A borboleta aguarda a chegada da luz,
Inflamada e acesa, numa bola de sol.
O cantar dos bichos, celebra e seduz,
Como o degustar de uma vida mole.
São ervas, folhas e troncos que riem.
Pássaros, rãs e joaninhas aos pulos.
A geada deslizou pelos ocos casulos,
Em que dormiam os insetos da noite.
O dia desperta a coragem e a magia,
Como um bom feitiço ou num açoite.
Os reflexos e as sombras se abraçam,
Por entre os canaviais da natureza.
Uma orgia de brilho, luz e fantasia,
Sacode agora a mata inteira; de dia.
mongiardimsaraiva
Inflamada e acesa, numa bola de sol.
O cantar dos bichos, celebra e seduz,
Como o degustar de uma vida mole.
São ervas, folhas e troncos que riem.
Pássaros, rãs e joaninhas aos pulos.
A geada deslizou pelos ocos casulos,
Em que dormiam os insetos da noite.
O dia desperta a coragem e a magia,
Como um bom feitiço ou num açoite.
Os reflexos e as sombras se abraçam,
Por entre os canaviais da natureza.
Uma orgia de brilho, luz e fantasia,
Sacode agora a mata inteira; de dia.
mongiardimsaraiva
5/15/2014
DESPIDO
Despido de todas as roupas,
Sentado, gelado e iluminado,
Pela luz de uma lâmpada oca,
Mantenho-me atento e ligado.
Sou aquilo que restou do fado;
Uma carne em decomposição,
Que aguarda sem ter noção.
Quero estar e não estar aqui.
Sou conflituoso e indecoroso.
A minha aparente ingenuidade,
Está estampada no meu rosto.
Não passo de mais um corpo,
Branco e trémulo que aguarda;
O destino, cansado e deposto.
mongiardimsaraiva
Sentado, gelado e iluminado,
Pela luz de uma lâmpada oca,
Mantenho-me atento e ligado.
Sou aquilo que restou do fado;
Uma carne em decomposição,
Que aguarda sem ter noção.
Quero estar e não estar aqui.
Sou conflituoso e indecoroso.
A minha aparente ingenuidade,
Está estampada no meu rosto.
Não passo de mais um corpo,
Branco e trémulo que aguarda;
O destino, cansado e deposto.
mongiardimsaraiva
5/02/2014
SENTIMENTOS
Sentimentos que vão e que não voltam,
Incomodam tudo o que está em volta
E deixam dentro, um vazio de revolta,
Num descompasso atípico sem alegria.
Incitados pela morte de mais um dia,
Assistem preplexos aos risos sem nexo
E aos requintes da crueldade sem tema.
Sentidos, nada podem sentir, senão pena.
Uma podre indecisão, criada pela letargia;
Triste mania, por se sentir impotente e fria,
Como uma gueixa obediente, só e imaculada.
Quando a toalha é jogada às feras da manada,
Sentimentos são poupados, mortos ou reprimidos,
Como pedaços de esperança, arrancados e sofridos.
mongiardimsaraiva
Incomodam tudo o que está em volta
E deixam dentro, um vazio de revolta,
Num descompasso atípico sem alegria.
Incitados pela morte de mais um dia,
Assistem preplexos aos risos sem nexo
E aos requintes da crueldade sem tema.
Sentidos, nada podem sentir, senão pena.
Uma podre indecisão, criada pela letargia;
Triste mania, por se sentir impotente e fria,
Como uma gueixa obediente, só e imaculada.
Quando a toalha é jogada às feras da manada,
Sentimentos são poupados, mortos ou reprimidos,
Como pedaços de esperança, arrancados e sofridos.
mongiardimsaraiva
4/30/2014
UM OLHAR DISTANTE
O meu olhar cerrado e distante,
Num ponto sem pontos adiante,
Cansado já segue o horizonte,
Sem linhas ou pontos achados.
A névoa cobre-me de orvalhos.
Esfria o coração desagasalhado
E lança lembranças do passado.
Queria eu poder sonhar, flutuar,
Esquecer o céu a terra e o mar
E voar sem memórias de guerra.
Percorrer o espaço numa redoma
E acordar perto de uma estrela;
Sem presente, passado e futuro.
Como um pedaço de luz eterna,
Sem corpo e carente de história.
Capaz de formar as vidas assim;
Mais certeiras e inteiras de mim.
mongiardimsaraiva
Num ponto sem pontos adiante,
Cansado já segue o horizonte,
Sem linhas ou pontos achados.
A névoa cobre-me de orvalhos.
Esfria o coração desagasalhado
E lança lembranças do passado.
Queria eu poder sonhar, flutuar,
Esquecer o céu a terra e o mar
E voar sem memórias de guerra.
Percorrer o espaço numa redoma
E acordar perto de uma estrela;
Sem presente, passado e futuro.
Como um pedaço de luz eterna,
Sem corpo e carente de história.
Capaz de formar as vidas assim;
Mais certeiras e inteiras de mim.
mongiardimsaraiva
4/23/2014
OSTRA VIVA
Uma boca despudorada,
Entreaberta e marcada,
Como um ser carente
Que pede tudo ou nada
E não fala o que sente.
Uma ostra viva e ardente
Que se recolhe e pulsa,
Em esgares contraídos,
Insanos e provocantes.
Como uma gota de limão
Que cai na carne viva
Contorcida que ri, chora,
Muda de forma e aceita;
A ferida fatal e querida,
Num beijo de mel e fel.
mongiardimsaraiva
Entreaberta e marcada,
Como um ser carente
Que pede tudo ou nada
E não fala o que sente.
Uma ostra viva e ardente
Que se recolhe e pulsa,
Em esgares contraídos,
Insanos e provocantes.
Como uma gota de limão
Que cai na carne viva
Contorcida que ri, chora,
Muda de forma e aceita;
A ferida fatal e querida,
Num beijo de mel e fel.
mongiardimsaraiva
4/22/2014
TERRA LAVRADA
Escrevo para não me desligar,
Das coisas que estão ao redor.
Quero que a única ausência,
Seja a tristeza que sei de cor.
Os horizontes vão e voltam,
Como sentinelas descrentes
Num quartel sem memórias.
E trazem o grito da revolta,
De muitos bravos inocentes,
Decadentes e sem história.
Quando a paisagem é amena,
Sinto que o viver vale a pena
E lanço o meu olhar em volta,
Do que sou e me pertence.
Sou uma estaca enterrada,
Em terra revolta e lavrada.
mongiardimsaraiva
Das coisas que estão ao redor.
Quero que a única ausência,
Seja a tristeza que sei de cor.
Os horizontes vão e voltam,
Como sentinelas descrentes
Num quartel sem memórias.
E trazem o grito da revolta,
De muitos bravos inocentes,
Decadentes e sem história.
Quando a paisagem é amena,
Sinto que o viver vale a pena
E lanço o meu olhar em volta,
Do que sou e me pertence.
Sou uma estaca enterrada,
Em terra revolta e lavrada.
mongiardimsaraiva
4/21/2014
LEITE DERRAMADO
O leite escorria das tetas
Em riachos brancos e sós,
Como lentas ampulhetas
Sinalizando perdas e nós.
O peito branco e inchado,
Quis ser um rio e cascata.
Abriu leitos na crua mata;
Velozes tons embriagados,
Perfumados e ricos na voz.
Todos os seres vieram ver,
O alimento que queria viver
E que escorreu limpo e alvo
Pelos calores de cada ser...
mongiardimsaraiva
Em riachos brancos e sós,
Como lentas ampulhetas
Sinalizando perdas e nós.
O peito branco e inchado,
Quis ser um rio e cascata.
Abriu leitos na crua mata;
Velozes tons embriagados,
Perfumados e ricos na voz.
Todos os seres vieram ver,
O alimento que queria viver
E que escorreu limpo e alvo
Pelos calores de cada ser...
mongiardimsaraiva
4/20/2014
MAQUILLAGE
Modificar, esconder e agradar,
Com pozinhos e cores suaves.
Derreter, cortar e transformar
As máculas pesadas e graves.
Ousar conseguir um parecer,
Sem mostrar o nosso sofrer.
Mascarar o rosto com brilhos
E pintar bocas de vermelho,
Em frente a um lindo espelho.
Maquilhar a vida dos sarilhos,
Apagar as rugas de um velho
Obtendo um efeito desejado;
Sem pecado e preocupação.
Como uma nostalgia estética;
Patética, bela e sem noção...
mongiardimsaraiva
Com pozinhos e cores suaves.
Derreter, cortar e transformar
As máculas pesadas e graves.
Ousar conseguir um parecer,
Sem mostrar o nosso sofrer.
Mascarar o rosto com brilhos
E pintar bocas de vermelho,
Em frente a um lindo espelho.
Maquilhar a vida dos sarilhos,
Apagar as rugas de um velho
Obtendo um efeito desejado;
Sem pecado e preocupação.
Como uma nostalgia estética;
Patética, bela e sem noção...
mongiardimsaraiva
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